Fábia Rebordão emociona no Tivoli BBVA e assina um dos concertos do ano

Fábia Rebordão emociona no Tivoli BBVA e assina um dos concertos do ano, com uma performance de elevada valia.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Diogo Nora

Uma reentré cultural inesquecível

O Teatro Tivoli BBVA recebeu, ontem, Fábia Rebordão para um concerto que ficará na memória pela sua intensidade artística e pela forma como soube honrar a música portuguesa.

Na chamada reentré cultural, aquilo a que se assistiu foi um espetáculo que deve deixar os portugueses orgulhosos do talento que existe neste país, situado num canto da Europa e tantas vezes esquecido.

O fado como raiz, mas sem barreiras

Se a base musical de Fábia Rebordão é o fado – como fez questão de vincar –, não é menos verdade que, fruto do seu percurso, carrega influências de outros géneros musicais e de várias geografias.

A sua voz sempre teve algo de singular, pela forma como alterna entre a força e a doçura, pelas variações que imprime sem nunca perder a direção, e sobretudo pela intensidade com que transmite as mensagens dos poetas que canta.

Emoção em estado puro

No Tivoli, Fábia quebrou amarras. Deixou-se levar pela emoção, mostrando um lado profundo, vibrante e natural. Começou de saltos altos e terminou descalça, à procura de maior conforto. Fábia foi, acima de tudo, ela própria.

A escolha de repertório revelou-se de grande bom gosto. E este lado mais emocional, aliado ao talento vocal, permitiu-lhe construir um dos melhores concertos do ano em língua portuguesa realizados em Portugal.

Atrás de si, uma banda em estado de graça contribuiu para a excelência da noite, com uma performance de enorme nível técnico.

Momentos que marcaram a noite

Em “Estranha Forma de Vida” e “Foi Deus”, a voz de Fábia mostrou toda a sua capacidade técnica. Mas a noite teve vários pontos altos:

  • o dueto com Dino D’Santiago, intenso e cúmplice;
  • as duas canções com João Pedro Pais, carregadas de emoção e verdadeiramente sublimes;
  • os momentos com Sérgio Godinho, onde se cruzaram gerações, passado e futuro;
  • e o encontro com Custódio Castelo na guitarra portuguesa, que se revelou a verdadeira cereja no topo do bolo.

Houve ainda espaço para homenagens. Fábia interpretou canções de Fausto Bordalo Dias, revisitou “Romaria”, de Renato Teixeira – que já gravou ao lado do próprio – e cantou vários temas de Jorge Fernando, que subiu ao palco apenas para ser homenageado.

Uma artista pronta para o mundo

A Fábia Rebordão que subiu ontem ao palco do Tivoli BBVA é uma artista de dimensão internacional, capaz de pisar os maiores palcos do mundo. Uma intérprete de mão cheia, que solta emoções de forma genuína.

A acompanhá-la estiveram Francisco Pereira (guitarra portuguesa), Jorge Fernando Jr. (viola de fado), Ruben Alves (teclas), Kapa de Freitas (baixo), David Sequeira (percussão) e Ivo Martins (bateria).

A qualidade do espetáculo contou ainda com o som de Armando Bastos e o desenho de luz de Jorge Pato.

Alinhamento do concerto

  • Qualquer dia
  • Pontas Soltas
  • Não fui eu
  • Estranha forma de vida
  • Pergunta a quem quiseres
  • Quem vai ao fado
  • Porque me olhas assim
  • A voar por cima das águas
  • Romaria
  • A nossa Guerra
  • Génese da Libertação
  • Mamã (com Dino D’Santiago)
  • Trigueirinha
  • Foi Deus
  • Falem Agora
  • 5 minutos (com João Pedro Pais)
  • Um resto de tudo (com João Pedro Pais)
  • Casa da Mariquinhas
  • Rumo ao Sul
  • Elixir da Eterna Juventude (com Sérgio Godinho)
  • Barquito Corcel (com Sérgio Godinho)
  • O Outro lado da Viela
  • Saudades do Brasil em Portugal (com Custódio Castelo)
  • Limão / Tirana
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