Vanessa Martins sob críticas: Filipa Torrinha fala em «violação da lei laboral» e Cláudia Jacques em «absurdo sério» da influenciadora.
A explicação de Vanessa Martins sobre a disponibilidade dos funcionários da Frederica fora do horário de trabalho não travou a polémica. Filipa Torrinha e Cláudia Jacques contestaram publicamente o discurso da empresária, considerando que o empenho profissional não pode ser confundido com a obrigação de responder durante a noite, aos fins de semana ou nas férias.
A discussão começou com um vídeo sobre gestão de equipas, no qual Vanessa afirmou que daria formação a um funcionário que não respondesse a mensagens depois do horário laboral. Perante as críticas, a influenciadora alegou estar a ser alvo de uma tentativa de cancelamento e explicou que existem situações urgentes num negócio de comércio eletrónico.
Filipa Torrinha rejeita argumento do cancelamento
Nas redes sociais, Filipa Torrinha começou por distinguir as críticas dirigidas à empresária de uma tentativa de afastamento ou cancelamento público.
“A Vanessa Martins está um bocadinho equivocada em relação a dois pontos importantes. Para já, quando confunde crítica com cancelamento, são coisas muito diferentes, e depois quando confunde motivação no trabalho, vestir a camisola, dedicação, empenho, com a violação do Código do Trabalho”, afirmou.
A psicóloga e comentadora do «Passadeira Vermelha» considerou ainda contraditório que uma empresa ligada ao bem-estar possa ser associada a expectativas de disponibilidade permanente por parte dos trabalhadores.
“E o mais irónico e paradoxal no meio disto tudo é que a empresa da Vanessa é uma empresa de wellness, de saúde, de bem-estar. A própria Vanessa também na sua página pessoal e profissional, no fundo, também advoga estes valores. E eu questiono-me, e acho que não sou a única, onde é que está a preocupação com a saúde mental dos seus colaboradores”, acrescentou.
Debate pode pressionar empresas a mudar práticas
Para Filipa Torrinha, a exposição pública do caso pode ter um efeito positivo, ao levar outras entidades empregadoras a repensarem a cultura interna e a forma como tratam os limites entre a vida profissional e pessoal.
A comentadora defendeu igualmente que os funcionários devem conhecer os seus direitos e sentir-se capazes de os reivindicar sem receio de consequências.
“Porque dedicação ao trabalho não é o mesmo que alimentar e viver uma cultura de toxicidade e de exploração e que, no fundo, viola a lei laboral”, concluiu.
As referências a uma eventual violação da legislação correspondem à análise da comentadora e não a uma decisão de qualquer entidade competente sobre as práticas da empresa.
Cláudia Jacques critica exigência de disponibilidade permanente
O tema chegou também ao «V+ Fama». Adriano Silva Martins apresentou a polémica recordando o rótulo atribuído a Vanessa Martins nas redes sociais.
“Vanessa Martins está mesmo no centro da polémica. Um simples vídeo nas redes sociais foi suficiente para a colocar no rótulo de ser uma exploradora laboral. Parece que está a explorar toda a gente da sua empresa”, contextualizou.
Cláudia Jacques analisou tanto o primeiro vídeo como o esclarecimento publicado posteriormente. A comentadora admitiu que a repetição constante do nome da empresa e a forma como Vanessa defendeu a sua posição a levaram a interromper a visualização.
“Primeiro começaram por me chatear ao ponto de me irritar e de eu não acabar de ver, porque eu disse: o que eu já vi já me chega”, contou.
A principal crítica esteve na expectativa de que os trabalhadores partilhem o mesmo nível de envolvimento emocional que a fundadora tem com a empresa.
“Quando ela acha que o sonho dela e a ambição dela têm que ser também o sonho e a ambição das pessoas que trabalham com ela, está errada”, afirmou.
“Ela pode ter um sonho e uma ambição, tem pessoas que podem ajudá-la a chegar ao sonho e a concretizar a ambição que ela deseja. Não pode obrigar as pessoas a estarem disponíveis para ela 24 horas, seja de noite, no pós-laboral, seja aos fins de semana ou nas férias, se ela assim o entender”, reforçou.
Situações urgentes não justificam regra geral
Cláudia Jacques reconheceu que podem existir momentos excecionais em que um funcionário decide ajudar a empresa durante as férias ou fora do horário habitual.
“Ela diz que, quando uma pessoa está de férias e lhe manda uma mensagem a dar-lhe uma ideia, fica muito satisfeita e promove esta pessoa. Ok, eu entendo. Há pessoas que estão no início das carreiras, estão cheias de energia, cheias de vontade de fazer coisas, são criativas e podem fazer isto. Ok. É uma mais-valia para uma empresa, ninguém duvida”, considerou.
O problema, na sua perspetiva, surge quando a disponibilidade deixa de ser voluntária e passa a ser esperada como regra. A comentadora admitiu que determinados problemas precisam de ser resolvidos no momento, mas rejeitou que essa urgência possa ser aplicada a todas as situações.
Cláudia Jacques classificou o discurso como um “absurdo sério” e considerou que as declarações acabam por prejudicar a credibilidade de Vanessa Martins enquanto empresária.
