Bruno Andrade critica cobertura portuguesa do caso Vinícius Júnior e denuncia racismo estrutural, de forma clara.
Jornalista fala na ESPN Brasil após polémica no Benfica–Real Madrid
Depois do jogo entre Benfica e Real Madrid, a polémica em torno de alegados insultos racistas dirigidos a Vinícius Júnior continua a gerar reações.
Desta vez, as críticas surgiram de dentro do próprio meio jornalístico. Bruno Andrade, comentador da CNN Portugal e do Maisfutebol, falou em direto na ESPN Brasil.
“Não vi um único comentarista preto”
Desde logo, o jornalista relatou a forma como acompanhou a cobertura nacional do caso. “Amigos, de ontem para hoje, desde que aconteceu esse caso, eu tive o cuidado de zapiar a televisão 3, 4, 5 canais”, começou por explicar.
Em seguida, foi direto na crítica. “Eu não vi, eu digo isso de forma categórica porque eu não vi um único, um único comentarista preto ou jornalista preto analisando, abordando o caso”, afirmou.
Crítica à falta de diversidade nos painéis
Para Bruno Andrade, esta ausência não é um detalhe menor. Pelo contrário, considera que revela um problema profundo. “Se vocês forem pegar a repercussão dos vídeos de ontem, da comunicação social portuguesa sobre o assunto, 100% homens, 100% brancos”, sublinhou.
Nesse sentido, apontou para uma realidade estrutural. “Mostra muito do tal racismo estrutural que existe em Portugal”, acrescentou, sem rodeios.
Debate sem quem vive o problema
Além disso, o comentador questionou a legitimidade do debate mediático. Para ele, discutir racismo sem vozes negras compromete a análise. “As pessoas querem debater racismo (…) e não há um único preto, seja ele comentador, ex-jogador ou jornalista”, criticou.
Assim, considerou problemático que se avalie a reação de Vinícius Júnior sem representação de quem sente o impacto direto do tema.
Ligação às reações no estádio da Luz
Por fim, Bruno Andrade estabeleceu uma ligação clara entre a falta de representatividade mediática e os comportamentos registados nas bancadas. “Mostra muito como Portugal, nesse ponto, está muito atrasado”, afirmou.
A concluir, recordou os episódios durante o jogo. “Quando o Vinicius vai cobrar o escanteio, jogam lá papel, jogam uma garrafa certa”, rematou, ligando o ambiente no estádio ao atraso no debate público.
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