Carolina Deslandes escreve canção sobre a crise da habitação: “Esta falta de casa que é Portugal”

Carolina Deslandes transformou a preocupação com a crise da habitação numa canção e partilhou-a no Instagram neste domingo, 18 de outubro. A cantora explicou que a ideia nasceu de uma memória da infância, ligada a “A Casa”, de Vinicius, e do impacto que as manifestações do dia anterior tiveram em si.

Na publicação, a artista manifestou orgulho nas pessoas que saíram à rua e apresentou a composição como uma resposta pessoal ao momento que o país atravessa.

“Fica aqui a canção que escrevi a caminho de casa, inspirada nesta casa do Vinicius e nesta falta de casa que é Portugal”, anunciou.

Uma canção da infância voltou com outro significado

Carolina Deslandes contou que, nos últimos dias, tem regressado a uma música que a mãe lhe cantava quando era pequena. A discussão sobre o acesso à habitação deu-lhe, agora, uma carga emocional diferente.

“Ando há dias a cantarolar ‘A casa’ do Vinicius. A minha mãe cantava-me esta canção quando eu era pequenina e como ‘casa’ e a falta dela têm sido o assunto, esta canção ocupava-me a cabeça e dava-me sempre muita vontade de chorar”, escreveu.

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A cantora convocou também uma frase de Madalena Sá Fernandes para desenvolver a reflexão sobre o significado de ter uma casa.

“A Madalena Sá Fernandes diz ‘Casa é o primeiro desenho que se faz’ e é. É também o lugar de partida e de regresso. O lugar do sono, dos sonhos, da paz”, acrescentou.

“Ninguém baixou o tom, ninguém baixou os braços”

A artista associou a nova composição à mobilização de sábado, 17 de outubro, e elogiou a determinação dos manifestantes.

“Chegar a este lugar é assustador e ver as pessoas na manifestação ontem fez-me ter orgulho do nosso povo. Ninguém baixou o tom, ninguém baixou os braços”, afirmou.

A mensagem acompanhou um vídeo em que Carolina surge sentada no chão, com o telemóvel na mão e um músico com uma guitarra ao seu lado.

Mais do que anunciar uma composição, a cantora explicou o percurso que a levou a escrevê-la: uma lembrança familiar que voltou à sua cabeça, a inquietação perante a falta de habitação e a vontade de dar expressão a esse sentimento através da música.

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