Tânia Laranjo revela que não terminou a licenciatura e critica a “doença dos doutores”, em publicação feita hoje.
Tânia Laranjo partilhou uma reflexão sobre o peso dos títulos académicos em Portugal e revelou que deixou a faculdade quando surgiu a oportunidade de trabalhar no Jornal de Notícias. Trinta anos depois, a jornalista questiona a importância atribuída ao tratamento por “doutora”, que continua a ouvir apesar de não ter concluído a licenciatura.
Na publicação divulgada no Facebook esta quinta-feira, 1 de outubro, Tânia Laranjo recuperou a escolha que fez no terceiro ano do curso e contrapôs a valorização dos diplomas à experiência adquirida no exercício da profissão.
A oportunidade de emprego que mudou o percurso
“Chamam-me doutora muitas vezes. Vezes demais. Eu só me rio. É que não sou. Não sou licenciada, não tenho canudo e, pelos vistos, em Portugal isso ainda pesa mais do que 30 anos de profissão”, começou por escrever.
A jornalista explicou que a entrada no mercado de trabalho aconteceu quando ainda frequentava o ensino superior.
“Quando estava no terceiro ano da faculdade, perguntaram-me: ‘Queres emprego ou continuas a estudar?’ Eu queria as duas coisas. Sempre gostei de estudar, adoro ler, e ler também é estudar. Mas também queria pagar as minhas contas”, recordou.
A proposta levou-a para uma redação onde acabou por dar continuidade ao seu percurso profissional: “O emprego era no Jornal de Notícias. Fui trabalhar. E fiquei. Já lá vão 30 anos. Trinta anos a aprender todos os dias, a ouvir pessoas, a fazer perguntas, a errar e a tentar não repetir”.
“Parece que basta pôr o título antes do nome”
A partir da sua experiência, Tânia Laranjo criticou a autoridade que considera ser frequentemente associada ao uso de um título académico.
“Mas cá continuamos com a doença dos doutores. Doutor para cá, doutora para lá. Às vezes parece que basta pôr o título antes do nome e já vem a autoridade toda no pacote”, observou.
Num registo irónico, admitiu que não costuma corrigir quem a trata dessa forma. “A mim chamam-me doutora e eu não corrijo. Não vou ser eu a estragar uma tradição nacional”, escreveu.
Sobre a possibilidade de retomar os estudos, deixou uma última provocação: “E quanto ao curso, ainda vou a tempo. Posso sempre licenciar-me ao domingo. Durante a semana tenho de ser jornalista”.
