Francisco Monteiro e Isabel Figueira arrasam conversa de Boris e Nuno sobre Raquel: «Aquilo não é uma brincadeira», disseram.
“Aquilo não é uma brincadeira.” Francisco Monteiro recusou qualquer tentativa de suavizar a conversa de Boris e Nuno sobre Raquel Rodrigues e foi uma das vozes mais duras numa emissão do Extra do Big Brother Verão praticamente dominada pela polémica que explodiu na gala de domingo.
Na noite desta segunda-feira, 10 de agosto, Marta Cardoso colocou novamente em discussão as imagens em que Boris confessava a Nuno a intenção de “usar e deitar fora” Raquel. A justificação inicial de que tudo teria sido uma brincadeira esteve no centro das críticas do painel, que analisou também a diferença entre as primeiras reações dos dois concorrentes e o silêncio de grande parte da casa perante aquilo que tinha acabado de ouvir.
Isabel Figueira começou por destacar quem, no seu entender, rompeu esse silêncio.
“Bem, aqui, pelos vistos, a Tatiana foi a única que teve coragem de dizer uma realidade que é um espelho daquilo que acontece cá fora.”
Para a comentadora, o problema estava muito para além das quatro paredes da casa mais vigiada do país. Isabel Figueira viu na conversa entre Boris e Nuno um exemplo de comportamentos que continuam normalizados fora de um reality show.
“Portanto, esta conversa entre o Boris e o Nuno é uma conversa que acontece, é um bocadinho um espelho da sociedade, a conversa entre homens, às vezes nem estão dois, estão dez, a sexualizar as mulheres e a falar delas da maneira como querem.”
Isabel Figueira: «Acho que foi uma vergonha»
A comentadora não ficou pela análise do conteúdo das palavras. Chamou também a atenção para o facto de os próprios concorrentes terem podido confrontar-se posteriormente com as imagens e perceber a dimensão do que tinham dito.
Nuno acabaria por mostrar arrependimento e chorar no dia seguinte. Boris, numa primeira fase, insistiu na explicação de que se tratava de uma brincadeira, embora posteriormente também tenha reconhecido o erro e pedido desculpa.
Isabel Figueira classificou a situação sem rodeios.
“Acho que foi uma vergonha, tanto a reação de um como outro. […] Qualquer um deles teve a oportunidade, que muitos homens não têm cá fora, de olhar para a televisão e de se verem e verem as figuras que fazem quando sexualizam as mulheres e falam das mulheres como objetos. […] Eu acho que nós ficámos todos um bocadinho em choque. Eles nitidamente esqueceram que estavam no programa de televisão com câmaras em cima.”
A reação de Tatiana voltou a ser valorizada ao longo do debate precisamente por ter confrontado a situação perante o grupo, numa altura em que outros concorrentes optaram por não intervir.
Foi esse silêncio coletivo que também incomodou profundamente Francisco Monteiro.
Zaza questiona o silêncio da casa
O vencedor do Big Brother 2023 começou por admitir que tinha dificuldade em organizar tudo aquilo que queria dizer sobre o caso. A polémica, contou, tinha-lhe valido uma “chuva de mensagens” depois de já ter abordado o assunto durante a manhã.
Francisco Monteiro aproveitou então para estabelecer uma fronteira entre aquilo que considera ser genuinidade num reality show e a utilização dessa autenticidade como justificação para qualquer comentário.
“Eu sinto-me um bocadinho baralhado para comentar este tema, porque eu tenho tanta coisa para dizer, e depois fica aqui uma nuvem, e vou perdendo algumas coisas que quero dizer, porque, na verdade há aqui muita coisa que não faz sentido para mim. Dá-me exemplos, o que é que não faz sentido? Porque se fala muito… Eu hoje recebi uma chuva de mensagens, depois de ter ido ao programa da manhã e de falar, porque as pessoas não conseguem muito bem perceber a diferença, que eu sou adepto, as pessoas têm de ser genuínas lá dentro. Para mim, um bom concorrente tem de ser genuíno, porque senão eu não gosto. Mas o ser genuíno, tu tens de saber filtrar aquilo que podes ou não dizer. Claro que numa situação de tensão, se calhar vais deixar escapar uma coisa que não queres. Mas tu ali numa situação calma, tu tens de ter consciência que aquilo é uma coisa que não se diz. Da mesma forma que ele veio para outro assunto. Quer dizer, eu vejo alguém que está mais gordinho, eu não vou dizer, olha lá, tira a bolacha da boca que estás obeso. Quer dizer, isto é de loucos. O comentário que ele tem é absurdo. É absurdo. E depois, como é que a casa se cala?”
A questão deixada no final acabou por alargar novamente o debate. Para Zaza, não estavam apenas em causa Boris, Nuno ou a forma como Raquel reagiu, mas também o comportamento dos restantes concorrentes perante as imagens.
Marta Cardoso procurou separar os vários lados da história, propondo que fossem analisadas as perspetivas de Boris, Raquel, Nuno, Tatiana e da própria casa.
Francisco Monteiro, contudo, ainda não tinha terminado.
«Daqui a bocado, estou sempre na brincadeira e posso dizer tudo»
A expressão usada por Boris para explicar inicialmente o comentário foi particularmente contestada pelo comentador.
Zaza considerou que recorrer à ideia de “brincadeira” para justificar aquele tipo de discurso criava uma desculpa que poderia servir para legitimar praticamente qualquer afirmação.
“Para depois passares à Inês, que já vamos falar disto há muito tempo, e depois há outra coisa que para mim é impensável, que é a única coisa que o Boris devia ter feito foi o que fez no fim, que já vai tarde. Porque, como é que tu tens coragem de dizer que há uma brincadeira? O que é isto da brincadeira? Porque senão, daqui a bocado, eu estou sempre na brincadeira e posso dizer tudo. Porquê? Porque estou na brincadeira. Aquilo não é uma brincadeira. As pessoas têm de saber discernir. Eles estão a falar de uma situação, e o Boris dá uma opinião, na galhofa, isto não é estar na brincadeira. É mandar uma laracha, que depois se podem rir, mas isto não tem nada a ver com brincadeira.”
Inês Simões encontrou depois uma diferença entre os comportamentos dos dois concorrentes após a exposição das imagens. Para a comentadora, embora ambos tenham estado mal, Nuno percebeu mais rapidamente a gravidade da situação.
“A diferença é que realmente o Nuno acaba por reagir muito mais cedo. Percebe que colocou também ele o pé na poça e acaba por pedir desculpa. No entanto, o que eu vejo do Boris num primeiro impacto é que o Boris não pediu desculpa.”
Na leitura de Inês Simões, a própria posição que Boris ocupa dentro da casa poderá ter contribuído para a forma como inicialmente tentou ultrapassar o episódio.
“O Boris acaba por justificar o seu comportamento, o seu comentário, como sendo, lá está, uma brincadeira. E pensava que isto ia passar na casa de ânimo leve. Porquê? Porque a verdade é que o Boris tem uma presença impactante na casa em relação aos outros colegas”, explicou.
Nuno também tentou desvalorizar numa primeira reação
Francisco Monteiro introduziu, porém, uma correção nessa leitura. Embora reconhecesse que Nuno acabou por reagir mais rapidamente, recordou que a primeira resposta do concorrente também não correspondeu imediatamente a um pedido de desculpas.
E atribuiu importância à intervenção de Maria Botelho Moniz durante a gala.
“A primeira abordagem que o Nuno tem, o Nuno vai a desvalorizar e a Maria dá-lhe uma achega. A primeira abordagem dele também não foi a melhor. O que tem a dizer é, pá, peço desculpa, estivemos mal.”
Para Zaza, a diferença acabou por estar sobretudo na capacidade de Nuno perceber os sinais que lhe estavam a ser dados durante a emissão em direto.
“O Nuno é muito mais inteligente em relação a isso do que o Boris. É mais rápido a reagir também. Porque percebe as achegas da Maria. Há ali pessoas que têm percebido as achegas da Maria. O Boris ainda não percebeu. E hoje, mais uma vez, entra ali num bate-pé com a Maria”, rematou.
O debate no Extra acabou, assim, por ultrapassar a discussão sobre quem pediu desculpa primeiro. Entre a crítica de Isabel Figueira à sexualização das mulheres, a valorização da reação de Tatiana e a recusa de Francisco Monteiro em aceitar a “brincadeira” como explicação, o foco deslocou-se para uma questão maior: o que acontece quando um comentário deixa de ser apenas uma conversa privada e quem o fez é obrigado a confrontar-se com aquilo que disse.
