A primeira convocatória de Gustavo Varela para a Seleção chega aos 21 anos, depois de nove golos pelo Monza o terem colocado no topo da lista de marcadores da Serie A. Em criança, esperava pelo pai na sala de refeições de um centro de estágios. Anos mais tarde, os dois encontraram-se em campo como adversários.
Jorge Jesus chamou o avançado para os jogos de Portugal frente à Dinamarca e ao País de Gales, da Liga das Nações. Formado no Benfica, Gustavo chegou a representar a equipa principal dos encarnados e passou pelo Gil Vicente por empréstimo antes de se destacar no futebol italiano. O seu nome tem sido associado ao Inter de Milão e ao Nápoles, além de surgir em rumores sobre um regresso à Luz.
Fernando Varela foi pai aos 17 anos
Fernando Varela, antigo internacional cabo-verdiano, trabalhava numa pizzaria e ainda não tinha contrato profissional quando Gustavo nasceu. Tinha 17 anos e contou à BTV o que mudou quando passou a ter um filho a depender dele.
“Sabia que tinha de trabalhar mais do que os outros, sabia que tinha alguém em casa de quem eu tinha de cuidar, sabia que já não ia ser mais uma criança, apesar de ter a idade de criança. Tinha alguém em casa para alimentar. Também tive ajuda de muita gente, dos meus sogros, dos meus pais. Muita ajuda”, recordou.
Quando deixou a pizzaria, houve dias em que Fernando precisou de levar o filho para o trabalho. “O Gustavo tinha que vir comigo para os treinos. Ficava na sala de refeições e convívio do centro de estágios enquanto nós treinávamos”, contou à Tribuna Expresso.
Gustavo começou a jogar nas camadas jovens do Sporting. Segundo Fernando, a distância entre os dois pesou numa fase em que o filho perdeu o foco. Gustavo acabou por ir ter com o pai à Grécia, onde o defesa representou o PAOK de Salónica. Três anos depois, fez o caminho de volta sozinho para jogar no Benfica. Fernando teve reservas quanto à mudança, mas reconheceu mais tarde o efeito que teve no filho. “Ele teve de crescer. Fez-lhe bem.”
Pai e filho defrontaram-se num Benfica B-Alverca
Gustavo imaginava que um dia poderia jogar na mesma equipa do pai. Em 2024, o calendário da II Liga juntou-os no mesmo relvado, cada um com a sua camisola. O avançado representava o Benfica B e Fernando alinhava pelo Alverca.
“Nunca pensei que jogaria contra o meu pai, mas que jogaria com ele. Agora que aconteceu, é um dia muito feliz. É um dia que nunca iremos esquecer”, disse Gustavo na altura.
Dois anos depois desse encontro, o avançado do Monza tem a primeira oportunidade de somar uma internacionalização pela seleção principal portuguesa.
