Tânia Laranjo critica Sindicato dos Jornalistas pela resposta a alegadas ameaças e agressões a repórteres durante os protestos pela habitação. Numa publicação nas redes sociais, a jornalista da CMTV abordou também a atuação policial, a posição do Governo e uma decisão judicial relacionada com a acampada.
A comunicadora começou por justificar a vontade de se pronunciar: “Há várias formas de estar na vida: calada ou não. Escolho a segunda. É menos cómoda e tem a desvantagem de atrair insultos de gente que, pelos vistos, defende muito a liberdade de expressão desde que seja a sua.”
A leitura da jornalista sobre a decisão judicial
Tânia Laranjo apresentou a sua interpretação das consequências da decisão, defendendo que a questão constitucional deve ser apreciada.
“Volto à ‘acampada’, desta vez por causa da decisão judicial. Primeiro, abre a porta ao óbvio: é preciso pedir a fiscalização da constitucionalidade da norma, porque nada nos diz que é inconstitucional por si só. Depois, as consequências práticas. Pode haver uma tenda e a hora de aplicação da lei do ruído passa para a meia-noite. A partir daí, a PSP pode fazer cumprir a lei”, escreveu.
Estas afirmações correspondem à leitura expressa pela jornalista na publicação, não a uma transcrição da decisão judicial.
A comunicadora também criticou declarações políticas sobre os protestos: “Podemos criticar Montenegro e Luís Neves. A frase ‘não permito acampamentos’ foi infeliz. O ministro está politicamente fragilizado.”
Críticas à forma como é avaliada a atuação policial
Sobre a PSP, Tânia considerou que as forças de segurança enfrentam avaliações contraditórias, quer intervenham ou não.
“Já sobre a polícia, parece que entrámos numa espécie de exercício de contorcionismo. Se intervém, é repressora. Se não intervém, é incompetente.”
Na mesma publicação, relatou um alegado episódio de violência ocorrido na ausência de agentes: “Ontem, bastou uma hora sem PSP na praça para uma multidão perseguir um gestor de empresas, agredi-lo e obrigar ao encerramento de um restaurante.”
Acusação de silêncio perante agressões a jornalistas
A jornalista dirigiu depois as críticas ao sindicato, distinguindo a condenação de uma agressão policial da resposta a atos que atribui a manifestantes.
“O Sindicato dos Jornalistas condenou, e bem, a bastonada ao jornalista da CMTV. Mas manteve-se em silêncio perante as ameaças e pelo menos um caso de agressão a jornalistas por parte de manifestantes. Como se, naquele acampamento, fazer reportagem fosse uma atividade sujeita à autorização de quem lá está. Mas não é”, afirmou.
A publicação inclui ainda a consideração de que “multar os carros que buzinam é absurdo” e uma crítica ao que descreve como ter passado a ser “legítimo escorraçar a polícia do espaço público”.
As alegações sobre os incidentes e sobre a atuação do sindicato são apresentadas por Tânia Laranjo. O material disponibilizado não inclui uma resposta da estrutura sindical.
