Big Brother Verão: Afonso é expulso após revelar a sua «Curva da Vida», durante a gala realizada neste domingo.
O concorrente recebeu 42% dos votos e perdeu o duelo com Ana Luísa, que foi salva pelo público. Na mesma gala, recordou a paragem cardíaca à nascença, o sonho de ser futebolista e as experiências difíceis que viveu no estrangeiro.
Afonso foi o segundo concorrente expulso do «Big Brother Verão» durante a gala transmitida pela TVI este domingo, 30 de agosto. Depois da saída de Tatiana, as portas da casa voltaram a abrir-se para colocar um ponto final no percurso de mais um participante.
Na decisão derradeira, Afonso enfrentou Ana Luísa. A concorrente garantiu a permanência no programa com 58% dos votos, enquanto o jovem recebeu 42% e abandonou a casa a poucos dias da final.
A expulsão aconteceu numa noite particularmente emotiva para Afonso, que também protagonizou a «Curva da Vida» e revelou um percurso marcado por problemas de saúde, sonhos adiados e sucessivas tentativas para encontrar o seu lugar.
Afonso perde duelo com Ana Luísa
Depois de Tatiana ter sido a primeira expulsa da noite, Afonso e Ana Luísa ficaram entregues à decisão do público. Como a votação servia para salvar, a percentagem mais elevada garantiu a continuidade de Ana Luísa.
Com 42% dos votos, Afonso tornou-se o segundo concorrente a deixar o «Big Brother Verão» nesta gala de dupla expulsão. Terminou, assim, uma participação durante a qual procurou mostrar uma faceta diferente do jovem tímido que, durante vários anos, sentiu que não conseguia concretizar os seus objetivos.
Uma paragem cardíaca logo após o nascimento
Afonso nasceu a 18 de dezembro de 2001 e enfrentou o primeiro momento crítico da sua vida ainda na maternidade. Sofreu uma paragem cardíaca e ficou entre a vida e a morte.
Perante a gravidade da situação, os avós chamaram um padre ao hospital. Temiam que o neto não sobrevivesse e queriam garantir que, caso o pior acontecesse, seria batizado. O quadro clínico acabou por melhorar e Afonso conseguiu recuperar.
Aos cinco anos, começou a jogar futebol no Sport Clube Vianense. Atuava como ponta de lança e encontrou no clube de Viana do Castelo um lugar onde se sentia em casa. Aos 11 anos, despertou o interesse de Benfica, FC Porto e Sporting, mas não conseguiu permanecer em nenhum dos três clubes.
A desilusão reforçou a vontade de trabalhar e alimentou o sonho de chegar ao futebol profissional.
O futebol afastou-o da escola
Aos 12 anos, quando frequentava o 6.º ano, Afonso tinha o pensamento quase exclusivamente concentrado nos treinos. O desinteresse pela escola acabou por ter consequências e recebeu uma chamada da mãe a informar que tinha chumbado.
Por ser repetente, chegou a ser-lhe proposta uma maior facilidade na realização dos testes. Afonso, contudo, sentiu que estava a ser tratado como alguém sem capacidades.
«Sentia-me um coitadinho e isso magoava-me. Eu sabia que tinha capacidades.»
Foi também durante a adolescência que começou a interessar-se por raparigas, embora a timidez o impedisse de avançar. Chegava a marcar encontros, mas acabava por desmarcá-los com a desculpa de que tinha um almoço ou um jantar de família. Na realidade, admitiu, não tinha qualquer compromisso.
Uma rotina entre o restaurante, o ginásio e os treinos
Aos 19 ou 20 anos, Afonso conseguiu o primeiro emprego na restauração, mas continuou a jogar futebol. Levantava-se cedo para treinar às 8h00, trabalhava entre as 10h00 e as 15h30, aproveitava a pausa para ir ao ginásio e regressava depois ao restaurante.
A exigência física era elevada e o jovem recordou que chegava aos treinos com queimaduras nas pernas. Já não competia apenas com jogadores da formação, mas com atletas mais velhos e experientes, que descreveu como homens de «barba rija».
Aos 21 anos, completou praticamente uma temporada inteira como titular. Apesar da utilização regular, começou a perceber que poderia não chegar ao patamar que tinha imaginado.
«Se calhar não era assim tão bom quanto achava que poderia ser.»
A rotina deixou de lhe trazer felicidade e Afonso percebeu que colocava demasiada pressão sobre si próprio. Decidiu, então, reduzir a intensidade dos treinos e reconsiderar o rumo que queria dar à vida.
Malta mudou a forma de enfrentar o medo
Aos 22 anos, trabalhou entre seis e nove meses para conseguir pagar uma viagem a Malta. Escolheu o destino por ser mais acessível do que os Estados Unidos e partiu através de uma escola de inglês, apesar de não dominar o idioma.
Os primeiros dias foram difíceis. Afonso chorava frequentemente, não conseguia comunicar e dependia do telemóvel para ultrapassar as barreiras linguísticas. Ao quinto dia, decidiu mudar de atitude.
«Telemóvel acabou, vamos sem medo.»
A partir desse momento, a viagem transformou-se naquela que descreveu como a melhor experiência da sua vida. Quando regressou a Portugal e retomou o trabalho na fábrica, começou a questionar os colegas mais velhos sobre o que fariam se tivessem a sua idade. A resposta repetia-se: sairiam dali.
Afonso concluiu um curso de soldadura durante cerca de seis meses. Porém, quando chegou o momento de abandonar a fábrica, não conseguiu reunir a coragem necessária.
As experiências em Itália e na Polónia
Aos 23 anos, recebeu uma proposta para seguir sozinho para Itália. Embora tivesse dúvidas, decidiu aceitar o desafio por considerar que a tentativa teria valor, mesmo que o resultado não fosse o esperado.
«Mesmo que corresse tudo mal, a experiência ficaria. Daqui a uns anos, não me ia arrepender de ter tentado.»
A passagem por Itália foi positiva, mas o clube percebeu que já não conseguiria subir de divisão e começou a dispensar jogadores. Antes de ser abrangido pelos cortes, Afonso optou por sair e recebeu uma nova proposta para jogar na Polónia.
O projeto sofreu um revés logo no segundo treino. Afonso teve uma crise de pedras nos rins e enfrentou dores intensas num país que praticamente desconhecia.
«Foi um dos piores dias da minha vida.»
Sozinho e assustado, decidiu regressar a Portugal para ser operado. Durante a viagem de avião, sentiu-se derrotado e começou a questionar o próprio valor. Via o percurso como uma sucessão de tentativas falhadas e temia estar a tornar-se um peso para a família.
«Eu nunca vou dizer que não tentei»
Foi depois da experiência na Polónia que Afonso começou a questionar se ainda fazia sentido continuar agarrado ao futebol. O desporto, que inicialmente representava um sonho, tinha-se transformado numa fonte permanente de pressão e frustração.
A possibilidade de entrar no «Big Brother» surgiu como um novo desafio e uma oportunidade para mostrar quem era para além das dificuldades vividas.
«Eu um dia vou entrar e vou demonstrar quem eu sou.»
Na «Curva da Vida», escolheu a palavra «esperança» para definir o percurso. Apesar de ter sido expulso com 42% dos votos, Afonso deixou a casa com a convicção de que não desistiu de procurar novas oportunidades.
«Posso não conquistar nada na vida, mas eu nunca vou dizer que não tentei.»
