Tânia Laranjo critica promotores de jogo online que escolhem Portugal: “Que coincidência tão conveniente”, destacou.
Tânia Laranjo questionou a escolha de Portugal por promotores de jogo online, relacionando essas mudanças com o que descreve como um maior aperto sobre o setor no Brasil. Numa publicação no Facebook, esta sexta-feira, 2 de outubro, a jornalista criticou a possibilidade de o país acolher negócios que enfrentam dificuldades noutros mercados.
“Portugal tem uma vocação extraordinária para acolher aquilo que outros países começam a considerar indesejável. Agora que o Brasil resolveu apertar o cerco ao jogo online, eis que alguns dos seus promotores descobrem subitamente o encanto de viver em Portugal. Que coincidência tão conveniente”, escreveu.
Sem identificar pessoas ou empresas no texto, Tânia Laranjo esclareceu que a crítica se dirige à atividade económica e às razões que, na sua leitura, podem motivar a mudança.
“Não é a imigração que está em causa. É uma coisa bem mais prosaica: a deslocalização de um negócio quando o mercado de origem começa a fechar-lhe as portas”, afirmou.
Crítica ao negócio e ao discurso do empreendedorismo
A jornalista estabeleceu depois uma distinção entre o jogo legal e o ilegal, recorrendo à ironia para questionar quem beneficia desta atividade.
“Por cá, o jogo legal paga impostos ao Estado. O ilegal não paga imposto a ninguém — exceto, naturalmente, a quem o explora. Há uma certa elegância em chamar ‘empreendedorismo’ à velha arte de ganhar dinheiro com a desgraça alheia”, escreveu.
A publicação não apresenta casos concretos nem identifica operadores. O comentário concentra-se naquilo que Tânia Laranjo considera ser uma utilização da abertura de Portugal para transferir negócios e os problemas que lhes associa.
“Fecha-se uma porta no Brasil, abre-se uma janela em Portugal”
Na parte final do texto, Tânia Laranjo voltou à relação entre os dois países e à forma como entende que a hospitalidade portuguesa pode ser aproveitada.
“E assim vamos fazendo da nossa proverbial hospitalidade uma espécie de benefício fiscal internacional: fecha-se uma porta no Brasil, abre-se uma janela em Portugal”, afirmou.
A jornalista encerrou a reflexão com mais uma observação irónica: “Não sei se isto é globalização. Mas é certamente uma maneira bastante criativa de importar problemas sem sequer lhes cobrarmos IVA.”
