A Hora do Chico! conquista principal prémio português do MOTELX 2026, assinalou a organização em comunicado.
O cinema de terror português encontrou em A Hora do Chico!, de João Severo e Rafael Sá Carneiro, o grande vencedor da 20.ª edição do MOTELX. A curta-metragem recebeu a principal distinção nacional do festival, num palmarés que também consagrou produções da Noruega, Dinamarca, Espanha e Argentina.
A edição comemorativa dos 20 anos prolongou-se por 11 dias, entre o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa, em Lisboa. Foi a mais longa da história do MOTELX, levando às salas diferentes linguagens e geografias do cinema de terror.
A Hora do Chico! vence distinção de cinco mil euros
Escolhida entre dez obras em competição, A Hora do Chico! arrecadou o Prémio MOTELX – Melhor Curta de Terror Portuguesa, que inclui um valor monetário de cinco mil euros.
O júri, constituído por Fernando Vasquez, José Santiago e Sandra Henriques, destacou a “ambição e maturidade” do filme, que descreveu como “uma viagem inquietante através de um passado pouco saudoso que se confunde, da melhor maneira, com uma realidade alternativa”.
Na mesma categoria, Consumido, de [carrozo], recebeu uma menção honrosa pelo “humor e cuidado estético, associado a uma economia narrativa que subverte a figura do predador e da presa”.
Cinema europeu distinguido com os prémios Méliès d’argent
O norueguês Fredrik S. Hana venceu o Prémio Méliès d’argent – Melhor Curta Europeia com Mancave, escolhida entre 19 produções. O júri considerou estar perante “um filme que retrata uma ficção desconfortavelmente próxima da realidade, em que acompanhamos a viagem claustrofóbica de uma personagem em busca de respostas à ausência da sua cara-metade”.
Nas longas-metragens, a distinção europeia foi entregue a No Rest for the Wicked, do cineasta dinamarquês Kasper Kalle. Isilda Sanches, Leone Niel e Teresa Nicolau, responsáveis pela decisão, realçaram a forma como o filme “cruza desejo, religião, repressão, beleza, amor e morte com uma elegância rara”.
Hóspede afirma-se na escrita para cinema
O palmarés passou também pelo trabalho ainda anterior à rodagem. Hóspede, de Miguel Monteiro Rico, conquistou o Prémio MOTELX – Melhor Guião de Terror Português.
Catarina Araújo, Gonçalo Teles e Rita Benis justificaram a escolha com “a forma segura como desenvolve o ritmo e a progressão narrativa e, ainda, pela abordagem singular e perturbadora do body horror”.
A Ostra, de Pedro Garrido, mereceu uma menção honrosa, com o júri a valorizar a “riqueza dos diálogos” e a “força das descrições” presentes no argumento.
Dos jovens jurados à escolha do público
Na secção destinada aos espectadores mais jovens e às famílias, o Prémio Lobo Mau foi atribuído a Lexi, produção espanhola realizada pelo português Bruno Simões. A decisão pertenceu a Melissa Pereira, Simão Barbosa e Dinis Fernandes, três jovens da Associação Passa Sabi, criada por moradores do Bairro do Rego, em Lisboa.
A última palavra coube aos espectadores. Gunman, escrito e realizado pelo cineasta argentino Cris Tapia Marchiori, conquistou o Prémio do Público MOTELX.
Com o encerramento da edição que assinalou duas décadas de festival, ficou também marcado o próximo encontro com o cinema de terror em Lisboa: o MOTELX regressa entre 7 e 13 de setembro de 2027.
