Big Brother Verão trava passividade perante preconceito: «Ver, sinalizar, não é atacar a pessoa»

Big Brother Verão trava passividade perante preconceito: «Ver, sinalizar, não é atacar a pessoa», foi referido.

A forma como os concorrentes do Big Brother Verão reagiram aos episódios mais polémicos dos últimos dias levou Maria Botelho Moniz a fazer um reparo direto ao grupo durante o Especial desta quinta-feira, 13 de agosto. Depois da expressão «não é carne nem é peixe», utilizada por Tatiana Durão numa conversa sobre João Ventura, a apresentadora questionou sobretudo o silêncio de quem estava presente no momento.

Vanessa admitiu que os habitantes procuraram disfarçar o constrangimento provocado pela frase. Maria Botelho Moniz aproveitou a explicação para alargar a reflexão e considerar que aquela reação não é exclusiva da casa.

«Eu acho que vocês são um espelho daquilo que se passa cá fora. E digo isto não de forma, não estou a atacar de forma alguma, é um reflexo daquilo que se passa cá fora. Às vezes vemos situações a acontecer (…) mas damos dois passinhos para o lado e isto é, olha, é como se não tivesse acontecido», afirmou.

«Apanhar logo o momento»

Para Maria Botelho Moniz, intervir perante uma frase que pode magoar alguém não significa criar imediatamente um confronto ou atacar quem a proferiu.

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A apresentadora defendeu antes uma correção feita no próprio momento, evitando que a situação cresça ou seja normalizada pelo grupo.

«O importante é ver, sinalizar, não é atacar a pessoa. Não digo que saltassem todos para cima da Tatiana para recriminar, não é isso, mas sinalizar, dizer, ‘olha, isso não se diz, reformula lá isso, não é isso que tu queres dizer’. Apanhar logo o momento, porque senão isto depois pode resvalar e tornar-se numa coisa ainda maior», alertou.

Raquel Rodrigues explicou, por sua vez, que optou por não intervir imediatamente por entender que deveria respeitar o espaço de João Ventura e permitir que fosse o próprio a decidir de que forma queria lidar com a situação.

O tema já tinha levado João às lágrimas durante a mesma emissão. O concorrente falou das experiências de preconceito que atravessaram a infância, a adolescência e a vida adulta e confessou sentir-se cansado de ter constantemente de lutar por um espaço.

Big intervém e lembra responsabilidade de quem está em televisão

Depois da conversa conduzida por Maria Botelho Moniz, o próprio Big dirigiu-se aos concorrentes e centrou a intervenção no peso das palavras e na responsabilidade acrescida de quem participa num programa acompanhado diariamente por milhares de pessoas.

«Nos tempos que correm, é cada vez mais importante saber o que dizemos, como o dizemos, e sobretudo perceber o peso que as nossas palavras podem ter. Uma frase pode parecer muito pequenina naquele momento, mas pode ser enorme para quem ouve, sobretudo quando toca naquilo que alguém é, seja na sua dignidade, na sua liberdade de ser», começou por dizer.

A mensagem não ficou limitada ao episódio envolvendo Tatiana Durão e João Ventura. O Big colocou a questão num plano mais amplo, incluindo preconceito, discriminação e machismo entre os comportamentos sobre os quais o grupo deve refletir.

«Vocês estão numa casa, mas estão também num programa de televisão visto por milhares de pessoas, e isto traz uma responsabilidade bastante acrescida. Eu espero que mesmo nas diferenças, nas discussões e nos conflitos, escolham sempre ser um bom exemplo. Lembrem-se, em cada ato, em cada palavra nossa, podemos escolher ou perpetuar os preconceitos, as discriminações, o machismo, ou podemos escolher empatia, a gentileza e o respeito pela liberdade e natureza de cada um», afirmou.

Elisa Lucinda encerra reflexão

Para terminar, a voz soberana recuperou uma frase da poetisa brasileira Elisa Lucinda como apelo à mudança de comportamentos, tanto dentro como fora da casa.

«Eu sei que já não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser, vai dar para mudar o fim», citou.

A emissão acabou, assim, por retirar a discussão do caso isolado de Tatiana Durão e colocar o foco também em quem assiste em silêncio. Maria Botelho Moniz pediu uma reação no momento em que determinadas situações acontecem e o Big lembrou aos concorrentes que a exposição televisiva lhes dá uma responsabilidade que ultrapassa o simples jogo.

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