Reggae Sun Fest: Alborosie fechou segundo dia com Jesse Royal em destaque

Reggae Sun Fest: Alborosie fechou segundo dia com Jesse Royal em destaque, nos Jardins do Marquês de Pombal.

Texto: Diogo Nora
Fotografias: Diogo Nora e João Ramos Sousa

O segundo dia do Reggae Sun Fest confirmou aquilo que já se percebia na estreia: o festival quer fazer do reggae uma linguagem sem fronteiras. Marcus Gad abriu o palco principal, Jesse Royal trouxe a energia jamaicana, os históricos Inner Circle recuperaram clássicos e Alborosie fechou a noite com uma atuação construída à volta dos seus maiores temas.

Entre o palco principal e o espaço soundsystem, a música praticamente não parou.

Marcus Gad abriu a tarde/noite

Marcus Gad foi o primeiro artista a subir ao palco principal neste segundo dia. Natural da Nova Caledónia, nas ilhas francesas do Pacífico, levou ao recinto uma sonoridade que reforçou a diversidade geográfica do cartaz.

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Um dos momentos mais particulares da atuação aconteceu com “Keep Cool”, tema associado a Marcus Garvey. A canção remete para um período em que Garvey enfrentava um processo judicial nos Estados Unidos.

Mais do que uma abertura de noite, Marcus Gad deixou desde cedo evidente uma das características do festival: juntar diferentes geografias dentro da mesma linguagem musical.

Jesse Royal colocou a Jamaica no centro do palco

Depois de Marcus Gad, foi Jesse Royal quem assumiu o palco principal.

O jamaicano entrou com energia e rapidamente ganhou a plateia. A presença em palco foi uma das marcas mais evidentes da atuação, com o artista a percorrer o espaço e a manter uma ligação constante com o público.

Entre os temas reconhecidos do seu repertório estão “Modern Day Judas”, “LionOrder”, “Gimme Likkle” e “Generation”, além de outros trabalhos que fazem parte do percurso do artista.

Mas Jesse Royal não ficou apenas pela música. Durante o concerto, deixou uma mensagem centrada no presente, sem distinções de cor, nacionalidade ou religião.

A ideia foi simples: o passado pertence à história, o futuro é uma bênção e o presente é a certeza que temos.

Foi uma intervenção curta, mas encaixou no ambiente que o festival procurou criar.

Inner Circle trouxeram os clássicos

Os Inner Circle foram os terceiros a ocupar o palco principal.

A banda jamaicana não precisou de grandes artifícios para conquistar o público. A experiência falou por si.

Entre os momentos mais reconhecíveis esteve a interpretação de “Let It Be”, dos Beatles, ao lado de temas que fazem parte da identidade da banda, como “Bad Boys” e “Sweet (La La La Song)”.

Foi um concerto assente em canções que atravessaram gerações. E os Inner Circle jogaram precisamente com essa memória.

Sem procurar reinventar a fórmula, apresentaram os clássicos que o público conhecia e queria ouvir.

Alborosie fechou o palco principal

Se havia um nome que concentrava grande parte da expectativa para o final da noite, era Alborosie.

O artista italiano naturalizado jamaicano regressou a Portugal depois de ter atuado no ano passado num concerto de menor dimensão em Monsanto. Desta vez, a escala foi outra, com uma banda maior e um palco principal cheio de expectativa.

A setlist foi construída em torno de alguns dos temas mais conhecidos do seu percurso.

“Herbalist”, “No Cocaine” e “Blessings” estiveram entre os momentos fortes da atuação. Os três temas fazem parte do repertório mais reconhecido de Alborosie, sendo “Blessings” uma colaboração com Etana.

A escolha não surpreendeu. Alborosie entrou em palco para apresentar aquilo que o público tinha ido procurar: os temas que ajudaram a construir o seu nome dentro do reggae internacional.

E foi com esse peso que encerrou o palco principal.

O soundsystem manteve o festival em movimento

Enquanto os concertos principais avançavam, o palco soundsystem garantiu que a noite não ficava limitada aos horários das atuações centrais.

Mindel Reggae, Toy Kool, G Ras e Freddy Locks fizeram parte da programação deste espaço.

As atuações foram acontecendo entre os concertos do palco principal, mantendo a música presente no recinto e prolongando o ambiente reggae ao longo da noite.

O segundo dia terminou, assim, com uma sucessão de geografias, gerações e estilos dentro do mesmo género. Da Nova Caledónia à Jamaica, passando pelos clássicos dos Inner Circle e pela força de Alborosie, o Reggae Sun Fest voltou a apostar na diversidade do reggae para construir a sua identidade.

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