Helena Sacadura Cabral rejeita plásticas para contrariar os sinais da idade e explica porquê numa reflexão publicada no Facebook. Com humor, a escritora defende a vontade de continuar a reconhecer-se ao espelho, respeitando quem faz escolhas diferentes.
Sob o título “As plásticas (que eu não faço)”, começou por esclarecer que a sua decisão não representa uma oposição às intervenções estéticas.
“Nada tenho contra as cirurgias plásticas. Cada um é livre de fazer o que entender com o seu corpo. Há quem invista em viagens, quem prefira obras em casa e quem opte por remodelar a fachada. São escolhas!”, escreveu.
No seu caso, prefere aceitar a passagem dos anos: “Eu, por enquanto, decidi não entrar nessa corrida contra o tempo. Até porque, convenhamos, o tempo costuma ganhar. E não há bisturi que consiga convencê-lo do contrário!”
“Não são propriamente decoração, são experiência acumulada”
Ao explicar o que pretende preservar, Helena Sacadura Cabral destacou a expressão do rosto e as marcas das experiências que viveu.
“Não tenho vontade de apagar as rugas, esticar o que a gravidade, com a sua persistência habitual, resolveu fazer descer, nem de trocar a minha expressão por aquela cara universal, ligeiramente imóvel, de quem parece estar sempre à espera de uma fotografia.”
É nesse contexto que a escritora atribui às rugas um significado que ultrapassa a aparência: “As minhas rugas têm currículo. Já viram muitas gargalhadas, algumas lágrimas, umas quantas indignações e, certamente, demasiadas surpresas. Não são propriamente decoração, são experiência acumulada!”
A ideia de conservar uma imagem permanentemente jovem também não faz parte das suas ambições. “Também não ambiciono ter 30 anos para sempre. Seria até um desperdício: já passei dessa fase e, felizmente, aprendi algumas coisas pelo caminho”, observou.
“Não quero parecer mais nova. Quero parecer eu”
Embora reconheça que uma intervenção pode contribuir para o bem-estar de outras pessoas, Helena Sacadura Cabral voltou a recorrer à ironia para explicar a sua posição.
“Admiro quem se sente melhor depois de uma intervenção estética. Mas não me seduz a ideia de entrar numa clínica com uma fotografia antiga e sair de lá com uma versão atualizada, embora com algumas funcionalidades expressivas desativadas.”
A sua prioridade é manter a identificação com a própria imagem, mesmo quando o espelho não lhe devolve o retrato mais favorável.
“Prefiro continuar a reconhecer-me ao espelho, mesmo que ele, por vezes, seja pouco diplomático. Não quero parecer mais nova. Quero parecer eu. Com rugas, expressão, sentido de humor e alguma irreverência”, afirmou.
A escritora encerrou a publicação com uma última reflexão sobre o receio de envelhecer: “Afinal, envelhecer é inevitável. Ficar sem personalidade por medo de parecer velha é que me parece uma cirurgia verdadeiramente dispensável!”
