Manifestações pela habitação: PSP confirma 13 detidos e Seguro exige esclarecimentos sobre confrontos

As manifestações pela habitação em Lisboa e no Porto terminaram com intervenções policiais, detenções e relatos de dezenas de feridos. A PSP confirmou 13 detidos, enquanto António José Seguro pediu esclarecimentos sobre os confrontos e a situação das pessoas feridas e detidas.

O Corpo de Intervenção avançou nas duas cidades por volta das 04h30 deste domingo, 1 de novembro. Segundo o balanço apresentado pela PSP, foram detidas seis pessoas em Lisboa e sete no Porto.

As contagens divulgadas pelos organizadores dos protestos diferem parcialmente dos números policiais e foram apresentadas como preliminares.

Organização aponta 38 manifestantes feridos no Porto

No Porto, os promotores contabilizaram 35 feridos ligeiros e três graves, num balanço feito por volta das 05h45. O advogado do movimento, Tiago Machado, indicou que terão sido detidas sete pessoas.

Após a retirada dos manifestantes da Praça D. João I, os participantes seguiram pela Avenida dos Aliados. Segundo o relato da Lusa, houve novas bastonadas durante esse percurso, antes de o grupo se reunir junto à estação da Trindade.

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Duas manifestantes descreveram à agência terem sido retiradas do cordão humano com recurso a agressões.

“Usaram tudo contra alguém que só estava a fazer um cordão. A quantidade de pessoas que se teve de puxar para cima [no local de uma concentração de pessoas] foi muita. Desta vez empurraram mais mas nós recuámos mais rápido”, relataram.

A Lusa testemunhou também uma bastonada num repórter de imagem da CMTV enquanto trabalhava na Praça D. João I.

PSP confirma que agente à paisana retirou arma

Perto da estação da Trindade, um agente à paisana apontou uma arma de fogo na direção de manifestantes, num momento registado em vídeo.

No balanço da operação, o subintendente Sérgio Soares confirmou que o agente retirou a arma quando os manifestantes se aproximaram. Segundo a explicação policial, integrava uma equipa de quatro agentes à paisana, três dos quais sofreram ferimentos considerados graves.

A PSP indicou ainda dez feridos ligeiros entre os elementos do Corpo de Intervenção no Porto, num total de 13 polícias feridos. No balanço divulgado, não foram registados agentes feridos em Lisboa.

Lisboa: movimento indica seis feridos e pelo menos dez detidos

Na capital, o porta-voz da Acampada de Lisboa, João Veloso, apresentou uma contagem diferente da PSP quanto às detenções.

“Não conseguimos precisar quantas pessoas foram detidas. Pelo que sabemos, foram pelo menos 10 detidos”, afirmou depois das 05h00. A organização contabilizou ainda seis feridos, três dos quais transportados para o Hospital de São José.

Os manifestantes começaram por formar um cordão humano no Rossio, desfeito com o avanço policial. A Lusa testemunhou um homem com o rosto ensanguentado a ser levado por agentes.

A dispersão prosseguiu pela Praça da Figueira e em direção ao Martim Moniz. Durante o recuo, manifestantes colocaram baias de segurança e mesas do Mercado da Baixa no percurso das forças policiais.

Antes da intervenção, os deputados Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, e Isabel Mendes Dias, do Livre, estiveram junto do cordão humano. Horas antes, tinham dialogado com as autoridades para pedir que não interviessem num protesto que consideravam pacífico.

Elementos do Mecanismo Nacional de Prevenção da Provedoria de Justiça acompanharam a manifestação e a atuação policial na capital.

Polícia invoca fim das negociações

A PSP afirmou ter intervindo depois de serem “esgotados todos os esforços de negociação”. Sérgio Soares descreveu a resistência dos manifestantes como “muito ativa”, justificando com ela o recurso à força.

Segundo o subintendente, a permanência dos protestos depois das 00h30 colocava em causa outros direitos, nomeadamente o descanso e a livre circulação.

No Porto, as autoridades tinham pedido a desmontagem das tendas, indicando que os participantes poderiam permanecer no local sem essas estruturas. Os manifestantes rejeitaram essa condição.

Ao todo, a PSP anunciou a retirada de 99 tendas: 69 em Lisboa e 30 no Porto. A polícia declarou ainda que “apoiará o direito de reunião e manifestação, dentro dos limites legais”.

Presidente pede informação sobre feridos e detidos

António José Seguro solicitou esclarecimentos sobre os acontecimentos nas duas cidades.

“Presidente da República solicitou informações e esclarecimentos, com todo o detalhe, sobre o que se viveu esta madrugada nas manifestações em Lisboa e Porto e o que está a passar-se com os manifestantes detidos e com todas as pessoas feridas”, lê-se na nota da Presidência.

Os protestos reivindicam a reversão da nova Lei do Arrendamento, o fim dos despejos e das demolições sem alternativa habitacional e o aumento da habitação pública. Entre as exigências estão também limites às rendas e à aquisição de habitação por fundos imobiliários.

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