Elvas: João Moura e Marcos Bastinhas destacaram-se no São Mateus

Elvas: João Moura e Marcos Bastinhas destacaram-se no São Mateus, esta sexta-feira, 23 de Setembro.

Elvas: João Moura e Marcos Bastinhas destacaram-se no São Mateus

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

O Coliseu Rondão de Almeida, em Elvas, recebeu, esta sexta-feira – 23 de Setembro, a segunda e última corrida de touros integrada nas Festas de São Mateus 2022.

Frente a touros da ganadaria de Canas Vigouroux, actuaram os cavaleiros João Moura, João Salgueiro e Marcos Bastinhas, bem como os forcados amadores de Évora e Académicos de Elvas.

Uma corrida dinástica, juntando os veteranos Moura e Salgueiro ao “jovem” Bastinhas, com a competição nas pegas a estar a cargo de dois grupos do Alentejo.

Uma feira que foi toda ela montada ao pormenor e que agregou em si alguns dos nomes maiores da actualidade do toureio e impondo uma importante ponte entre o passado e o presente.

Esta corrida serviu para homenagear, de forma póstuma, o aficionado José Caldeira. Assim, durante as cortesias foi guardado um minuto de silêncio e posteriormente lido um texto em seu relevo. Foram ainda entregues, aos seus filhos, por parte da entidade promotora do evento e dos Académicos de Elvas, lembranças.

Quanto à corrida, começar por abordar o curro de Canas Vigouroux, destacando-se no comportamento pela positiva o 1º, o 3º e o 6º touro, estes dois últimos num patamar acima. O 2º e 5º foram os piores, calhando ambos a João Salgueiro, com o 4º a mostrar-se também complicado e a não investir, excepto quando sentia que podia atingir o cavaleiro. Em termos de apresentação, curro a destacar-se pela positiva, à excepção do 6º.

Frente a um jabonero belíssimo de estampa, a investir de todo o lado e a responder nos remates da sorte, brilhou João Moura. O cavaleiro de Monforte esteve a um altíssimo nível na sua primeira actuação, iniciada com sorte gaiola, seguida de mais um bom ferro comprido. Na série de ferros curtos, a fasquia manteve-se num patamar muito positivo, com sortes bem desenhadas e as reuniões a resultarem bem, porém no último ferro, junto a tábuas e em terrenos quase impossíveis, Moura completou com chave de ouro uma actuação que fez os aficionados recuar muitos anos, até ao auge da carreira do artista. Lide de muito valor, sabedoria e de patamar triunfal.

Miguel Direito, pelos Amadores de Évora, concretizou a pega ao segundo intento, corrigindo o que de mal fez na primeira tentativa.

Volta para cavaleiro e forcado

O segundo touro, também jabonero, teve muito menos qualidades que o seu antecessor. E com isso sofreu João Salgueiro. O touro esperou muito nas reuniões, não se empregou na lide e dificultou o labor do ginete ribatejano. Ainda assim, dois excelentes ferros curtos mostraram algumas das qualidades que fazem de Salgueiro um caso único e histórico da tauromaquia portuguesa. Uma actuação positiva, perante as características do oponente, e em que Salgueiro esteve por cima do touro e alcançou o sucesso possível, porém não certamente o que desejaria.

Roberto Ameixa, pelos Académicos de Elvas, concretizou a pega ao primeiro intento, com uma reunião quase kamikaze e o grupo a fechar de forma muito rápida e eficiente. Hoje foi também a despedida deste forcado que foi bastante ovacionado pelo público, após a volta de agradecimento ao lado do cavaleiro.

Volta para cavaleiro e forcado.

Marcos Bastinhas teve uma primeira lide muito positiva e de grande categoria. Frente a um touro ao qual faltou mais transmissão e entrega, o cavaleiro esteve sóbrio e desenhou uma performance de muita qualidade. Recebeu o oponente à porta dos curros, para depois deixar dois ferros compridos de enorme valor e mérito, o segundo a merecer claramente música, porém o director da corrida entendeu de outra forma. Na série de curtos, os dois primeiros são de bom nível, com Marcos a ter cuidado no desenho das sortes e as reuniões a resultarem impactantes e bonitas. Uma actuação que foi, posteriormente, rematada com um ferro de palmo, muito ovacionado pelo público. Lide em que se valoriza as vantagens dadas ao touro.

João Cristóvão, pelos Amadores de Évora, concretizou a pega ao segundo intento.

Volta para cavaleiro e forcado

A quarta lide teve João Moura novamente me praça, diante de um touro com pouca ou quase nenhuma transmissão e com pouca mobilidade. Moura recebeu-o com uma sorte gaiola e a actuação foi mais irregular. O touro não investiu, obrigou o cavaleiro a ter algumas passagens em falso e no final da lide foi necessária a intervenção dos bandarilheiros. Porém, destaque-se que Moura voltou a exibir algumas das suas maiores qualidades e nunca virou a cara a luta, destacando-se dois curtos de grande nota no momento da reunião. Noite muito positiva de João Moura em Elvas, com claro destaque para a primeira actuação.

Gonçalo Machado, pelos Académicos de Elvas, concretizou a pega ao terceiro intento, com o grupo a sentir algumas dificuldades, porém a ser resiliente e a resolver. Touro a exibir um comportamento muito complicado para os forcados, que ainda assim resolveram a função com qualidade.

Volta para cavaleiro, forcado e primeiro ajuda.

João Salgueiro não teve sorte no sorteio, relativamente aos touros que lidou. Este segundo, do seu lote, aniquilou quase todas as possibilidades que o cavaleiro pudesse ter para triunfar. Ainda assim, Salgueiro demonstrou resiliência e trabalhou muito para não defraudar o público. Uma lide brindada a João Moura e Marcos Bastinhas. Da sua actuação destaca-se um bom ferro curto.

José Maria Passanha, pelos Amadores de Évora, concretizou a pega ao primeiro intento, numa boa execução do forcado da cara e o grupo a reagir de forma eficiente.

Volta para cavaleiro e forcado.

O touro que iria ser lidado em sexto lugar, por Marcos Bastinhas, inferiorizou-se nos curros, partindo o píton direito, sendo substituído por um touro da mesma ganadaria.

Um touro que demonstrou um comportamento muito interessante para a lide a cavalo. Nesta sua segunda actuação, Marcos Bastinhas teve um início de grande qualidade, com a cravagem dos ferros compridos. Depois, na série de curtos, optou por uma concepção artística mais assente na espectacularidade, algo que foi do agrado do público.

Eduardo Belfo, pelos Académicos de Elvas, concretizou a pega ao primeiro intento.

Volta para cavaleiro e forcado.

Corrida dirigida por Marco Gomes, assessorado por José Miguel Guerra e com Nuno Massano no cornetim.

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