Cristiano Ronaldo falha treino após explicações de Jorge Jesus sobre gestão do capitão, na tarde de hoje.
Cristiano Ronaldo não participou no treino da seleção desta quarta-feira, em Copenhaga, depois de Jorge Jesus ter anunciado que contava com a sua presença. Segundo A BOLA, o capitão deixou o estádio Parken numa carrinha da Federação Portuguesa de Futebol, acompanhado por dois elementos da estrutura.
A ausência acrescentou um novo episódio à discussão sobre a gestão do avançado no jogo com a Noruega. Na conferência de imprensa de antevisão ao encontro com a Dinamarca, Jesus tinha negado uma recusa de Ronaldo em treinar nos dias anteriores e explicado o plano acordado para a sua utilização.
Saída do estádio e viagem do avião privado
A BOLA noticiou que Ronaldo abandonou o recinto quando os restantes jogadores, com exceção de Francisco Conceição, já estavam no relvado. A CMTV também avançou a informação sobre a saída do capitão.
O jornal acrescentou que o avião privado do jogador tinha uma viagem programada de Madrid para Copenhaga, com saída prevista às 18h30 de Lisboa e regresso a Espanha às 23h15, hora dinamarquesa.
A programação da aeronave, por si só, não confirma que Ronaldo vá abandonar o estágio. As informações divulgadas não incluíam uma explicação oficial para a ausência do treino desta quarta-feira.
Sobre a sessão anterior, a FPF tinha indicado que o avançado regressara ao hotel para realizar trabalho específico, por o ginásio do estádio não dispor do equipamento necessário.
Jesus explica plano acordado com Ronaldo
Na conferência de imprensa, Jorge Jesus afirmou que a gestão do capitão tinha sido discutida antecipadamente, à semelhança do que aconteceu com Bruno Fernandes.
“É verdade que eu combinei com ele e não combinei só com ele. Criámos um plano com o Bruno Fernandes. E disse ao Cris que o jogo na Noruega e este jogo na Dinamarca ele não iria jogar”, explicou.
O treinador invocou o conhecimento que adquiriu durante a temporada em que trabalharam juntos: “Porque eu trabalhei um ano com o Cris. Não o conheci há três meses na seleção. Trabalhei um ano com ele, conheço as condições físicas dele, completamente. E sei, porque já o fazia na Arábia, que de três em três dias raramente o Cris jogava.”
Jesus acrescentou que a recuperação do avançado já seguia uma rotina específica: “Além disso, o Cris nunca treina nos primeiros dois dias após o jogo. Eu combinei isso com ele. Quando tivemos a primeira conferência ele falou sobre isto, disse que é o que o míster quiser. Nunca se negou a nada e foi o que aconteceu.”
Aquecimento prolongado esteve na origem do desagrado
Ao Canal 11, o selecionador reconheceu que Ronaldo aqueceu durante mais tempo do que deveria antes de acabar por não entrar frente à Noruega.
“O plano foi traçado comigo e com ele. Combinámos que ele não jogaria os dois jogos após o País de Gales, mas depois pensei que ele podia ajudar a equipa e ele disponibilizou-se para isso. Pu-lo a aquecer mais tempo do que devia… e foi aqui que ele ficou zangado comigo, mas a intenção foi sempre defender a equipa e defendê-lo a ele. Para mim, a questão está ultrapassada”, afirmou.
Na conferência, assumiu o mesmo erro de gestão do aquecimento: “Mandei-o aquecer aos 45 minutos, ainda não sabia… Aqui é que eu fiz mal. Devia tê-lo mandado aquecer 15 ou 20 minutos mais tarde.”
À Sport TV, relacionou o desagrado do jogador com a decisão final: “Ronaldo ontem não treinou porque teve uma limitação de momento. Face a tudo o que aconteceu naqueles 30 minutos em que ele aqueceu e não entrou, ele não ficou contente com a minha decisão, mas eu tomei-a como treinador, a pensar na equipa.”
“Na equipa mando eu”
Jesus distinguiu o reconhecimento pela carreira de Ronaldo das regras aplicáveis ao grupo.
“O estatuto não dá direitos que os jogadores sejam diferenciados. O estatuto é o respeito pela carreira deles. Como faço com o Cris. Eu coloco sempre primeiro a questão, o plano, que é traçado com o jogador e quem decide sou eu. Eles sabem. Até os presidentes sabem. No clube manda o presidente, na equipa mando eu, em tudo o que eu estiver, mando eu.”
Perante a insistência sobre uma promessa de utilização, reforçou a autonomia de decisão.
“Posso prometer o que eu quiser. Sou treinador. Sou o treinador, disse ao jogador não era para jogar. Vou levar-te para o banco. Se precisar de ti 30 minutos vais jogar, se não, não vais jogar. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele nem ninguém no futebol. Nem nenhum presidente. Nunca, zero.”
O selecionador considerou compreensível a frustração de um jogador que aquece sem entrar: “Qualquer jogador, quando andamos ali a aquecer 20 ou 30 minutos, e depois não entra. Não há nenhum que fique contente. Quanto mais o Cris.”
Treinador negou recusa em trabalhar
Antes da nova ausência, Jesus tinha rejeitado que Ronaldo se tivesse recusado a treinar.
“Ele não se recusou a treinar. O Francisco Conceição não treinou por estar lesionado, o Félix foi para descarregar a fadiga deste dois jogos. O Cris fez ginásio, mobilização no campo e depois foi fazer reforço para o hotel. Não se recusou e hoje vai treinar”, afirmou.
Acrescentou: “E não se recusou treinar, isso era impossível. Vocês acham que algum jogador do nível de Seleção se recusa a treinar? Não é de Portugal, só. Só se se quiser ir embora. Se estiver com outras ideias…”
A garantia sobre a presença do capitão na sessão desta quarta-feira acabou por não se confirmar, de acordo com os relatos posteriores da saída do estádio.
Pedro Proença reuniu-se com selecionador e capitão
Jorge Jesus confirmou que Pedro Proença falou com ambos, enquadrando a intervenção nas funções do presidente da FPF.
“O presidente falou comigo hoje de manhã e com o Cris, é o papel de um presidente. Quando há ruídos”, declarou.
Segundo o treinador, a conversa entre ele e Ronaldo já tinha acontecido na noite anterior.
“O presidente veio, é óbvio, tem de estar aqui, com a equipa. Falando o que se estava a falar em Portugal, quis saber o que se passou. Mas depois de jantar já tínhamos resolvido o problema que não era problema.”
Jesus relatou ainda a disponibilidade que o capitão lhe teria transmitido: “Ele disse, estou aqui para tu decidires. Queres que eu jogue, eu jogo. Queres que eu vá para bancada, eu vou.”
