Filipa Torrinha arrasa Susana Dias Ramos no «Passadeira Vermelha» e questiona título de psicóloga da nortenha.
Filipa Torrinha fez duras críticas a Susana Dias Ramos durante o «Passadeira Vermelha», da SIC Caras. A psicóloga questionou a qualificação profissional associada à apresentadora do podcast «100 Tabus» e contestou várias das suas posições públicas.
Durante a análise, a comentadora classificou o discurso de Susana Dias Ramos como machista, preconceituoso e sem sustentação científica. Além disso, revelou ter deixado de a seguir nas redes sociais.
David Motta acompanhou as críticas da colega e mostrou-se surpreendido com algumas das afirmações atribuídas à sexóloga.
Filipa Torrinha questiona apresentação como psicóloga
A discussão começou depois de Susana Dias Ramos surgir identificada como psicóloga no pivô apresentado pelo programa.
Antes de analisar o conteúdo em causa, Filipa Torrinha fez questão de deixar um esclarecimento aos espectadores. A comentadora baseou-se em informações anteriormente divulgadas pela imprensa.
“Deixa-me só fazer aqui rápido, antes de eu falar (…) no pivô estava psicóloga. É, não é? (…) Sim, mas não é psicóloga, segundo a imprensa, que fez um levantamento do currículo, não é psicóloga. É importante as pessoas lá em casa saberem, irem pesquisar por elas, tanto a Susana como eu, qualquer profissional. É importante que pesquisem antes de darem o título e não é psicóloga”, afirmou.
Filipa Torrinha criticou ainda o facto de Susana Dias Ramos não ter corrigido essa identificação em anteriores participações televisivas.
Comentadora fala em falta de clareza
Para a psicóloga, quem intervém publicamente tem a responsabilidade de esclarecer corretamente a sua formação.
“E várias vezes a Susana, que eu me lembro, alegadamente, porque eu lembro-me disto, enfim… Foi chamada psicóloga em momentos de televisão e não disse o oposto, não retificou. E é importante que a formação que a Susana terá será válida, obviamente, mas é importante sermos corretos naquilo que dizemos que nós somos”, apontou.
A comentadora considerou que esta situação levanta dúvidas sobre a postura profissional da apresentadora do «100 Tabus».
“Portanto, acho que isso é uma falta de clareza e de alguma até idoneidade que eu sinto na ação e na postura”, concluiu.
David Motta concordou com a análise da colega e acrescentou: “Em todo o caso, já diz muito também sobre o resto da pessoa”.
Vídeo sobre tarefas domésticas motivou críticas
A conversa avançou depois para um vídeo no qual Susana Dias Ramos relacionava a divisão das tarefas domésticas com o sexo dos elementos do casal.
Filipa Torrinha contestou tanto o tom utilizado como a ideia transmitida.
“A Susana (…) tem duas coisas que eu não gosto. Uma, que é menos importante, é um tom do menos elegante que eu consigo imaginar (…). E a segunda é um discurso que me parece claramente machista, preconceituoso, zero fundamentado com ciência (…). A divisão de tarefas pelos casais, que eu acho lindamente que os casais dividam tarefas entre si como bem entendem, mas que isso não tem nada a ver com o teu órgão sexual”, declarou.
Para a comentadora, cada casal pode organizar livremente as responsabilidades do quotidiano. Contudo, rejeitou que essa escolha seja determinada pelo género.
Filipa Torrinha recupera declarações polémicas
Para sustentar as críticas, Filipa Torrinha apresentou várias afirmações anteriormente atribuídas a Susana Dias Ramos.
A primeira estava relacionada com a exclusividade numa relação e com a responsabilidade pelo desejo sexual do companheiro.
“Se tu exiges exclusividade de alguém, tu tens que ser responsável pelo desejo sexual da outra pessoa. Porque senão eu acho justo serem traídos”, leu.
De seguida, recuperou uma posição sobre infidelidade: “Traição é uma falha de caráter? ‘Não!’, diz a Susana, ‘é o desespero do desejo’”.
Outra declaração incidia sobre as mulheres que não atingem o orgasmo: “As mulheres que não têm orgasmo são sexualmente incompetentes, sexualmente falando”.
Por fim, Filipa Torrinha citou uma afirmação sobre feminilidade e atração masculina: “Não é atraente nem apelativo para o homem uma mulher que não é feminina”.
A última frase deixou David Motta surpreendido. “E esta mulher é sexóloga?”, questionou o comentador.
Psicóloga acusa Susana Dias Ramos de promover preconceito
Filipa Torrinha reconheceu o direito de Susana Dias Ramos expressar as próprias opiniões. No entanto, recusou que essas posições sejam apresentadas com uma aparência de validade clínica ou científica.
“Se a senhora tem direito à opinião dela, tem. É um país livre, felizmente. E aí, se esta opinião tem algum fundamento científico clínico? Tem zero! Isto é preconceituoso, isto cansa-me. (…) Este tipo de pensamento oprime as pessoas, oprime as mulheres. Eu discordo totalmente”, afirmou.
A comentadora considerou que este tipo de discurso aumenta a pressão já exercida sobre as mulheres e reforça ideias que entende estarem ultrapassadas.
Filipa Torrinha deixou de seguir Susana Dias Ramos
Durante o debate, Filipa Torrinha revelou que chegou a manter uma relação cordial com Susana Dias Ramos através das redes sociais.
“Eu falava com a Susana de vez em quando nas mensagens no Instagram, tinha uma relação cordial com ela”, contou.
Contudo, o acumular de declarações com as quais não se identifica levou-a a cortar esse contacto digital.
“Eu cortei, eu não consigo, eu deixei de seguir, eu não consigo apoiar sequer minimamente este tipo de pensamento”, assumiu.
A psicóloga esclareceu que não pretende contribuir para a legitimação de ideias que considera prejudiciais para as mulheres.
«Temos de pensar muito mais no que queremos ser»
Na parte final da intervenção, Filipa Torrinha voltou a abordar a qualificação profissional de Susana Dias Ramos e o peso que esta pode ter na receção das suas mensagens.
“Nós, mulheres, estamos há tanto tempo debaixo de preconceito e de uma pressão para vir ainda, que depois, ainda por cima tem uma espécie de um estatuto clínico que não tem (…). E se os homens gostam de mulheres femininas, que seja, que seja (…) mas acima de tudo eu acho que as mulheres, nós temos que pensar muito menos no que os homens gostam e querem, muito mais no que nós queremos ser”, concluiu.
A análise terminou, assim, com Filipa Torrinha a questionar a apresentação de Susana Dias Ramos como psicóloga e a rejeitar o conteúdo das opiniões recuperadas no programa.
