Cardeal Tolentino Mendonça explica o verdadeiro sentido da Quaresma: “É um tempo de revitalização”, destacou.
O cardeal José Tolentino de Mendonça partilhou nas redes sociais um excerto de uma homilia dedicada ao significado espiritual da Quaresma. A reflexão propõe uma leitura profunda deste tempo litúrgico, destacando-o como oportunidade de renascimento interior.
Uma necessidade espiritual, não apenas calendário
Logo no início, o cardeal sublinha que a Quaresma vai além de uma tradição anual. “A Quaresma não é apenas uma imposição do calendário litúrgico, mas uma necessidade de renascimento.”
Além disso, aponta para a consciência de incompletude que marca a condição humana. “Sentimos o inacabamento, percebemos que nos é possível ser mais e que está ao nosso alcance viver com maior autenticidade a nossa condição de discípulos de Jesus.”
Segundo defende, a decisão de iniciar este caminho nasce de uma necessidade interior. “Começamos a Quaresma porque precisamos dela, porque somos chamados a dar lugar ao Espírito nas nossas vidas, a abrir caminhos de novidade no quotidiano, a acreditar que é possível.”
Amor de Deus como ponto de partida
Entretanto, o cardeal reforça que a motivação fundamental é a fé no amor divino. “Começamos a Quaresma porque acreditamos no amor de Deus.”
Nesse sentido, recorda que cada pessoa é destinatária desse amor transformador. “De fato, cada um de nós é amado e amada por Deus, e esse amor é capaz de nos colocar em contexto de aliança, em estado de florescimento.”
Para o responsável religioso, ligar-se a esse amor implica mudança concreta: “Ligar-nos a esse amor representa uma nova criatividade, um novo alento, uma nova respiração e, certamente, uma nova etapa.”
Um caminho exigente e realista
Por outro lado, José Tolentino de Mendonça alerta que a transformação não acontece de forma automática. “Vamos, por isso, começar este caminho da Quaresma. Façamo-lo com realismo.”
De seguida, acrescenta: “As mudanças que contam na nossa vida não acontecem de um dia para o outro nem de forma espontânea.”
Segundo explica, trata-se de um processo interior exigente. “Acontecem no meio de um paciente combate interior.”
Além disso, reconhece as dificuldades e tentações que surgem ao longo do percurso. “Temos de estar preparados para um caminho exigente, atravessado por muitas tentações.”
Nesse contexto, deixa um alerta direto: “É muito fácil sermos crentes de bancada, cristãos de sofá, fregueses do templo.”
Mais do que rituais, um tempo de renascimento
Por fim, o cardeal rejeita uma visão superficial da Quaresma. “A Quaresma não são quarenta dias para tentarmos praticar rituais mais ou menos arcaicos.”
Em alternativa, propõe uma vivência mais profunda: “A Quaresma é um tempo de revitalização, um tempo para nos colocarmos as perguntas-chave que favorecem o renascimento do que somos.”
E conclui com uma ideia central da homilia: “E Deus sabe como cada um de nós precisa de renascer. Por isso, este é o tempo de voltar a si.”
Deste modo, a mensagem do cardeal Tolentino Mendonça reforça a Quaresma como período de transformação interior, autenticidade e compromisso espiritual, convidando os fiéis a uma vivência mais consciente deste tempo litúrgico.
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