Kaiser Chiefs no Rock in Rio Lisboa: “Temos de mostrar que ainda sabemos fazer isto”

Kaiser Chiefs no Rock in Rio Lisboa: “Temos de mostrar que ainda sabemos fazer isto”, afirmaram ao Infocul.pt.

Os Kaiser Chiefs chegaram ao Rock in Rio Lisboa quase sem tempo para perceber o tamanho do palco, o calor do recinto ou a moldura do dia. Meia hora antes da conversa com o Infocul.pt, ainda estavam a sair do avião, disseram com algum divertido exagero.

Talvez por isso a entrevista tenha tido aquele tom raro de bastidor real. Sem frases feitas. Sem plano ensaiado. Com humor britânico, alguma ironia e uma ideia muito clara: o concerto deste domingo era mais do que mais uma data de festival.

Era, nas palavras da banda, uma espécie de prova de trabalho.

Não faço ideia porque, literalmente, acabámos de sair de um avião há meia hora. Trouxeram-nos numa carrinha e agora ainda não vimos o palco. Não vimos nada lá à frente. Não sabemos como é. Só sabemos que a vibe vai ser boa porque é Portugal. Desde que estejamos em Portugal, sabemos que vai ser um bom concerto.

Entre Katy Perry e Sepultura, os Kaiser Chiefs querem provar o seu lugar

O domingo do Rock in Rio Lisboa chegou com peso rock. No cartaz estavam nomes como Linkin Park e Sepultura, referências mais pesadas do que a linguagem habitual dos Kaiser Chiefs.

A banda sabe disso. E falou do assunto com a mesma graça com que sempre soube lidar com o próprio lugar na música britânica.

Também precisamos de lhes mostrar que ainda sabemos fazer isto hoje, porque queremos voltar o máximo possível. Portanto, esta é a nossa entrevista de emprego. Talvez no próximo ano sejamos convidados para muito mais.

Depois, a questão do “Rock Day” entrou na conversa. E os Kaiser Chiefs assumiram a posição intermédia com uma imagem certeira.

Além disso, como é o Dia Rock, Linkin Park e Sepultura e essas coisas são bandas bastante pesadas e nós não somos assim tão rock. Portanto, acho que hoje temos de provar as nossas credenciais como boa banda de rock.

Logo a seguir, veio a frase que resume a identidade do grupo neste cartaz.

Sim, mas se tivesses um gráfico e numa ponta estivesse Katy Perry e na outra Sepultura, acho que nós encaixávamos muito bem no meio.

A banda ainda brincou com a escolha do dia em que foi colocada no festival.

Aposto que tiveram uma decisão difícil a pensar em que dia nos iam pôr. Devíamos ter estado no Dia das Lendas porque somos lendas. Somos lendas. Fazemos isto há muito tempo. Sim, isso é verdade.

“Temos de conquistar aquele público”

Apesar do humor, houve uma resposta que revelou bem a forma como os Kaiser Chiefs olham para o público português.

Não houve arrogância. Nem expectativa garantida. Pelo contrário, a banda insistiu na ideia de que um concerto nunca está ganho antes de começar.

A questão é que não se trata de esperar. Trata-se de tentar, tipo, temos de merecê-lo. Portanto, sim, não esperamos nada. Vamos tentar conquistar aquele público.

Ainda assim, havia uma certeza: o calor seria parte do desafio.

Espero que esteja muito, muito, muito calor. Sim, e isso também é outra coisa com que temos de lidar, porque queremos que eles se soltem e se divirtam, mesmo que estejam super quentes. Portanto, vamos tentar… Vamos mostrar-lhes que vamos dar o nosso máximo.

A frase ficou como declaração de intenção. Os Kaiser Chiefs não chegaram ao Parque Tejo para cumprir calendário. Chegaram para disputar o público, canção a canção, refrão a refrão.

Portugal resumido numa palavra? “Leais”

No final da conversa, foi pedido à banda que definisse o público português numa só palavra. A resposta começou sem artifício e acabou em gargalhada.

Primeiro, veio a palavra séria.

É um bocadinho aborrecido, mas eu diria leal, porque acho que, quando estivemos em Portugal, as pessoas continuam a voltar e as mesmas pessoas estão lá. Às vezes vemo-las à porta do hotel ou assim. Parecem, se gostam de uma banda, parecem voltar sempre a essa banda.

A palavra escolhida foi “leal”. Mas a brincadeira ainda não tinha acabado.

Quando se procurava confirmar se lealdade era a palavra que definia Portugal, a resposta ganhou outra volta.

Sim. É uma palavra bonita. Leal.

Depois, foi dita outra hipótese.

Sexy.

E o remate juntou tudo.

Sexy ou leal? Sexy leal. Agora é uma palavra só.

Antes de subirem ao palco do Rock in Rio Lisboa, os Kaiser Chiefs deixaram uma entrevista curta, mas cheia de sinais. Chegaram cansados da viagem, sem terem visto o palco, conscientes do peso do cartaz e preparados para conquistar um público que reconhecem como fiel.

Entre a ironia de se assumirem “lendas” e a humildade de chamar ao concerto uma “entrevista de emprego”, a banda mostrou aquilo que talvez explique a longevidade: ainda trata cada palco como se tivesse algo a provar.

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