Egito: o destino milenar que continua a fascinar os viajantes portugueses

Há civilizações que nunca deixam de nos surpreender, e o Egito é, porventura, a mais eloquente de todas. Passados mais de quatro mil anos, a terra dos faraós continua a atrair viajantes de todo o mundo — e, em 2026, há uma razão acrescida para lhe dedicar atenção. O país abriu recentemente as portas de um dos maiores projetos culturais do século, e o momento não podia ser melhor para quem sempre sonhou conhecer as pirâmides. Não admira que os pacotes Egito estejam entre os mais procurados por quem parte de Portugal.

Um acontecimento cultural à altura da história

Em novembro de 2025, o Egito inaugurou oficialmente o Grande Museu Egípcio (GEM), junto ao planalto de Gizé. Depois de mais de duas décadas de construção e de um investimento a rondar os mil milhões de dólares, tornou-se o maior museu do mundo dedicado a uma única civilização.

Para quem visita o Egito, o conselho é claro: reserve um dia inteiro para o GEM. A escadaria monumental, ladeada de estátuas colossais, é já um espetáculo, e a proximidade das pirâmides permite conjugar as duas visitas na mesma deslocação.

As várias camadas de uma mesma terra

Uma das coisas que mais surpreende quem visita o Egito é perceber que o país não é apenas faraónico. Sobre a herança dos faraós assentaram séculos de história copta e islâmica, e todas essas camadas convivem. No Cairo, é possível passar, no mesmo dia, das pirâmides de Gizé às igrejas do Cairo copta e às mesquitas medievais da cidade antiga. Essa sobreposição de mundos — antigo Egito, cristianismo primitivo e islão — é o que torna o destino tão rico para quem se interessa por história e cultura.

Gizé, Saqqara e o berço da civilização

As pirâmides de Gizé, erguidas por volta de 2550 a.C., mantêm-se como o cartão de visita mais reconhecível da humanidade. A maior delas, a Grande Pirâmide de Quéops, foi durante milénios a construção mais alta do planeta, e a seu lado a Grande Esfinge continua a guardar o seu enigma. A poucos quilómetros, em Saqqara, ergue-se a Pirâmide de Degraus de Djoser, considerada a primeira pirâmide do mundo — um lugar mais tranquilo e ideal para compreender a evolução da arquitetura egípcia.

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Luxor e o Nilo: o coração da viagem

Se o Cairo é o presente vibrante do Egito, Luxor é o seu passado monumental. A antiga Tebas reúne o Templo de Karnak, cuja imponente Sala Hipóstila conta com 134 colunas — as 12 centrais com cerca de 21 metros de altura —, além do Vale dos Reis e do Templo de Hatshepsut, dedicado a uma das mulheres mais poderosas da Antiguidade.

Mas talvez nenhuma experiência resuma tão bem o Egito como um cruzeiro pelo Nilo. O percurso clássico, entre Luxor e Assuão, decorre ao longo de três a quatro noites e permite descobrir templos como Edfu e Kom Ombo sem mudar de mala. As manhãs dedicam-se às visitas; as tardes, à navegação, com o deserto de um lado e as palmeiras do outro. Em Assuão, o Templo de Philae e um passeio de faluca ao pôr do sol completam o quadro, e há ainda a possibilidade de seguir até Abu Simbel, os colossos de Ramsés II. Para quem procura mais conforto, existem viagens de luxo para Egito, com cruzeiros e hotéis de categoria superior.

O Cairo que se vive nas ruas

Nenhuma viagem ao Egito fica completa sem mergulhar no Cairo histórico. O bazar Khan el-Khalili, em atividade desde o século XIV, é um labirinto de vielas com prata, especiarias e cafés centenários. Na Cidadela de Saladino, a Mesquita de Mohammed Ali — revestida a alabastro e ex-líbris da arquitetura otomana — oferece a melhor panorâmica da cidade.

A gastronomia egípcia

A comida é parte da viagem. O koshari — mistura de massa, arroz, lentilhas e molho de tomate — é o prato nacional e uma paragem obrigatória. A par dele, o ful medames (puré de favas), a ta’meya (o falafel egípcio, feito de favas) e a molokhia compõem uma cozinha saborosa e, muitas vezes, vegetariana. Nos cafés, o chá de hortelã e o café à moda local acompanham o ritmo pausado das conversas.

Aspetos práticos para quem parte de Portugal

Não existem voos diretos entre Portugal e o Egito, pelo que a viagem implica, habitualmente, uma escala na Europa ou no Médio Oriente. O visto de turismo pode ser obtido à chegada ao aeroporto do Cairo por cerca de 25 dólares, e a melhor altura para visitar vai de outubro a abril, quando as temperaturas são mais amenas — convém evitar julho e agosto, em que o calor no sul ultrapassa os 40 °C. Para um roteiro completo, que una Cairo, Luxor e cruzeiro, o ideal é reservar entre 8 e 10 dias. Leve roupa leve, mas que cubra ombros e joelhos para templos e mesquitas, e notas pequenas para as gorjetas, que fazem parte da cultura local.

Para além do Cairo e de Luxor

Quem dispõe de mais tempo descobre que o Egito não se esgota no eixo clássico. A norte, Alexandria — a cidade fundada por Alexandre, o Grande — guarda uma atmosfera mediterrânica única, com a sua moderna Biblioteca, as catacumbas de Kom el-Shoqafa e a memória de um dos maiores centros de saber da Antiguidade. A sul de Assuão, os colossos de Abu Simbel, erguidos por Ramsés II e salvos das águas aquando da construção da barragem, são um dos espetáculos mais imponentes do país. E, para quem procura descanso, o Mar Vermelho oferece praias e recifes de coral entre os melhores do mundo para mergulho, a poucas horas do Cairo.

Quanto tempo ficar

Para uma primeira viagem, entre oito e dez dias permitem conhecer com calma o essencial: o Cairo e as pirâmides, Luxor e um cruzeiro pelo Nilo até Assuão. Com doze a catorze dias, é possível acrescentar Abu Simbel e alguns dias de descanso no Mar Vermelho, ou uma escapadela a Alexandria. O importante é não tentar ver tudo à pressa: o Egito recompensa quem lhe dá tempo — entre um templo e outro, para um chá oferecido por um comerciante ou um pôr do sol sobre o Nilo — muito mais do que quem tenta esgotá-lo numa corrida.

Uma palavra sobre a hospitalidade

Por fim, há um aspeto que nenhum guia consegue transmitir por completo: a hospitalidade egípcia. É comum ser recebido com um chá, uma conversa ou um sorriso genuíno, mesmo longe dos circuitos turísticos. Essa generosidade quotidiana, feita de pequenos gestos, é, para muitos viajantes, a recordação que fica quando as fotografias das pirâmides já não surpreendem.

Porquê viajar com um operador especializado

O Egito é um destino de logística exigente: voos internos, deslocações, bilhetes de entrada, a escolha do cruzeiro e guias que deem vida a cada monumento. É precisamente aqui que compensa confiar em quem conhece o terreno: um operador especializado, com décadas de experiência no destino, organiza roteiros que incluem o cruzeiro pelo Nilo, guias egiptólogos e todos os traslados, permitindo ao viajante concentrar-se apenas no essencial — deixar-se maravilhar.

No fundo, o Egito é daquelas viagens que se fazem uma vez e se recordam para sempre. E raramente terá havido melhor momento para a planear do que agora, com o mundo inteiro a voltar os olhos para a terra dos faraós.

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