Abertura da 41.ª Ovibeja: o campo é futuro e pertença, numa edição 2025 que começou esta quarta-feira, dia 30 de abril pelas 10h, com uma forte mensagem sobre o papel central da agricultura na soberania nacional, com dirigentes de governo e associações a demarcarem o tema principal desta edição, pois precisamos de “+ Agricultura, + Futuro”.
Texto: André Nunes / Fotografias: João Silva
Apareceram em grande número os apaixonados pelo campo
Para começar, é necessário dizer que a abertura teve logo uma forte adesão com o parque de estacionamento principal já preenchido. Entre curiosos, apaixonados pelo campo e suas atividades, profissionais, estudantes da capacidade empreendedora do mundo rural e ainda entusiastas de Bárbara Bandeira vestido a rigor (para não faltarem às primeiras filas logo às 10h) as primeiras horas fora para todas as gerações, prevendo o futuro do certame.
Nesta inauguração estiveram presentes o Ministro da Agricultura e Pescas, José Manuel Fernandes, o Presidente da Câmara Municipal de Beja, Paulo Arsénio, o Diretor de Operações da Caja Rural del Sur, Eládio Gonçalves, o Presidente da AJAP, Henrique Silvestre Ferreira, e o Presidente da ACOS, Rui Garrido.
[Best_Wordpress_Gallery id=”8062″ gal_title=”Ovibeja-2025-dia1″]Seminário “Jovem Empresário Rural” liga campo à esperança nas novas gerações
Dirigiram-se ao Auditório ACOS, para dar início ao seminário “Jovem Empresário Rural”, e que táo bem escolhido foi para começar esta edição diferente da Ovibeja. Uma edição que não tem medo em utilizar as tecnologias mais modernas, incluindo inteligência artificial e falar sobre estes métodos, sem qualquer preconceito.
Assim, neste Auditório, e falando em tecnologias de ponta, fomos recebidos com um palco incrivelmente bem conseguido, com grandes ecrãs que denotavam este aspeto futurista e de capacidade de criarmos um futuro risonho para novas gerações, que a edição quer proporcionar.
O presidente da Câmara Municipal de Beja destacou o papel estratégico da agricultura no desenvolvimento do território e o envolvimento total da autarquia no certame. O autarca sublinhou o compromisso do município com a valorização do património local, promovendo este ano o castelo de Beja como ex-libris da cidade na Ovibeja.
[Best_Wordpress_Gallery id=”8063″ gal_title=”Ovibeja-2025-dia1-1″]Campo e agricultura são “comida na mesa”
Referindo-se aos jovens agricultores, destacou a sua escassez, mas também a sua elevada qualificação técnica e capacidade para inovar e gerir o setor agrícola com uma abordagem empresarial. Sublinhou ainda a importância do ensino superior, com destaque para a Escola Superior Agrária de Beja, na preparação desta nova geração.
“A nova agricultura é mais técnica, mais capacitada e essencial para alimentar uma população mundial em crescimento”, afirmou, reforçando o papel da Ovibeja como espaço de futuro para o setor.
O Ministro da Agricultura defendeu, na cerimónia de abertura, que “a agricultura é segurança alimentar” e, por isso, deve ser tratada com a mesma prioridade que áreas como a energia ou a defesa. “É comida na mesa”, reforçou.
“Há quem vista a camisola, mas também há quem atrase”
Num discurso marcado por apelos à modernização da administração pública, o ministro destacou a importância de se investir em startups, investigação e novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial. E não ter medo de proferir palavras como “empreendedor” ou “empreendedorismo”. Ao mesmo tempo, deixou críticas aos funcionários públicos que travam processos: “As coisas não podem demorar anos. Há quem vista a camisola, mas também há quem atrase.”
O presidente da ACOS – Associação de Agricultores do Sul – lembrou que o futuro do setor não pode assentar apenas na tecnologia. “Precisamos de pensar nas novas gerações”, afirmou. Destacou a importância dos concursos de apoio ao jovem agricultor, mas advertiu que esses apoios, por si só, não chegam: “É preciso garantir que os jovens que se instalam conseguem manter-se.”
Entre as medidas defendidas, apontou-se a necessidade de investimento em cultura, saúde, acesso à internet e boas acessibilidades. “Somos uma das duas capitais de distrito do país sem autoestrada que nos sirva, tal como Portalegre”, sublinhou, pedindo equidade nas condições de vida entre o interior e o litoral.
[Best_Wordpress_Gallery id=”8064″ gal_title=”Ovibeja-2025-dia1-2″]“Um tem vocação agrícola, outro tem um curso de marketing”
Por sua vez, o presidente da AJAP (Associação dos Jovens Agricultores de Portugal) foi direto: “Senhor ministro, precisamos de mais jovens na agricultura.” Com uma média etária de 64 anos entre os agricultores, alertou que não se pode “tirar o pé do acelerador”. Para fixar população e atrair investimento para o interior, defendeu políticas que promovam a instalação de “empresários na ruralidade”.
“Imaginemos um casal que se quer instalar no interior. Um tem vocação agrícola, outro tem um curso de marketing. É preciso haver apoios para que ambos possam desenvolver a sua atividade e fazer vida aqui”, exemplificou. E rematou com um sinal dos tempos: “Hoje já temos drones a tratar. Precisamos é de mão de obra qualificada que saiba usá-los.”
Após estas considerações, o encontro reuniu diversas personalidades e entidades ligadas ao setor agrícola e ao desenvolvimento rural em mesas redondas, reforçando a centralidade da juventude empreendedora no futuro do mundo rural português.
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A força do presente para cultivar o futuro rural
A presença do seminário “Jovem Empresário Rural” na Ovibeja tem um peso simbólico e prático. Num certame que é, há décadas, uma montra do melhor que o mundo agrícola português tem para oferecer, este encontro deu palco a quem está a começar agora, mas já pensa longe. Os jovens empresários rurais não foram apenas ouvido, foram colocados no centro da conversa sobre o que pode e deve ser o futuro do interior.
Este tipo de eventos tem uma importância real: cria ligações entre gerações, promove o encontro entre quem faz política e quem está no terreno, e abre espaço ao debate sobre novas ideias e desafios concretos. Num ambiente de partilha e proximidade, são lançadas sementes que podem crescer em projetos, colaborações ou mudanças de rumo.
Juventude rural: com os pés na terra e os olhos no futuro
Portugal enfrenta há muito o envelhecimento da população agrícola. Mas é nos rostos mais jovens do setor que encontramos respostas às exigências do presente e às promessas do futuro. Há jovens no campo com formação, com vontade de inovar, e com coragem para enfrentar um mundo em transformação. E isso faz toda a diferença, seja em agricultura ou pecuária.
Apostar nestes jovens é mais do que uma questão económica: é uma escolha estratégica. É pensar o país de forma mais equilibrada, é contrariar o abandono do interior, é garantir que o campo continua vivo, produtivo e sustentável. O jovem empresário rural já não é promessa, é realidade em construção. E a Ovibeja, também com a sua programação variada que serve de chamariz a diversos públicos, coloca estes jovens e estas atividades no núcleo da da nossa sociedade e com um palco mediático e muito visitado para expressarem tudo o que querem passar.
A Ovibeja continuará até dia 4 e vão ser dias com um leque de iniciativas completamente variado, num espaço extenso e com pavilhões e eventos para todas as paixões. E nós continuaremos a acompanhar este certame icónico do Alentejo!

