A história de “Luz Acesa” não aconteceu a Maninho, mas o cantor encontrou na interpretação uma forma de a tornar sua. Em entrevista ao Infocul.pt, fala do novo single, da responsabilidade de preparar o Coliseu dos Recreios e de um percurso que o obrigou a fazer escolhas.
O concerto está marcado para 10 de dezembro de 2027, em Lisboa, e terá formato de 360 graus. À apresentação das canções da sua carreira seguirá a estreia da Roda de Samba do Maninho, numa noite que o artista já começa a imaginar.
“Acho que é uma sala que impõe respeito a qualquer artista, não é? É sempre especial para um artista fazer uma sala dessa dimensão. Portanto, confesso que estou nervoso e ansioso. Porque nunca fiz uma produção própria antes”, admite.
Antes desse encontro, chega uma balada sobre o amor que permanece depois de uma separação. Uma canção nascida em grupo, a partir de uma experiência real de um dos compositores.
“Luz Acesa” nasceu de uma separação vivida por um dos autores
O novo single começou a ganhar forma num encontro de composição realizado na Warner, em dezembro do ano passado. Dessa sessão saíram 13 canções, conta Maninho, que não estava na sala quando começaram a trabalhar em “Luz Acesa”.
“Eu entrei depois. Foi escrito por muita gente”, recorda.
A letra e a música são assinadas por Maninho, Gui Alface, Ary Rafeiro, Gonçalo Malafaya, Afonso Dubraz, Marcus Costa, Daus e Fumaxa. Questionado sobre como encontra a sua identidade numa criação coletiva, o cantor aponta para a forma de cantar.
“Eu acho que é mais a nível de interpretação. Por acaso, a história não é minha, mas passou-se com um desses compositores. Ele tinha acabado com a namorada na altura.”
É dessa separação que nasce a ideia de um sentimento que não desaparece com o fim da relação.
“É aquelas histórias de amor que ainda há uma luz sempre acesa. Nunca nos vamos esquecer. E foi amor de verdade. Portanto, fica para sempre na memória. Apesar de ter acabado, fica lá sempre aquela paixão que existiu.”
Depois de “Frágil” e de “Não Tá Fácil”, com Virgul, Maninho apresenta uma canção que considera diferente do que já mostrou.
“Eu acho que é uma vibe pop que eu ainda não tinha apresentado. Porque é uma canção fora da caixa, fora de tudo o que eu já fiz. Mas é mais pop mesmo. E acho que traz uma coisa diferente. É uma balada de amor novamente. Mas acho que é uma história muito bonita.”
A produção reúne Maninho, Daus e Fumaxa, com guitarra do próprio cantor e teclados de Marcus Costa. André Tavares assina a mistura e a masterização.
Além disso, o videoclipe, realizado por Gonçalo Carvoeiras, decorre num teatro antigo. Um casal de bailarinos representa a aproximação, o confronto e a separação, enquanto Maninho canta sozinho. No final, permanece uma única luz acesa.
“Eu amo cantar o amor à minha maneira”
O amor continua a ocupar um lugar central nas canções de Maninho. Na conversa com o Infocul.pt, o artista relaciona essa escolha com a sua própria vida familiar.
“Eu acho que a vida é feita pelo amor, não é? Porque eu tenho três filhas e estou com a minha namorada, quase mulher, a Inês, há quase 17 anos. Eu sou uma pessoa muito de amor.”
É também esse sentimento que procura levar para o palco, mesmo quando canta histórias que não terminam como se desejava.
“Eu amo cantar o amor à minha maneira e acima de tudo com boa vibe. Eu acho que é principalmente isso que eu pretendo transmitir através das minhas canções. Apesar desta balada ser assim um bocadinho mais calma, mais intimista.”
Entre as respostas do público ao seu trabalho, destaca o impacto de “Até ao Fim”, lançado um ano depois do primeiro EP.
“Eu não estava à espera do boom todo que a ‘Até ao Fim’ teve”, reconhece, recordando a presença da canção nos lugares cimeiros do Shazam e do YouTube.
O Dia dos Namorados deu-lhe uma nova dimensão. “Aquilo explodiu de uma maneira que eu não estava à espera.”
Para Maninho, o significado desse sucesso está sobretudo na forma como as pessoas adotam as canções e as associam às suas vidas.
“Isto do cantar é uma coisa que eu não sonhei, mas a vida trouxe-me. Portanto, eu acho que isso é o mais bonito. E o público fazer da minha música a música deles acho que é o mais especial para mim.”
Coliseu dos Recreios terá concerto a 360 graus e roda de samba
A 10 de dezembro de 2027, o cantor terá um novo desafio no Coliseu dos Recreios. Na entrevista, confirma que o espetáculo será apresentado a 360 graus e que haverá uma segunda parte dedicada às suas raízes brasileiras.
“Ainda vou fazer um extra de roda de samba no fim. Vai ser uma parte mais especial para o público, para quem estiver lá desfrutar um bocadinho de uma roda de samba com a melhor energia possível.”
Assim, a primeira parte percorrerá os êxitos da carreira, de “Pode Tentar” às canções mais recentes, incluindo “Luz Acesa”.
Depois, a Roda de Samba do Maninho juntará três músicos que o acompanham habitualmente a outros três com experiência neste formato. Estão também previstos vocalistas convidados e novas versões, em samba, de alguns dos seus temas.
Apesar da distância até à data, o espetáculo já ocupa os pensamentos do artista.
“Estou muito ansioso com isso. Porque eu, para já, ainda estou numa fase de trabalho que não me permite olhar para isso com olhos de ver. Mas já estou aqui a magicar tudo na minha cabeça e sei que vai correr tudo bem. Se Deus quiser.”
“É um sonho concretizado para os dois”
A ideia de avançar para o Coliseu partiu sobretudo do seu manager, André Ferreira, e da Warner. Para o cantor, há uma dimensão pessoal que torna esta escolha ainda mais importante.
“Ele sempre quis que eu fizesse esta sala e ainda por cima ele cantou no Coliseu quando tinha por aí nove anos e cantou ‘Migalha de Gente’. E ele diz que o sonho dele é voltar ao Coliseu um dia com um artista e que mais especial ainda seria para ele se fosse eu. Portanto, acho que é um sonho concretizado para os dois.”
Maninho não esconde a gratidão por quem o acompanha desde o início: “Eu sou muito grato por ele estar comigo desde o dia menos um.”
A responsabilidade está, agora, em preparar um espetáculo à altura dessa confiança.
“Eu não sabia quando é que ia fazer esta sala porque é de uma responsabilidade mesmo enorme e eu tenho que deixar lá tudo. Eu tenho que dar o meu melhor, tenho que fazer um concerto todo novo e agarrar o público da melhor maneira.”
A renovação não ficará limitada à sala lisboeta. Para 2027, promete “concerto novo, tanto para a tour como para o Coliseu”.

Saída da equipa de Mariza foi decidida com “um abraço e com gratidão”
Antes de conquistar espaço como intérprete, Maninho afirmou-se como guitarrista e acompanhou artistas como Mariza. Esse percurso está também documentado na sua biografia profissional.
Na entrevista ao Infocul.pt, revela que deixou de integrar a equipa da fadista em março deste ano. A decisão surgiu quando a agenda deixou de permitir conciliar os dois trabalhos.
“Eu já saí da Mariza em março deste ano porque não estava a conseguir conciliar já. Então tive uma conversa com ela, despedimo-nos com um abraço e com gratidão acima de tudo.”
O crescimento da carreira a solo tornou essa escolha necessária. “Chegámos a uma altura que já era incapaz de conseguir fazer as duas coisas.”
Maninho faz um balanço positivo de 2026, mas distingue esse sentimento do número de atuações. Quando questionado sobre o melhor ano da carreira, aponta para 2025 no que diz respeito aos concertos.
“Diria que foi o ano passado a nível de concertos, porque este ano baixou muito, acho que para toda a gente. Não foi só para mim, acho que foi geral. Mas o ano passado foi muito bom, tive quase 70 concertos.”
O comunicado de apresentação de “Luz Acesa” refere mais de 40 palcos em 2026, incluindo a passagem pelo Rock in Rio Lisboa.
Novos artistas e composição para o mercado espanhol
Apesar de reconhecer a redução no número de concertos, Maninho recebe com entusiasmo o aparecimento de novos artistas.
“Eu acho que há lugar para todos e acho que é ótimo esta nova geração estar a trazer música boa e novidade, que isso é importante também.”
Na sua perspetiva, essa renovação faz falta à música portuguesa.
“Eu acho que tivemos uma fase da música portuguesa que estancou um bocadinho, eram sempre os mesmos.”
A atividade de compositor é outra parte importante do seu trabalho. Ao comparar as receitas das atuações com os direitos de autor, responde sem rodeios: “Eu acho que os concertos são a maior receita.”
Ainda assim, reconhece o peso da escrita no rendimento: “Com os direitos de autor também dá para fazer algum dinheiro, claro que sim.” Na conversa, compara esse valor a um complemento de Natal e de férias, que descreve como “um bom subsídio, muito bom subsídio”.
O contrato com a Warner Chappell abriu-lhe também novas possibilidades fora de Portugal.
“Eu assinei um contrato com a Warner Chappell, com a Chappell Portugal e Espanha, neste caso Ibérica”, explica.
O cantor revela que já tem trabalho de composição ligado a artistas espanhóis, incluindo Hey Kid, e que existem outras colaborações que ainda não pode anunciar.
Atuar em Espanha também lhe agrada, embora reconheça a dificuldade de entrar nesse mercado.
“É um mercado gigante e eles consomem muita música própria. Portanto, eu acho que já estar lá na parte da composição já é uma bênção.”

Mais singles antes do Coliseu e um álbum ainda em aberto
Para os próximos meses, o trabalho de estúdio continua a ocupar boa parte da agenda, a par da preparação dos espetáculos.
“Agora estou com muito trabalho de estúdio, de composições, etc. Agora há magicar isto tudo do Coliseu, está-me a dar muito trabalho também. Mas pronto, e agora o lançamento do single, da ‘Luz Acesa’. Com tudo isso, a minha cabeça ainda não conseguiu parar para definir tudo, mas vamos lá chegar.”
Um álbum não está previsto para breve. Antes do concerto de dezembro de 2027, Maninho pretende continuar a apresentar novas canções.
“Eu acho que vou lançar pelo menos até ao Coliseu mais dois a três singles. E depois, se lançar um terceiro, aí se calhar será com álbum, talvez, ou um EP.”
A possibilidade de gravar o espetáculo também está a ser considerada, mas sem confirmação definitiva: “Eu acho que sim. Vamos ver.”
“Luz Acesa” já está disponível nas plataformas digitais. Os bilhetes para o Coliseu dos Recreios, a 10 de dezembro de 2027, encontram-se à venda nos locais habituais.
Fotografias: Warner Music Portugal
