Sérgio Conceição emociona-se ao recordar Jorge Costa: “Não podia ter acontecido entre dois irmãos”

Sérgio Conceição recordou a amizade com Jorge Costa e lamentou um desentendimento que marcou os últimos tempos da relação entre ambos. No documentário “O Capitão”, disponível nas plataformas do FC Porto, o antigo treinador dos dragões emocionou-se ao rever imagens de um encontro com aquele que descreveu como um irmão.

O testemunho integra o segundo episódio, intitulado “Braçadeira e Número 2”, que recupera o percurso de Jorge Costa como capitão e o seu regresso ao clube depois de meia época emprestado ao Charlton. José Mourinho, Antero Henrique e André Villas-Boas também partilham memórias do antigo defesa.

“Uma pequena chatice” numa amizade de décadas

Ao olhar para as imagens antigas, Sérgio Conceição falou da proximidade entre as duas famílias e de um episódio que deixou marcas na amizade.

“É difícil, é difícil… porque no último ano e meio, dois anos, apesar de falar com ele, houve aí uma pequena chatice, uma coisa insignificante, pensava eu, e que não podia ter acontecido entre dois irmãos, porque nós éramos dois irmãos. O Bicho era uma pessoa afável, muito genuíno, muito amigo do seu amigo, nós tínhamos muitas coisas parecidas. Era um irmão. Passávamos férias juntos com os miúdos”, recordou.

O antigo técnico não explicou a origem do desentendimento, centrando o depoimento na ligação pessoal que manteve com Jorge Costa.

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Também a passagem da braçadeira de João Pinto para Jorge Costa, em 1997, mereceu uma reflexão de Conceição, que identificou características comuns aos dois capitães.

“As principais características eram muito semelhantes, que eram uma competitividade muito grande e uma vontade enorme de colocar o símbolo do FC Porto à frente de tudo e de todos. Naquele momento, essas grandes personalidades, como o João Pinto e Jorge Costa e outros capitães que o FC Porto teve, demonstravam o que era o FC Porto, a tal mística”, afirmou.

Mourinho fez do regresso de Jorge Costa uma prioridade

Antero Henrique, antigo dirigente do FC Porto, atribuiu a José Mourinho um papel decisivo no regresso do central após a passagem pelo futebol inglês.

“O grande responsável pelo regresso do Jorge Costa ao FC Porto foi o José Mourinho. Desde o primeiro minuto que, não exigiu mas, foi quase a primeira condição de todas. ‘Preciso do Jorge, precisamos do Jorge, o FC Porto precisa do Jorge’, disse ele. Quando penso na definição de capitão ou quando escrevo a definição de capitão, 80 por cento é Jorge, porque o Jorge ensinou-me o que é ser capitão”, contou.

Mourinho explicou que a experiência e a personalidade do defesa eram importantes para uma equipa com vários jogadores ainda pouco habituados às grandes competições e aos jogos de maior pressão.

“Ali era a sua casa e nós sabíamos perfeitamente que era importante numa equipa tão jovem, numa equipa em que a maioria dos jogadores nunca tinha jogado sequer na Taça UEFA, que era a competição onde iríamos jogar, jogadores que nunca tinham jogado um clássico, nunca tinham jogado um dérbi, que não tinham ganho um título, era importante ter no meio de Paulo Ferreira, Nuno Valente e companhia dois ou três jogadores com um determinado peso, uma determinada cultura do clube e uma determinada personalidade. Achámos que o Jorge poderia ser muito importante”, afirmou o treinador.

Villas-Boas recorda as brincadeiras com os “fraquinhos”

André Villas-Boas recuperou uma memória dos primeiros contactos com Jorge Costa, quando integrava a equipa técnica de José Mourinho. O atual presidente portista recordou, com humor, a forma como o capitão se dirigia a si e a Rui Faria.

“Quando o conheci havia dois fraquinhos na equipa liderada por José Mourinho, um era o Rui Faria, o outro era eu… (risos) Um era o fraquinho da preparação-física e o outro era o fraquinho da observação de adversários, bem intitulados pelo Jorge Costa, que nos fazia a vida negra, tanto a um como a outro. São as minhas primeiras memórias, tão jovem, a passar pelo monstro que era Jorge Costa, pelo capitão do FC Porto”, contou.

O episódio junta, assim, as memórias da liderança dentro do balneário às relações pessoais construídas ao longo da carreira.

João Vieira Pinto e Vítor Baía lembram o jogador

Nos primeiros dois episódios de “O Capitão”, antigos colegas e adversários recuperam diferentes momentos do percurso de Jorge Costa.

João Vieira Pinto, que partilhou com o defesa o balneário da Seleção Nacional, destacou tanto a convivência como as dificuldades de o enfrentar em campo.

“Fomos mais vezes colegas de equipa do que adversários, era sempre um defesa muito difícil de ultrapassar”, afirmou.

Vítor Baía, por sua vez, recordou a primeira impressão que teve ao ver o jovem central trabalhar com a equipa principal do FC Porto.

“Quando o vi jogar, vi logo que tínhamos ali mais um talento para poder aproveitar.”

Do título mundial de 1991 às memórias de Luís Montenegro

Pedro Proença destacou a conquista do Mundial de sub-20 de 1991 e a forma como Jorge Costa se entregava ao clube e à Seleção.

“O nosso capitão Jorge Costa marca aquilo que é um paradigma na Federação Portuguesa de Futebol, quando se consagra Campeão do Mundo em 1991. É a mudança no paradigma da formação em Portugal e o Jorge, além da sua personalidade e caráter, na forma dedicada como se comprometia ao jogo e ao seu FC Porto e à Seleção Nacional, era uma pessoa diferenciada”, afirmou.

Também Luís Montenegro partilhou as suas recordações, explicando que acompanhou o percurso do antigo defesa e que ambos tinham Fernando Couto como amigo em comum.

“Acompanhei todo o percurso desportivo do Jorge Costa, ele era dois anos mais velho do que eu. Tínhamos um amigo em comum, que era o meu vizinho e amigo de infância, Fernando Couto, e cruzámo-nos algumas vezes. Lembro-me muito bem dele no FC Porto, até em várias circunstâncias fora do jogo. Guardo, sobretudo, uma simpatia enorme, um afeto no contacto com as pessoas e uma garra quase indescritível de contagiar tudo e todos, em particular os colegas, no jogo”, revelou.

Os primeiros dois episódios do documentário dedicado a Jorge Costa estão disponíveis nas plataformas do FC Porto.

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