Filipe Vargas criticou a forma como as manifestações pela habitação foram retratadas por comentadores televisivos, acusando-os de divulgar “falsidades”. Depois de ter estado no Rossio, em Lisboa, o ator recorreu ao Instagram para descrever o que testemunhou e apelar aos seguidores para que acompanhem os protestos no local.
A publicação, partilhada na noite de terça-feira, 20 de outubro, foi acompanhada por uma imagem com a frase “ISTO NÃO ACABOU”. No texto, Filipe Vargas contou que ficou indignado com os comentários que ouviu na televisão quando regressou a casa.
“Cheguei a casa, acendi a televisão e não queria acreditar nas falsidades proferidas pelos habituais comentadores políticos. Estátuas vandalizadas? Grupos radicais? Agitadores profissionais? E que tudo isto é só uma cópia do que se passa na Europa? NÃO É NADA DISTO!”
Sem identificar os comentadores ou os canais a que se referia, o ator contrapôs a essas descrições a sua leitura da mobilização: “É um Povo a exigir um dos seus mais básicos direitos, o direito à habitação, contemplado na Constituição.”
“Era Portugal representado ali, aos milhares”
Filipe Vargas destacou a diversidade de pessoas que encontrou na praça e as mensagens que estas levaram para a rua. No seu relato, descreveu uma concentração que reuniu diferentes gerações e situações profissionais em torno da mesma reivindicação.
“A multidão que estava agora no Rossio, tinha velhos e jovens e tudo pelo meio, homens e mulheres, estudantes, trabalhadores e reformados, era Portugal representado ali, aos milhares, com cartazes cheios de mensagens de desespero, unidos na mesma luta, e a cantar. A cantar!”
O ator defendeu também a presença dos manifestantes na praça: “A ocupar o espaço público, que é de todos, a reclamar por um direito que nos pertence.”
Ator invoca a Constituição e deixa um apelo
Na abertura da publicação, Filipe Vargas tinha colocado uma pergunta: “Querem que se cumpra a Lei? Comecemos por aqui”. De seguida, reproduziu o primeiro ponto do artigo 65.º da Constituição da República Portuguesa, relativo à habitação.
“Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar.”
O texto terminou com um apelo à participação e uma nova crítica ao discurso televisivo sobre os protestos.
“Não sejam meros espectadores de uma luta nacional e não fiquem a olhar para um ecrã onde pessoas que não nos representam debitam falsidades. Saiam à rua e vejam pelos vossos próprios olhos. ISTO NÃO ACABA AQUI.”
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