D. Américo Aguiar questionado: “As Jornadas vão fazer esquecer páginas negras da Igreja, como, por exemplo, os abusos sexuais?”, por Manuel Luís Goucha.

O bispo auxiliar de Lisboa, D. Américo Aguiar, esteve à conversa com Manuel Luís Goucha, na TVI, e falou sobre a Jornada Mundial da Juventude.
“As Jornadas vão fazer esquecer páginas negras da Igreja, como por exemplo, os abusos sexuais?”, perguntou Goucha.
“Eu não quero que ajudem a esquecer. Aliás, o pior que a gente pode fazer é esquecer. Agora, que podem ajudar e que ajudaram – até atendendo ao calendário -, primeiro, a pôr as vítimas no local devido, que é na prioridade da nossa atenção”, respondeu D. Américo Aguiar.
“Depois, nunca deixar de ter presente no coração que a dor não prescreve. Às vezes, há aí muito parecer, muito jurídico, com os prazos… a dor não prescreve. É importante nunca esquecermos isto”, continuou.
“Somos herdeiros do que aconteceu e não devia ter acontecido. O que é que temos de fazer? Garantir, fazer tudo o que está ao nosso alcance que não se repete, nem se repetem os crimes – dentro daquilo que é possível garantirmos -, nem se repete o modo, o processo com que cada um dos crimes foi vivido, em cada tempo”, acrescentou.
Explicou que, quando era responsável da comissão de Lisboa, acolheu duas vítimas de abusos: “Foi duro… E fez-me um clique. Duro de ouvir porque nós temos de agradecer muito a estes homens e a estas mulheres que tiveram a coragem de abrir o seu coração”.
“Não há limite de agradecimento, são heróis. Eu ouvi dois homens e ouvir destes dois homens que abriram o seu coração e partilharam comigo o que aconteceu, a mim, fez-me o clique. Eu tomei consciência de que eu sou herdeiro de muitas coisas boas, dos milagres da Igreja e sou bispo e sou padre, mas também sou herdeiro de coisas más e negativas e, portanto, sou parte do problema e tenho de ser parte da solução”, referiu D. Américo Aguiar.
Porém, acredita também que não se pode “manchar estas vítimas com aquilo que são as vítimas que, por ventura, mentem, que caluniam, que também há”: “Não podemos misturar. Nem dizer que as vítimas são todas mentirosas, nem que os criminosos são todos não sei quê. Aqui o todos e o ninguém não ajuda”.
“O que nós temos de trabalhar – e muito – é fazer tudo o que está ao nosso alcance para prevenção, para garantir que, no que depende de nós, não acontece e tratar com respeito e convenientemente aqueles que viveram essas situações”, rematou.
