João Ventura desaba em lágrimas no Big Brother Verão: «Estou cansado de ter de lutar para ter um espaço», disse.
João Ventura não conseguiu conter as lágrimas durante o Especial do Big Brother Verão desta quinta-feira, 13 de agosto. O comentário de Tatiana Durão, que utilizou a expressão «não é carne nem é peixe» quando falava sobre a participação do colega numa Ladies Night, levou o concorrente a revisitar episódios que atravessam diferentes fases da sua vida e a falar abertamente sobre o desgaste provocado pelo preconceito.
Maria Botelho Moniz conduziu a conversa e ouviu João explicar que a situação ultrapassa aquilo que aconteceu dentro da casa. Para o concorrente, há memórias e marcas que continuam presentes muito depois de cada episódio isolado.
«Transporta-me para a minha infância, transporta-me para a minha adolescência. Transporta-me para a minha idade madura (…) e transporta-me muitas vezes eu na minha vida a sentir-me assim», confessou.
«Estou um bocado cansado»
À medida que a conversa avançou, João Ventura emocionou-se e admitiu estar cansado de sentir que precisa permanentemente de conquistar um lugar que aos outros é dado como adquirido.
«Maria, olha, não sei. Eu acho que este assunto persegue-me a vida toda e estou um bocado cansado já de parecer que estou sempre a ter que lutar para ter um espaço. Seja um espaço no mundo, seja um espaço dentro de mim. E às vezes é cansativo», desabafou.
O concorrente foi ainda mais longe na reflexão e falou sobre aquilo que acredita ter interiorizado ao longo dos anos devido à educação e à própria sociedade.
«Acho que também tenho muitas coisas que foram internalizadas, também posso ter aqui um espectro de alguma homofobia internalizada dentro de mim que ainda tem que ser desconstruída (…) Foram prisões que eu fui aprendendo com a sociedade, com a educação, e continuam a ser reforçadas muitas vezes pelo mundo», explicou.
Maria Botelho Moniz recusa normalização
Durante a conversa, João procurou enquadrar a forma como aprendeu a lidar com determinadas situações, mas Maria Botelho Moniz travou a ideia de que a repetição de comportamentos discriminatórios os possa tornar aceitáveis.
«Mas não pode normalizar as coisas que o magoam, João. E às vezes é isso que é, às vezes, não é? Porque não é pelo hábito que uma coisa se pode tornar normal», afirmou a apresentadora.
João reconheceu que, durante muito tempo, essa normalização funcionou como uma forma de proteção.
«Havia um conjunto de coisas que eu, como me habituei a sobreviver, as normalizei (…) Muitas vezes silenciamos as coisas para poder continuar a sobreviver no caos que é a vida aí fora», respondeu.
A intervenção acabou por expor uma dimensão mais profunda da polémica. Mais do que discutir exclusivamente aquilo que Tatiana quis ou não dizer, João falou sobre a forma como determinadas palavras podem recuperar experiências acumuladas durante anos.
«Nesta casa terá sempre espaço e sempre voz»
O momento terminou com uma mensagem direta de Maria Botelho Moniz ao concorrente.
«E nesta casa, João, terá sempre espaço e sempre voz», garantiu a apresentadora antes de prosseguir com a emissão.
A expressão utilizada por Tatiana Durão já tinha sido amplamente discutida no Diário desta quinta-feira. Mariana Sá classificou o comentário como «feio» e «terrível», enquanto Teresa Silva defendeu que a concorrente não terá procurado dar à frase o significado que acabou por ser interpretado cá fora.
No Especial, porém, o centro da conversa deixou de estar na intenção de Tatiana e passou para o impacto sentido por João Ventura. Entre lágrimas, o concorrente acabou por explicar por que razão uma frase dita dentro de um reality show foi suficiente para o transportar para momentos muito anteriores à entrada na casa.
