A Andaluzia prepara uma transformação na gestão e promoção da tauromaquia a partir da temporada de 2027. A digitalização das atas dos espetáculos, a criação da plataforma pública ANDATAURO e alterações ao regulamento destinadas a dar maior flexibilidade à composição dos cartéis fazem parte das medidas apresentadas pela Junta de Andalucía.
Os projetos foram abordados no Conselho de Assuntos Taurinos da Andaluzia, realizado no Palácio de San Telmo, em Sevilha, e integram uma estratégia mais ampla de modernização do setor taurino naquela comunidade autónoma espanhola.
Atas taurinas passam para o digital em 2027
Uma das mudanças previstas para a próxima temporada passa pela digitalização das atas taurinas, atualmente parte central do procedimento administrativo relacionado com a realização dos espetáculos.
A Consejería de Presidencia, Sanidad y Emergencias está a trabalhar com a Agência Digital da Andaluzia na adaptação do sistema, procurando reduzir a dependência da documentação tradicional e facilitar a gestão e consulta da informação produzida em cada festejo.
Antonio Sanz, vice-presidente primeiro da Junta de Andalucía e responsável pela área, explicou que o objetivo passa por «adaptar a tauromaquia às novas possibilidades tecnológicas», colocando a região na linha da frente da modernização administrativa do setor.
ANDATAURO pretende concentrar informação taurina num único espaço
Paralelamente, a Junta prepara o lançamento do projeto ANDATAURO, concebido como uma plataforma digital oficial dedicada à informação, gestão, promoção e preservação do património taurino andaluz.
A ferramenta deverá estar disponível através da Internet e em formato móvel e pretende concentrar conteúdos atualmente dispersos, permitindo o acesso a profissionais, aficionados, investigadores, escolas taurinas, meios de comunicação, administrações públicas e restante público.
O projeto deverá também integrar conteúdos audiovisuais ligados ao património taurino, incluindo imagens provenientes dos arquivos da Canal Sur.
A ambição assumida pelo Governo regional é transformar a ANDATAURO numa plataforma pública de referência em Espanha para o setor.
Regulamento pode abrir espaço aos triunfadores da temporada
As mudanças não ficam pela componente tecnológica.
A Junta de Andalucía está igualmente a trabalhar numa alteração ao regulamento taurino que pretende introduzir maior flexibilidade na construção dos cartéis incluídos nos abonos das principais feiras.
Entre as possibilidades em estudo está a existência de lugares inicialmente em aberto, permitindo às empresas completar posteriormente determinados cartéis com toureiros que se destaquem ao longo da temporada.
A medida poderia, por exemplo, facilitar a entrada em ciclos importantes de triunfadores de circuitos de novilhadas ou de nomes emergentes que se afirmem já com a temporada em andamento, evitando que todos os lugares sejam definidos com vários meses de antecedência.
A Real Maestranza de Sevilha e a Feira de San Miguel surgem entre os exemplos apontados para uma fórmula que poderá aumentar o peso dos resultados conquistados em praça na composição posterior dos cartéis.
Primeira Estratégia Andaluza de Tauromaquia aponta a 2030
Todo este processo decorre em paralelo com a preparação da primeira Estratégia Andaluza de Tauromaquia 2030, cuja formulação já recebeu luz verde do Conselho de Governo.
A aprovação definitiva está prevista para o primeiro trimestre de 2027.
O documento pretende estabelecer um quadro estável para a proteção e promoção da tauromaquia até ao final da década, abrangendo áreas como formação e profissionalização, sustentabilidade económica, modernização normativa, segurança, participação social, inovação e transformação digital.
A estratégia prevê igualmente uma atenção específica ao património das Praças de Touros, ao touro de lide e às dehesas, procurando enquadrar a tauromaquia não apenas enquanto espetáculo, mas também através da dimensão cultural, económica, turística e ambiental associada ao setor.
Depois da entrada em vigor de um novo Regulamento Taurino da Andaluzia em 2025, a administração regional prepara assim uma nova etapa de transformação, desta vez com a digitalização no centro das prioridades.
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