A Medialivre confirmou uma redução da equipa gráfica, justificando-a com a automatização da produção e a sustentabilidade do negócio. Sandra Felgueiras, antiga diretora da Sábado, contestou a decisão e afirmou que estão em causa 12 profissionais, incluindo cinco paginadores da revista.
O grupo proprietário de títulos como Correio da Manhã, Record, Sábado e Jornal de Negócios enquadra o despedimento coletivo na transformação do setor. A empresa aponta a diminuição do consumo de jornais em papel e o crescimento do digital como fatores determinantes.
“A evolução do mercado da comunicação social, com a diminuição do consumo da imprensa escrita e crescente consumo no digital implica que, para manter a competitividade, tenha que existir uma evolução tecnológica e a transformação dos processos de produção dos media”, explicou fonte oficial da Medialivre.
Empresa aponta automatização e integração de funções
Segundo o grupo, a reorganização procura adaptar o número de trabalhadores às atuais necessidades de produção.
“Está em curso uma adequação da estrutura de recursos humanos, que contempla a redução da dimensão da equipa do departamento gráfico da imprensa, em função dos níveis crescentes de automatização, da integração de funções e das atuais necessidades operacionais.”
A mesma fonte apresentou a sustentabilidade económica como objetivo da medida.
“Esta reorganização visa assegurar o alinhamento da estrutura do departamento com o modelo de produção vigente e com as orientações estratégicas da empresa, de modo a assegurar um modelo de negócio sustentável.”
Numa comunicação interna, Carlos Rodrigues, diretor-geral editorial da Medialivre, destacou o impacto das alterações tecnológicas.
“As mudanças tecnológicas que a empresa tem levado a cabo tornam possível que o processo de feitura dos jornais seja cada vez mais automático, e com a integração total da equipa.”
Não foi esclarecido se a redução terá consequências nas versões impressas dos títulos.
Sandra Felgueiras critica falta de proteção dos trabalhadores
No Facebook, Sandra Felgueiras reagiu com tristeza e consternação à informação de que sairão 12 profissionais, cinco dos quais paginadores da Sábado.
A antiga diretora da revista recuperou a posição que assumiu quando deixou o projeto.
“Reafirmo aquilo que disse quando saí. Quando não há vontade de proteger as pessoas, os projetos só têm um destino que é morrer.”
Sandra Felgueiras criticou uma reestruturação que, na sua perspetiva, decorre sem meios tecnológicos adequados e com falta de recursos humanos. Para a jornalista, a aparência de normalidade não traduz o estado das redações: “Por dentro, a maçã apodrece.”
O despedimento coletivo surge cerca de um ano e meio depois da saída de aproximadamente dez fotojornalistas. Nessa ocasião, o grupo invocou “motivos de mercado e estruturais”.
