Alberto Barradas e a reinauguração da Praça de Touros de Santa Eulália: “Sinto uma emoção de profunda alegria”

Alberto Barradas e a reinauguração da Praça de Touros de Santa Eulália: “Sinto uma emoção de profunda alegria”, disse ao Infocul.pt

Reportagem da corrida: AQUI.
Entrevista e Fotografia: João Pedro Canhoto
Texto: Rui Lavrador

A Praça de Touros de Santa Eulália reabriu, ontem – 21 de Maio, as suas portas, após 7 anos sem receber espectáculos.

Luís Rouxinol, Ana Batista, Tiago Pamplona, Marcos Bastinhas, Francisco Palha e João Salgueiro da Costa enfrentaram touros das ganadarias António Semedo e Sesmarias Velhas do Guadiana. Actuaram ainda os forcados amadores de Portalegre, Académicos de Elvas e Coimbra.

O Infocul entrevistou Alberto Barradas, irmão de José Tello Barradas a quem desde ontem passará a ter uma Corrida Memorial anual nesta praça.

Alberto começou por nos revelar que “sinto uma emoção de profunda alegria, esta remodelação da praça andava na minha cabeça há cerca de 15 anos. Há 7 anos que não se realizavam aqui espectáculos porque a praça estava interdita pela IGAC, daí para cá, junto de mais alguns amigos que acreditaram que era possível, levámos isto por diante. A praça ainda não está terminada, mas não deixo de considerar que hoje é um dia histórico, para mim, para a minha família e para a Praça de Touros de Santa Eulália. Conseguimos aquilo que muitos diziam que era impossível, que a praça ia cair, mas felizmente não caiu e conseguimos apresentar por exemplo os currais que podem ser apresentados em qualquer parte de Portugal e vamos continuar a tentar melhorar a praça, iremos continuar com o Memorial José Tello Barradas e certamente nessa altura já haverá mais algum melhoramento. Mas isso falamos mais adiante, hoje estou profundamente feliz“.

Sobre a importância de reinaugurar a praça com um cartel rematadíssimo, como o de ontem, lembrou a história: “Por Santa Eulália passaram sempre as maiores figuras do toureio português. E quando eu me meti nisto há cerca de 15 anos, com o meu querido amigo Joaquim Bastinhas, apostámos sempre em fazer bem. Porque ou fazíamos bem ou não fazíamos. Felizmente conhecemos muita gente no meio e tem sido relativamente fácil, diria eu, montar cartéis de grande categoria, dignos de uma praça de 1ª. Este cartel em vez de ter estado aqui, podia perfeitamente estar em Lisboa, não há nada a opor. E o próximo cartel que houver, terá certamente a dimensão e categoria deste“.

A homenagem ao meu irmão José Tello Barradas, que no meu ponto de vista e sem falsa modéstia, foi dos maiores intelectuais da festa em Portugal, foi no dia 11 de Junho de 2009. E nesse dia esgotámos a praça. Depois, começámos a pensar em remodelar a praça e fizemos até 2015 algumas corridas. Depois, sempre com a ideia de que quando a praça fosse reinaugurada montar aqui um memorial que seria anual. Por consequência, este é o concretizar de um desejo antigo que tínhamos, que é termos anualmente um memorial em Santa Eulália com o nome do meu irmão, que não é propriamente uma homenagem, mas sim uma recordação de uma figura ímpar na festa“, explicou-nos sobre o Memorial, que é distinto de homenagem como foi abordado incorrectamente em alguns meios.

Sobre José Tello Barradas disse: “O meu irmão faleceu, infelizmente, há 21 anos, mas até aproximadamente 2 anos antes de morrer viveu para a festa e nunca da festa. Foi apoderado das maiores figuras do toureio português, foi cronista, foi escritor, tendo escrito duas biografias dos maestros João Núncio e João Moura, para além de inúmeros artigos que publicou em vários jornais regionais. Nos últimos dois anos da sua vida, infelizmente perdeu a visão e mesmo assim pedia-me que o acompanhasse às corridas, porque não via, mas sentia o ambiente. Era de uma sensibilidade e cultura taurina fora do comum, que infelizmente não temos muita em Portugal. Toda as pessoas da minha idade sabem quem foi“.

Acho que foi uma tarde muito bonita, considero que todos os cavaleiros estiveram por cima dos touros. Os touros não atingiram a expectativa que eu tinha, os toureiros tiraram tudo o que os touros tinham para tirar. A Praça leva cerca de 1400 pessoas e estiveram aqui cerca de 1100. Numa praça antiga, preencher quase a lotação é motivo de orgulho e de força para continuarmos“, rematou.

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