Príncipe Harry recorda luto por Diana: “Ninguém me disse que a alegria ainda era permitida”, afirmou.
Durante anos, o príncipe Harry acreditou que precisava de continuar triste para demonstrar as saudades da mãe. Numa conversa com a neurocientista Mary-Frances O’Connor, disponibilizada na MasterClass na quinta-feira, 8 de outubro, o duque de Sussex descreveu o bloqueio emocional que se seguiu à morte da princesa Diana.
Harry tinha 12 anos quando perdeu a mãe, no acidente de viação ocorrido em Paris, em 1997. Hoje, aos 42, reconhece que confundiu a incapacidade de expressar o sofrimento com uma demonstração de força.
“Estava convencido de que aquilo era força, mas não era. Era um rapaz de 12 anos sem autorização para se desmoronar e sem um mapa sobre como sarar”, afirmou no episódio “Redefining Grief: Building Resilience Through Loss”.
“Sou um príncipe, caramba, mas ainda estava em luto”
Na conversa gravada na Califórnia, Harry explicou que o estatuto público não o protegeu do isolamento nem lhe deu as ferramentas necessárias para lidar com a perda.
“Pensar-se-ia que eu tinha a melhor ajuda do mundo. Sou um príncipe, caramba, mas ainda estava em luto e não tinha onde colocar esses sentimentos”, recordou.
O duque descreveu uma resposta repetida ao longo de muitos anos, mesmo quando não correspondia ao que sentia.
“Durante 15, 20 anos, quando me perguntavam: ‘Estás bem?’, a minha resposta era: ‘Estou bem.’ Era dormência, bloqueio emocional. E, sem eu saber, a adrenalina estava a empurrar-me, a guiar-me.”
Segundo o seu testemunho, o acompanhamento psicológico ajudou-o posteriormente a enfrentar emoções que tinha mantido afastadas.
Exército funcionou como uma distração
Harry relacionou também a entrada na vida militar, aos 20 anos, com a necessidade de se concentrar em tarefas que não lhe deixassem espaço para pensar no sofrimento.
“Foi essa a força motriz que me levou a entrar para o exército aos 20 anos. Era a distração perfeita. Não conseguia pensar em muito mais para além da tarefa imediata. Não me conseguia lembrar do riso da minha mãe. Não me conseguia lembrar da cara dela. Sentia que tinha de estar triste para lhe provar que tinha saudades dela”, contou.
A carreira militar levou-o ao posto de capitão e a missões no Afeganistão. Na entrevista, abordou ainda o impacto do regresso da guerra e as dificuldades que sentiu perante compromissos públicos.
O duque revelou também ter atravessado duas semanas de depressão quando se mudou para o Canadá com Meghan Markle e o filho Archie, em 2019.
Encontrar alegria sem sentir que traía a mãe
Uma das mudanças que Harry identificou no seu processo de luto foi perceber que podia voltar a ser feliz sem diminuir o amor pela mãe.
“Passei tanto tempo emocionalmente entorpecido, em grande parte, porque ninguém me disse que a alegria ainda era permitida. Que não era uma traição”, declarou.
A memória de Diana continua, contudo, presente nas suas escolhas: “Tudo o que faço, tudo aquilo em que invisto a minha energia, espero que a minha mãe se sinta orgulhosa.”
Na organização da vida atual, Harry afirmou que procura não passar mais de dez dias afastado da família e dos filhos, Archie e Lilibet.
