Cristiano Ronaldo: Sindicato dos Jogadores pede aproximação e Carlos Dinis lamenta gestão do caso

Cristiano Ronaldo: Sindicato dos Jogadores pede aproximação e Carlos Dinis lamenta gestão do caso do futebolista.

O Sindicato dos Jogadores apelou a uma aproximação entre as partes depois da saída de Cristiano Ronaldo do estágio da Seleção Nacional. Joaquim Evangelista defendeu que a discussão sobre os acontecimentos não deve diminuir o legado do capitão nem alimentar divisões entre portugueses.

Carlos Dinis, o primeiro treinador a convocar Ronaldo para uma seleção jovem, considerou que o episódio poderia ter sido evitado. Na família do jogador, Daniel, irmão de Dolores Aveiro, responsabilizou a Federação e criticou Jorge Jesus numa entrevista à CNN Portugal.

Sindicato defende solução que preserve respeito e reconhecimento

Na reação divulgada pelo Sindicato dos Jogadores, Joaquim Evangelista colocou o percurso de Ronaldo acima do conflito atual.

“Independentemente das circunstâncias que conduziram a este desfecho, há uma verdade que deve permanecer acima de qualquer divergência ou momento de tensão: Cristiano Ronaldo ocupa um lugar único e irrepetível na história do futebol português.”

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O dirigente destacou a influência do capitão nas conquistas e na projeção internacional da equipa.

“Foi muito mais do que um extraordinário jogador. Foi o capitão de uma geração, um exemplo de ambição, profissionalismo e dedicação ao serviço do país. Conduziu Portugal a conquistas que durante muitos anos pareciam impossíveis e ajudou a transformar o futebol português numa referência mundial.”

Joaquim Evangelista defendeu uma tentativa de entendimento.

“Acreditamos que devem ser feitos todos os esforços para promover uma aproximação entre as partes e encontrar uma solução que permita preservar aquilo que verdadeiramente importa: a dignidade da Seleção Nacional, o respeito pelas suas instituições e o reconhecimento devido ao maior jogador da história do futebol português.”

Joaquim Evangelista alerta para discursos de ódio

O presidente do Sindicato considerou legítimo discutir decisões recentes, mas rejeitou que esse debate se transforme num ataque ao percurso do jogador.

“Não podemos permitir que um debate legítimo sobre decisões ou acontecimentos recentes se transforme numa divisão entre portugueses, nem que o legado de quem tanto deu à Seleção seja diminuído por discursos marcados pelo ressentimento, pela desvalorização ou pelo ódio que se tem multiplicado nas redes sociais e no espaço público.”

O dirigente deixou um agradecimento ao capitão: “Ao Cristiano Ronaldo deixo o nosso reconhecimento e gratidão por tudo o que fez pela Seleção Nacional, pelo futebol português e por sucessivas gerações que encontraram no seu percurso uma inspiração.”

A mensagem incluiu apoio à equipa para o encontro com a Dinamarca.

“À equipa técnica, aos jogadores da Seleção Nacional e à Federação Portuguesa de Futebol deixamos igualmente uma mensagem de confiança e apoio para o jogo contra a Dinamarca. Não temos dúvidas sobre a qualidade da equipa nacional e do talento que assegura o presente e o futuro.”

Carlos Dinis aponta problemas acumulados

Em declarações à agência Lusa, Carlos Dinis considerou que a situação foi sendo adiada até terminar de forma abrupta.

“É uma situação que podia ser evitada. Num passado recente não me parece que as coisas tenham sido geridas de forma eficaz e foram deixando arrastar. Especialmente nos últimos anos, com o selecionador Roberto Martínez, as coisas foram-se acumulando.”

O antigo responsável pelas seleções jovens, que chamou Ronaldo aos sub-15, reconheceu a dificuldade de deixar o jogador de fora enquanto este pretendesse continuar, tendo em conta o que representa para Portugal.

Carlos Dinis recordou também uma intervenção pública em que o avançado tinha manifestado disponibilidade para aceitar diferentes papéis.

“Eu assisti ao vivo à conferência, de que Ronaldo estava disponível para jogar, ficar no banco ou na bancada, mas na prática as coisas não foram bem assim.”

O treinador lembrou que Jorge Jesus já demonstrara noutros contextos, incluindo com Aimar no Benfica, que toma decisões em função dos interesses da equipa. Na sua perspetiva, a escolha de Jesus para o cargo tornava previsível uma alteração na gestão do capitão.

“Foi desagradável para todos os envolvidos”

Carlos Dinis lamentou a forma como o episódio se desenvolveu e considerou que nenhuma das partes beneficiou do desfecho.

“A situação arrastou-se de forma negativa e não se esperava que fosse assim de forma tão abrupta. É algo pouco agradável para todas as partes, foi desagradável para todos os envolvidos, a Federação Portuguesa de Futebol, o selecionador e Cristiano Ronaldo.”

O antigo selecionador destacou ainda uma relação de reconhecimento mútuo: Portugal e a Seleção devem muito ao percurso de Ronaldo, tal como o jogador deve à equipa nacional.

Tio de Ronaldo responsabiliza a Federação

Na CNN Portugal, Daniel, irmão de Dolores Aveiro, manifestou indignação com o tratamento dado ao sobrinho.

“Uma cambada de malandros. A Federação. O Ronaldo não merecia isto. Depois de tudo o que ele fez por Portugal, não merecia isto. Tinham de ter mais respeito por ele, penso eu.”

Daniel esclareceu que ainda não tinha falado com Ronaldo. Quando tiver oportunidade, pretende deixar-lhe uma mensagem de apoio: “Vou dizer-lhe para ele ter força. A vida continua.”

Questionado sobre a possibilidade de este episódio marcar o fim da carreira internacional, admitiu não conhecer a decisão do jogador.

“Não sei, é uma coisa que não se sabe. Deveria fazer um jogo de despedida. Deveria ser em Alvalade como foi este último jogo [contra o País de Gales]. Começava bem e acaba bem. Agora, isto assim… Não havia necessidade.”

Daniel critica Jorge Jesus

O tio do capitão dirigiu também críticas ao selecionador, mantendo a Federação como principal responsável pelo sucedido.

“[A responsabilidade] é da Federação. Só querem é ganhar dinheiro. Com a idade que tem, o Jorge Jesus deveria estar em casa a cuidar dos netos. Não tem nada na cabeça”, afirmou, acrescentando: “Claro que estou zangado.”

Daniel recuperou o aquecimento de Ronaldo no encontro com a Noruega, que não resultou numa entrada em campo.

“Por o jogador a aquecer e não o colocar a jogar… O treinador disse ontem que errou na televisão. Nenhum jogador gosta de aquecer e não entrar.”

Ronaldo confirmou a saída do estágio na quarta-feira, 30 de setembro, mas deixou para mais tarde a explicação das razões. Na mensagem publicada, não anunciou expressamente uma despedida definitiva da Seleção Nacional.

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