Caso das gémeas: Sandra Felgueiras reage à acusação e critica tentativas de descredibilização, nas redes sociais.
Sandra Felgueiras reagiu à acusação do Ministério Público no caso das gémeas luso-brasileiras tratadas no Hospital de Santa Maria com uma mensagem de reconhecimento à equipa que investigou o assunto na TVI e de crítica a quem colocou o trabalho em causa.
Na publicação no Instagram, a jornalista recordou os três anos decorridos desde a investigação e acusou outros profissionais e órgãos de comunicação social de terem preferido questionar a equipa em vez de dar atenção ao que estava a ser revelado.
O Ministério Público deduziu acusação contra quatro arguidos num processo que envolve crimes como prevaricação, abuso de poder e burla qualificada. A acusação não corresponde a uma condenação, mantendo os arguidos a presunção de inocência.
Jornalista recorda equipa que investigou o caso
Sandra Felgueiras começou por associar o rigor jornalístico à necessidade de recordar o percurso da investigação.
“O jornalismo é um exercício de rigor, mas também de memória. Há três anos, uma equipa de quatro pessoas — Anabela Vaz Jacinto, Nuno Guedes, Sandra Felgueiras e Luís Vigário — trabalhou longamente numa investigação que permitiu desmontar uma burla ao Estado português de cerca de quatro milhões de euros”, escreveu, apresentando a sua avaliação do trabalho realizado.
A jornalista identificou depois as pessoas visadas na acusação: “Hoje, o Ministério Publico acusou quatro pessoas que a nossa investigação identificou em apenas dois meses: a mãe das crianças, o filho do então presidente da República, o ex-secretário de Estado, Lacerda Sales e o antigo diretor clínico do hospital de Santa Maria.”
O caso diz respeito ao acesso das duas crianças a um medicamento no hospital de Lisboa e tornou-se público através da investigação da TVI coordenada por Sandra Felgueiras.
“Hoje, falam como se nada fosse. Mas eu não esqueço”
Uma parte central da mensagem foi dedicada à forma como a jornalista considera que o trabalho foi recebido por outros meios de comunicação.
“Pelo caminho, houve desconfiança e tentativas de descredibilização. Grande parte da imprensa e televisões concorrentes, bem como muitos jornalistas que vejo hoje em antena, preferiram questionar o nosso trabalho em vez de olhar para aquilo que ele revelava.”
Sem identificar os profissionais a quem se dirigia, Sandra Felgueiras prosseguiu: “E, hoje, falam como se nada fosse. Mas eu não esqueço. Nem o país esquece. Porque o trabalho jornalístico deve ser motivo de engrandecimento de todos e não mais um espólio da inveja mesquinha que faz de nós um país sem futuro!”
Reconhecimento à resistência da equipa
A jornalista explicou que a publicação pretendia também reconhecer o esforço dos profissionais que acompanharam o caso.
“Escrevo para saudar a resiliência de uma equipa que correu, e continua a correr, contra ventos e marés, mergulhada no trabalho, sem se deixar desviar pelo que os outros dizem — mesmo quando as palavras ultrapassam a crítica e chegam à ofensa.”
Sandra Felgueiras destacou as exigências de uma investigação prolongada: “O jornalismo de investigação exige tempo, resistência, rigor e, muitas vezes, a capacidade de continuar quando seria mais fácil desistir.”
Na parte final, voltou à decisão do Ministério Público e àquilo que considera ser o reconhecimento devido ao trabalho jornalístico.
“Três anos depois, os factos seguiram o seu caminho. E isso basta. Porque quem corre pela verdade não precisa de validação. Precisa apenas de respeito.”
Apesar das críticas, afirmou que a equipa continuará a valorizar investigações de outros órgãos de comunicação: “Nós, todo sem exceção, saudamos todos os bons trabalhos dos nossos concorrentes. Sempre o fizemos e faremos porque o país precisa de todos nós. O método que nos permitiu chegar aqui é sempre o mesmo: factos; factos; factos. Chamem-nos o que quiserem. Nós estaremos aqui!”
