
Ângelo Rodrigues lembra atitude altruísta de Maria João Abreu, quando ele esteve internado.
Ângelo Rodrigues reagiu à morte de Maria João Abreu recordando o momento em que ele próprio esteve hospitalizado no mesmo hospital em que estava a atriz, depois de sofrer uma infeção grave devido a injecção de testosterona.
“Quiseram as circunstâncias que ficasses no hospital onde estive, com as mesmas pessoas que me salvaram a vida. Naquela altura, fatídica para os que privaram de perto, foste a única pessoa do elenco que conseguiu driblar os seguranças e me visitou. Isso, confesso, tocou-me profundamente. ‘É para ir ver o seu filho?’ – perguntou-te umas das enfermeiras. Não era segredo, o que nos unia ultrapassava o mero exercício das nossas profissões“, recordou.
“Quem pôde conhecer-te na tua real dimensão sabe que o virtuosismo era um pormenor. Portugal pode elogiar-te o talento, mas toda tu eras amor incondicional, inteiro e desmesurado. Isso está acima de qualquer ofício que possamos ter em vida“, acrescentou.
“Levarem-te pode parecer-nos a maior injustiça, porque nos custa reconhecer o carácter inexorável da morte, mas há algo que nunca desaparecerá – o teu maior legado, o dos afeto. Viverás na memória de todos sempiternamente até ser, por fim, a nossa vez de partir. O maior Golpe de Sorte foi ter tido a honra de te conhecer. Obrigado”, rematou Ângelo Rodrigues.

