Bruno Lage regressa ao Benfica: “É ganhar e jogar bem. E muito trabalho. É isso que eu prometo”

Bruno Lage regressa ao Benfica: “É ganhar e jogar bem. E muito trabalho. É isso que eu prometo”, disse na apresentação.

Foto: SL Benfica / X

O Benfica anunciou Bruno Lage como novo treinador, substituindo assim Roger Schmidt, que foi demitido.

Nesse sentido, Bruno Lage assina por duas épocas, até 2026, tratando-se de um regresso a casa, depois de já ter ganho um campeonato e uma supertaça.

Assim, em conferência de imprensa, mostrou-se ambicioso.

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Que futebol quer que a sua equipa pratique?

Quero um futebol que os adeptos gostem de ver e que já viram durante largos anos, não só comigo, viram o Benfica jogar um futebol ofensivo, dinâmico, divertido, fundamentalmente um futebol que puxe pela bancada, é o que queremos. Conversámos sobre isso, o meu primeiro jogo foi muito isso, a paixão que se viveu entre o que era a paixão dos adeptos e o apoio que deram aos jogadores. Estávamos a perder o jogo e foi a partir dessa união entre adeptos e jogadores que se deu a reconquista. É por aí que temos de começar. Um futebol atrativo com golos e a conquistar os adeptos.

Quatro anos depois, que treinador é hoje e o que podemos esperar de Bruno Lage? Que mensagem deixa aos adeptos?

O nosso caminho é de aprendizagem, todas as últimas experiências que tive foram assim. É assim que um treinador como eu, que começou a treinar meninos aqui, pode chegar depois a esta posição. Alguém com energia positiva e com vontade de fazer um bom trabalho, tirando o maior partido de todos. Da estrutura e da qualidade que temos no nosso plantel. A mensagem para os adeptos? Há pouco tempo tive oportunidade de falar com colegas vossos [jornalistas] sobre o que foi a minha primeira passagem no Benfica, fiquei com a sensação que a história não podia acabar daquela maneira e quis o destino que, ao dia de hoje, na situação que o Benfica vive, eu pudesse estar disponível para regressar a esta casa. Sinto uma vontade enorme de trazer o sentimento de ser benfiquista, é o que sinto quando estou a falar com as pessoas. Que não conseguem descrever o que é ser Benfica, mas conseguem sentir. Quase como o sistema nervoso que percorre o nosso corpo. É essa chama que temos de trazer para cá e dar energia positiva aos jogadores. Independentemente do momento, é pelo Benfica que temos de nos unir para voltarmos a fazer um trabalho que vai ser diário, de muito sacrifício, mas acredito que, com a união de todos, podemos chegar ao fim com sucesso.

Consegue prometer que a equipa vai jogar o dobro do que tem apresentado? E depois, há também desconfiança dos adeptos em relação a si, não é um nome consensual, eu pergunto-me se gostava de usar a mesma expressão que Rúben Amorim utilizou quando chegou ao Sporting, ‘e se corre bem’?

Olhe, você já me conhece, eu sou muito genuíno, nós temos de olhar para pessoas de sucesso e aprender com elas, mas eu gosto de olhar para aquilo que tenho vindo sempre a fazer e partir de mim. Vou-lhe dizer o que sinto desde a primeira hora e o que senti quando o presidente falou comigo, uma vontade enorme de me trazer e eu com uma vontade enorme de vir trabalhar para a minha casa. Eu sinto-me em casa, estou em casa. Não tenham dúvidas nenhumas daquilo que eu vou fazer e da dedicação que eu coloco no meu trabalho, e no meu profissionalismo que é para fazer crescer a equipa de acordo com a forma como os adeptos gostam de a ver jogar.

Perguntava-lhe primeiro se, na conversa que teve com o presidente, ficaram objetivos mínimos definidos e quais são para esta temporada e para o futuro? Depois, tendo em conta também o que mudou ao longo dos últimos anos e da experiência que foi ganhando, o Bruno Lage de hoje fazia alguma coisa diferente do que fez, para tentar mudar o desfecho da última passagem pelo Benfica?

A conversa com o presidente foi muito clara, muito objetiva e há coisas que estão inerentes à grandeza do Benfica. Nós temos de olhar para aquilo que é o nosso caminho, que nós temos de fazer nos próximos nove meses. O primeiro passo é já o treino de amanhã e depois o jogo que temos de preparar com o Santa Clara. Por isso, está mais que evidente aquilo que são os nossos objetivos. O passado recente tem-nos dito que a desvantagem pontual que temos para o primeiro não é significativa, é possível recuperar e além do campeonato, temos várias competições em que temos objetivos definidos em função da grandeza do Benfica. O segundo ponto, eu não penso muito no passado nem olho muito para trás. Hoje o Bruno Lage é diferente. O presidente falou da maneira como eu saí daqui, do último dia em que saí daqui e, três anos e meio depois, eu hoje já chego com cabelos brancos e estes cabelos brancos ajudam a ver as coisas à distância com outra clareza e até mesmo de uma forma emocional completamente diferente. Se eu, a pessoa e o homem e o treinador que sou hoje olhasse para trás e não entendesse que em determinado momento podia ter feito as coisas de outra maneira, o meu caminho de aprendizagem não tinha sido este. Mas não é isso que se faz, é naquele momento e é naquela situação. Por isso, as ações ficam e nós temos de olhar para elas, aprender e fazer um caminho de sucesso.

Podíamos querer aqui falar se é o Bruno Lage que venceu, se é o Bruno Lage que perdeu, que está de volta. Eu gostava de falar de outro Bruno Lage e de uma das frases que marcou a outra vinda para o Benfica. O que eu quero saber é, quando isto tudo acabar e voltar para casa, o Jaime ainda hoje vai estar a ver o canal Panda ou as mensagens já não são mais do Super Wings?

Eu já nem posso dizer o que é que eles com nove anos veem. O mais importante sobre a minha família, que já são dois, que é o Jaime e o Manuel, é que… vocês metem-me a falar dos meus filhos, eu vou sair para o tapete [emocionou-se]. Eu saí de casa, dei-lhes a informação, o pequeno ainda não sabe o que é o Benfica, perguntou-me até se podia vir para o Benfica, comecei a vestir o fato e a gravata, ele anda no colégio de fato e gravata e também se começou a vestir de fato e gravata, pensava que vinha para alguma festa. O grande já sabe e aquilo que eu lhe disse é para que ele tenha orgulho no pai. E é isso que eu quero que ele, que é um grande benfiquista, como a mãe que também é uma grande benfiquista e como os benfiquistas, que tenham orgulho em mim e do trabalho que eu vou fazer aqui. Quem regressa é alguém com vontade de vencer. Porque, diga-me um treinador que não ganhou e que não perdeu nos últimos 20 anos, quer do Benfica, do FC Porto ou do Sporting. Talvez muitos perderam e não ganharam, outros ganharam e perderam, se nós até formos à média de anos de títulos, de títulos conquistados e anos em que nunca conquistou os títulos, se calhar a média do Bruno Lage é muito semelhante aos últimos 20 anos dos vários treinadores. Por isso, o mais importante de olhar para o passado, além do 37, que me enche de orgulho, que está no museu, que o meu filho há-de querer um dia visitar, mas eu nunca quis interferir com a vida diária do Benfica, e por isso é que eu nunca o levei ao Museu do Benfica, mas aquilo que é fundamental é nós olharmos para o futuro e olharmos para aquilo que nós podemos fazer para conquistar mais um título ou mais títulos a este grande clube.

Queria-lhe perguntar muito concretamente se o objetivo que lhe foi colocado pela estrutura do Benfica é ser campeão e se pode prometer isso aos adeptos que vão tentar recuperar esta desvantagem?

É isso que eu prometo. É ganhar e jogar bem. E muito trabalho. É isso que eu prometo. E é isso que nós vamos fazer. Desculpe interrompê-lo, mas é para você sentir a energia com que eu chego.

E queria saber qual é a sua apreciação que faz do plantel, se lhe dá garantias, já que não foi o Bruno Lage que o montou nem foi escolhido pelo Bruno Lage?

Se você for recordar durante as várias conferências que tive a oportunidade de conversar convosco a minha ideia de plantel foi sempre um plantel curto, competitivo e equilibrado. Curto no sentido de ter dois atletas por posição e equilibrado que me desse a hipótese de poder jogar de várias maneiras, ou seja, olhar para o plantel e quer antes dos jogos ou quer durante o jogo poder alterar o sistema ou a própria dinâmica em função das características do plantel e ser competitivo internamente e competitivo fora. Eu quando olho para este plantel, vejo o plantel construído dessa maneira. Jogadores competitivos, um plantel curto que me permita trabalhar e um plantel que é competitivo internamente e isso é a maior garantia de evolução e de trabalho diário dos nossos atletas, eles sentirem que não há lugares garantidos, que têm de trabalhar diariamente para conquistar o seu espaço e que também me permita ter soluções em função daquilo que é o calendário, de 3 em 3 dias nós estamos a jogar. Olhando para isso, eu acho que se fez um excelente trabalho na construção do plantel.

Pedia que nos revelasse quando é que recebeu o convite para regressar e se demorou muito tempo a dar uma resposta e pergunto-lhe também, tendo em conta o momento de instabilidade que se vive no clube, se sente que tem o destino de a Rui Costa nas suas mãos?

Quando e como não é importante. Se calhar posso-lhe dizer que as coisas não aconteceram de imediato porque os meus agentes não estão neste momento no país e há determinadas conversas que não passam por mim e passam por eles e por isso atrasámo-nos, mas eu fiz tanta questão que acontecesse hoje, quer eu, quer o presidente, para marcar este início de amanhã com a equipa e celebrar da melhor forma aquilo que eu acho que são 20 anos desde que aqui cheguei para treinar os meninos de 10 anos. A coisa mais importante do Benfica é o futebol profissional, não nos podemos esconder disso. No entanto, o mundo e o universo da Benfica é enorme e o presidente tem feito o seu trabalho de dar continuidade a um projeto que iniciou há muito tempo para continuar a trazer títulos e grandezas para a Benfica. Se nós formos às histórias recentes dos presidentes, se calhar nem todos começaram da melhor maneira. O presidente começou logo com um título e com uma época de sucesso. Por isso, o caminho faz-se caminhando, aquilo que eu desejo ao meu presidente é aquilo que ele deseja também para mim porque, além de termos relação de presidente e de treinador principal, já tivemos a relação de diretor da formação e treinador de iniciados que, 20 anos sem ganhar um título, ganhámos; já tivemos a relação de diretor desportivo e treinador da equipa principal e vencemos um título e, agora, temos esta relação de presidente e treinador e o que eu desejo é que quando se olhar para a carreira do nosso presidente, daqui a 20 anos, que se olhe para uma carreira de sucesso à imagem do jogador que foi.

Queria perguntar-lhe como é que viu, como benfiquista, as saídas de João Neves, David Neres e Marcos Leonardo?

Como vi? Qual é o clube que, nos últimos anos tem conseguido manter no quadro os seus melhores atletas? O mais importante é que, independentemente das saídas, possamos olhar para o plantel e sentirmos que o plantel foi feito, está ajustado e é competitivo para aquilo que se avizinha. O Neres e o Marcos Leonardo eu não os conheço, assim como não conheço o João Neves, mas quando se vê um atleta a deixar a casa é sempre um motivo de nós também nos sentirmos realizados, no bom sentido, pelo trabalho que tem sido feito na formação, na forma como os jogadores chegam à equipa principal. Depois, por muito fácil que seja desse lado analisar as coisas de um modo ‘sim ou não’, o que acontece deste lado, quando chega a proposta ao clube e a proposta ao jogador, há decisões que têm de ser tomadas. Eu não estava cá, não lhe posso dizer o que é que se passou, mas já vi muitos jogadores a darem esse passo e isso também é forma de como o Benfica tem trabalhado. Saiu o João Félix com o título e saiu o João Neves com o título e o nosso trabalho e o meu, porque tenho de olhar para a formação, é nós estarmos sempre a olhar e perceber se temos homens e jogadores como o Rúben Dias, como o João Félix, como o Ferro, como o Tino, como o João Neves, como o Renato Sanches, para defender as cores do Benfica.

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