A avaliação da liderança de Catarina Miranda abriu uma discussão sobre lealdade, estratégia e critérios de julgamento no «Big Brother All Stars». Na gala deste domingo, 25 de outubro, Sónia Jesus esteve entre os concorrentes que reprovaram a prestação da colega, que respondeu com acusações de deslealdade e apontou uma diferença de tratamento em relação a Francisco Monteiro.
Antes da votação, o Big Brother pediu aos participantes que distinguissem o desempenho da líder das relações pessoais: “Estão preparados para avaliar a liderança da Catarina? Quero apenas dizer-vos, para avaliarem a liderança, não a afinidade. Se conseguirem separar uma coisa da outra, já teremos uma pequena vitória civilizacional. Vamos a isto. Placa verde para uma avaliação positiva, placa vermelha para uma avaliação negativa. Mostrem a cor da vossa avaliação.”
As placas vermelhas dominaram a sala. “Parece-me que, feitas as contas, Catarina Miranda não conseguiu uma avaliação positiva”, anunciou a voz do programa.
Sónia critica “Rainha Catarina” e recusa passar-lhe “a mão no pêlo”
Convidada por Maria Botelho Moniz a explicar a sua avaliação, Sónia Jesus considerou que a liderança tinha sido demasiado centrada nas ordens e nos conflitos.
“A única coisa que eu vi a Catarina esta semana a fazer foi exatamente a ser rainha, a mandar nas pessoas, a dar ordens, a discutir, a puxar tudo para ela, tudo para ela, tudo para ela. E para mim, ser um bom líder não é isso. Ser um bom líder é mais do que isso, é não mandar as pessoas fazer, é agarrar e fazer.”
Sónia apresentou depois exemplos: “Vi a Catarina constantemente a brigar com a Sandrina e com a Noélia para elas irem arrumar a louça. Vi a Catarina aqui constantemente a criar discussões ou envolvida em discussões. Vi a Catarina realmente a ser Rainha Catarina e não uma boa líder. Tenho pena que assim seja, porque eu tinha muitos motivos para dar verde também à Catarina, mas os maus motivos superam os bons.”
A reação de Catarina mostrou que a crítica tinha atingido também a relação entre ambas: “Não, primeira facada, já estava à espera.”
Sónia rejeitou a acusação: “Facadas é nas costas. Eu não te vou passar a mão no pêlo… A Jéssica pode-te passar, eu não te passo a mão no pêlo. Conheces-me mal.”
Catarina pediu-lhe então distância: “Não? Então não me toques mais, não me toques mais, se faz favor.”
Francisco Monteiro responde com ironia às suspeitas de influência
Catarina questionou se a opinião de Sónia teria sido influenciada pela convivência com outros colegas, nomeadamente Francisco Monteiro. Referiu também a possibilidade de as suas escolhas durante a semana, incluindo a vantagem atribuída a Miguel Vicente e a exclusão de Noélia de uma dinâmica, terem pesado na avaliação.
A concorrente deixou uma advertência sobre o que espera das próximas decisões do público: “Eu acho que neste programa cada um acaba por cavar o seu próprio buraco. Quem vai decidir é o público dia 1, e dia 1, se Deus, o senhor permitir, e os portugueses, eu vou estar aqui para ver realmente quem foi aliado e quem não foi.”
Chamado a responder, Francisco Monteiro afastou a ideia de estar a manipular Sónia, recorrendo à forma como Catarina se descreve no jogo.
“Ó Maria, como é que eu poderia manipular a Sónia, sendo que do outro lado está uma lenda? No outro dia a Catarina dizia: ‘quando sair daqui tenho Portugal inteiro à minha espera’. Como é que a Sónia poderia olhar para mim tendo esta pessoa ao lado? Jamais Maria, jamais.”
Joana sentiu-se excluída e Miguel também deu vermelho
Joana Albuquerque justificou a sua avaliação negativa com a nomeação direta que recebeu e com a falta de reconhecimento pelo trabalho que realizou.
“Sim, eu acabei por dar vermelho à Catarina, obviamente por ter levado uma nomeação direta, não posso dar verde a esta liderança. Porém, eu senti que durante a semana eu ajudei muito a Catarina. Andei a fazer as refeições para toda a gente, fiz pão, e ela não considerou sequer em convidar-me para uma dinâmica durante a semana. Fui sempre posta de lado.”
A concorrente comparou ainda a semana com a liderança anterior: “Apesar de estar com os ânimos leves com a Catarina, não posso concordar que esta foi uma boa liderança. E ainda por cima viemos de uma liderança ótima, que foi a liderança da Sónia, e não tem nada a ver uma coisa com a outra.”
Miguel Vicente também escolheu o vermelho, apesar da aproximação entre ambos. “Boa noite, Maria. Boa noite a todas as pessoas que nos estão a ver. Sim, eu, se fosse pela afinidade, claramente dava verde (…)”, explicou.
Catarina aponta diferença de tratamento e recebe aplausos
Perante o resultado, Catarina contestou os critérios dos colegas e comparou a sua avaliação com a que Francisco Monteiro recebeu quando liderou a casa.
“Só recordar aqui, e eu vou achar sempre isto até ao fim, que nós mulheres nos reality shows, por isso é que é muito difícil jogar, porque nós também tivemos aqui uma liderança que foi de Francisco Monteiro, foi uma porcaria, falhámos a prova, atirou a toalha ao chão, e estas pessoas, a maioria que está aqui, deu-lhe verde porque querem-lhe dar o prémio.”
A intervenção foi recebida com aplausos no estúdio. Catarina reforçou depois que não pretende subordinar o seu percurso à vitória de outro concorrente.
“E eu estou aqui independente, se for preciso vou até ao fim sozinha, e eu não dou prémio a ninguém”, afirmou.
“Eu se tiver que ganhar o prémio, ganho para mim, não é como vocês que dão prémio aos outros. Mas eu também tive a obrigação”, acrescentou.
A aproximação a Miguel também tinha um objetivo
A gala mostrou ainda imagens de Miguel Vicente em conversa com Rúben Boa Nova sobre a aproximação a Catarina. Confrontada com o caráter estratégico dessa relação, a concorrente garantiu que também tinha feito as suas contas.
“Eu já estava à espera. O objetivo é que ali a ‘Team Escarreta’ me dê quatro verdes hoje. Se o Miguel me falha, vai levar comigo na próxima semana. O Miguel é super interesseiro. Eu conheço o Miguel muito bem, eu já sabia, eu já tinha dito que isto iria acontecer e dei-lhe a carta de furar o cofre, porque primeiro não quero saber de notícias nenhumas do exterior, acho que só influencia a casa.”
Catarina explicou que pretendia aproximar-se do outro grupo e perceber o que os colegas planeavam.
“Depois, a partir do momento em que eu dou ao Miguel, sei que ele não vai partilhar com ninguém, e mesmo que partilhe, nunca ninguém vai saber se é verdade ou não. Logo, a nossa informação vai ser o que eu queria, nula. Depois consegui-me aproximar ali do outro grupo, consegui perceber que eles iam todos cascar na Jéssica ali no brunch, por isso é que eu dei depois aquela carta mais tarde na votação das nomeações à Jéssica. E então consegui-me entrosar neles, que era o meu objetivo. Portanto, o Miguel achou que me tinha dado um grande baile, mas acho que o bom baile dei eu. Eu respeito estes dois vencedores, eles têm que respeitar a lenda, embora nunca ganhe nada. Mas o que é certo é que eles estavam a dançar.”
A carta dourada e o afastamento de Francisco
Maria Botelho Moniz observou que aquela era uma situação em que “jogador reconhece jogador”. Catarina concordou e assumiu ter apreciado o efeito da sua decisão sobre a casa.
“O Miguel andou-me a cheirar a semana inteira até lhe dar a carta dourada. Sabia que a carta dourada mexeu com a casa. Eles passaram-se com a carta dourada para o Miguel, eu adorei. E depois quem é que pensava que eu iria meter Francisco Monteiro a sair do quarto do líder, a não querer participar em nada? O Francisco ia amar isto esta semana.”
Sobre a perda de confiança em Francisco, a concorrente recordou a colaboração entre ambos na liderança anterior.
“Perdi a confiança porque o Francisco teve a liderança dele, ele escolheu-me para aliada. Aliás, ainda levei com o ‘claro’ da nomeação direta por nós termos feito aquela jogada em conjunto. Eu respeitei a liderança dele, tudo o que ouvimos. Eu não sou uma pessoa que ouço aqui e vou falar. A Noélia leva e traz, isso para mim não resulta. Tudo o que falámos nas nossas dinâmicas, eu respeitei, calei a boca, ouvi a opinião dele e não dei a ninguém.”
Na sua versão, a divergência agravou-se quando recusou incluir Noélia numa escolha que Francisco defendia. Catarina afirmou conhecer comentários negativos feitos pela colega fora do programa e explicou que, por isso, estranhou o apoio que recebeu dela dentro da casa.
“Se eu gostasse de estudar, eu estava em Harvard”
Apesar do chumbo, Catarina garantiu que repetiria as decisões: “Eu fazia tudo de novo. Acho que na minha liderança, no que eu me propus, fui exímia. Obviamente que falhámos. Olha, estudassem, estudassem.”
Questionada sobre a sua própria dedicação à prova semanal, respondeu: “Eu não me desleixei na prova. Eu não sou uma pessoa que goste muito de estudar. Porque se eu gostasse de estudar, eu estava em Harvard, não estava na Malveira. A verdade seja dita.”
“Eu estou na Malveira e sempre fui uma fã de estudos”, contrapôs Maria Botelho Moniz.
Catarina atribuiu parte do insucesso às discussões e à distração dos colegas: “Eu sei, minha querida, mas eu não. E eu também os pus em grupos, mas depois eles acabam por se chatear uns com os outros. E o que é certo é que eu depois vim aqui ver a VT durante a semana da Noélia a cascar em mim, mais os outros quatro ali que em vez de estarem a estudar estavam a na galhofa. Portanto, perdemos. A fome também desperta aqui o psicológico das pessoas. Por isso, é o que tinha que fazer.”
Antes da avaliação, tinha assumido que pretendia conquistar placas verdes e perceber os planos do outro grupo. A votação acabou por mostrar que a aproximação não lhe garantiu a aprovação da maioria.
