Daurte Síopa recorda adopção do filho: “Nunca pensei em casar, em ter filhos, mas pensei ‘este miúdo é meu, tenho de o levar’”, referiu.

Duarte Siopa esteve no programa de Júlia Pinheiro, na SIC, tendo falado, entre outros assuntos, sobre o filho Diogo.
Quando trabalhava na Informação da RTP, em 1992, atendeu um telefonema com uma denúncia de crianças menores abandonadas pela mãe.
“Fiquei muito impressionado”, disse.
“Uma senhora diz ‘eles são muitos miúdos, a mãe é prostituta, deve ser toxicodependente e ela não quer os miúdos lá em casa. (…) Há uma criança que tem dois anos, os irmãos ajudam-na a subir para um caixote do lixo, ele está lá e, depois, vai dormir com os irmãos para o vão das escadas”, contou.
Duarte recrdou que pediu que o avisassem quando o menino fosse a sua casa novamente.
“Vejo um miúdo muitíssimo mal educado a comer”, lembrou.
“Sento-me ao lado deste menino e disse: ‘Olha, não queres que te vá comprar brinquedos?’. Ofereci-lhe tudo e ele nunca olhou ou sorriu para mim. Continuava a comer e, entretanto, disse-lhe ‘Eu sei como te chamas, chamas-te Diogo e não te convido para vires para a minha casa… Ou queres vir para a minha casa?’. Ele vira-se para mim e disse: ‘Isso é o que eu queria’. Estas são as palavras que não me vão sair mais da cabeça”, acrescentou.
“Senti-me impotente. Nunca pensei em casar, em ter filhos, mas pensei ‘este miúdo é meu, tenho de o levar’. Ponho-o dentro do carro e ele vem comigo. O Diogo vai lá para casa”, continuou.
“Lembro-me perfeitamente de pensar: ‘é um miúdo que eu nunca mais posso deixar, mas eu juro que vou aprender a amá-lo’”, explicou.
Duarte Siopa contou depois o momento em que falou à família sobre Diogo.
Diogo que era o que os pais mais lhe pediam, um neto.
“Tens o melhor coração do mundo e fizeste o que toda a gente devia ter feito”, disse o pai de Duarte.
Cinco anos em tribunais foram necessários para Duarte Siopa conseguir adoptar Diogo, que se tornou o primeiro caso singular em Portugal a fazer uma adopção familiar.
“Começou a fazer parte da minha vida e era o mais importante. (…) Senti-me muito orgulhoso. Eu tenho um filho, nunca pensei ter um filho”, revelou.
“Muita gente diz: ‘são tão parecidos’”, rematou.
Actualmente com 31 anos, Diogo surpreendeu o pai: “Chegar e amar uma criança como dele, é coisa de super heróis. Além de ser meu pai e sempre me guiar, sempre me apoiou, nunca julgou, sempre aceitou. É um ótimo companheiro de viagem também”.

