Deixei a seleção “Para te levar ao concerto do Rui Veloso que havia no Tivoli” … e que goleada do Sr. Comendador, na noite de ontem.

Texto: Francisco Potier Dias
Fotografias: João de Sousa
Neste ano de 2022, embalado nos seus 40 anos de carreira, o artista lisboeta, mas de vivência no Porto, autodidata na guitarra e lançado para “o bicho da música” pela sua Mãe, Rui Veloso cresceu e elevou-se como um dos grandes nomes da música portuguesa e um dos mais influentes.
Um ano após ter esgotado o Campo Pequeno, o artista regressou a Lisboa, para em dia de jogo da Seleção, encher o Tivoli.
Desta feita, num formato de concerto bem diferente ladeado por uma dupla de guitarras, composta por Alexandre Manaia e Eduardo Espinho, encerrando nesta emblemática sala a sua digressão 2022 que se desenvolveu com base num conceito de espetáculo mais intimista, mas com os mesmos sucessos de sempre, que de mão dada com letrista Carlos Tê lhe afirmaram a carreira e passaram gerações, tendo-lhe valido ainda, pela sua importância no panorama artístico português a distinção como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.
Abordando o concerto com que nos brindou, deu os primeiros 20m de “show” à cantora Mariana Dalot, irmão do internacional Diogo Dalot… que defrontou a suíça no mundial 22, tendo esta interpretado quatro temas, todos eles gravados no estúdio de Rui Veloso.
Mas, falando do protagonista principal da noite nada melhor que uma descrição bem Portuguesa: “É tal qual o vinho do Porto, quanto mais velho melhor”.
Rui Veloso brindou o público lisboeta com 1h e 20m de concerto, com uma cadência, envolvência e qualidade absolutamente intocáveis.
Abriu a noite com “Sei de uma camponesa”, tocando guitarra e gaita de beiços (também conhecida como harmónica ou harmónica de boca) e daí em diante, seguiu, cantando com toda a sala em uníssono, os temas “Já não há canções de amor”, o emblemático “Porto Covo” … e bem “Não, nunca me esqueci de ti” é precisamente isso que o público transmite ao artista, acompanhando todos os temas em uníssono, mas, com um respeito pelos instrumentos e pelo protagonista típico de quem é “fã” genuíno e não apenas o típico comercial, bonito.
Entre solos de guitarra, apartes sobre a vida do artista e a composição dos próprios temas, continuou a puxar fio a fio pelos seus sucessos, tendo docemente passado por temas como “A explicação das estrelas” e colocando em arrepio o Tivoli, através de uma oportuna ação de sensibilização social, introduziu o tema “Saiu para a rua” aludindo à censura das mulheres iranianas, num acto de serviço público.
Prosseguiu dando asas aos sucessos, dando um toque de fadistice à noite puxando do “Fado do Ladrão”.
Com o público já arrebatado e a acompanhá-lo em coro que deixou o artista rendido, foram interpretados os temas “Primeiro Beijo” e “Porto Sentido”, os mais aclamados e sentidos da noite, e que deram para tudo, desde o choro ao canto, passando pela euforia.
Dedilhando em harmonias bonitas e aconchegantes, caminhou a passos largos para o final do concerto, interpretando os temas “Guadiana”, “Valsinha”, “Beirã”, “Lado Lunar”, “Sayago”, o eterno e adorado “Chico Fininho” tema emblemático do cantor, rematando com “Não há estrelas no céu”, outro tema de enorme sucesso do artista pop-rock que coloca “miúdos” de 17 anos a cantar ao lado de “jovens” de 80 anos e em Português…
[Best_Wordpress_Gallery id=”4993″ gal_title=”Rui Veloso- Tivoli BBVA- 2022″]Se quem optou por ver Ronaldo e a Seleção teve um serão em grande, igualmente preenchidos ficaram aqueles que desfrutaram do concerto de Rui Veloso no Tivoli BBVA.
No encore, Rui Veloso mostrou a sua ginga pelo Tivoli ao som das guitarras, muniu-se dos emblemáticos temas “Prometido é devido, “Paixão- segundo Nicolau da viola” e “Presépio de lata”, este último encerrando o concerto numa alusão à época natalícia, fechando com chave de Ouro o concerto e a sua digressão 2022.
Do início ao fim o público foi crescendo em entusiasmo música após música, acompanhando, agradecendo e firmando Rui Veloso como figura inigualável da música em Português, num concerto em que o acústico foi a palavra de ordem e os guitarristas acompanhantes de Veloso completaram a genialidade do cantor e compositor, tendo criado harmonias vocais e instrumentais de grande elevação e qualidade.
Que noite se viveu no Tivoli!
