O futsal é um dos desportos coletivos mais famosos em Portugal, proporcionando um espetáculo emocionante em que não são só os clubes mais famosos a terem chances de surpreender num campeonato da principal divisão com 12 equipas.
Clubes e regiões mais periféricas
Ao ver o elenco de 12 equipas da Liga de futsal de 2024/2025, saltam à vista três equipas – Benfica, Sporting e Sporting de Braga, que são os naturais grandes candidatos aos lugares da frente. Se quiser aproveitar o código promocional da Solverde, estas são as equipas ideais para o fazer com menos risco envolvido: são as mais fortes, e o Benfica e o Sporting discutem, inclusive, as competições europeias com alguns dos colossos do futsal continental.
Mas, depois, encontramos equipas que no futebol – exterior e em relva – ou estão nos campeonatos mais baixos, ou nem sequer têm atividade. AD Fundão, Eléctrico de Ponte de Sôr e Ferreira do Zêzere são os exemplos atuais de regiões mais periféricas no que ao futebol diz respeito, mas conseguem ter um lugar na elite do futsal em Portugal.
O emblema do Fundão é já veterano, com 19 presenças, e chega frequentemente às fases adiantadas do playoff de disputa do título – foi, inclusive, finalista em 2013/2014, ameaçando o domínio imposto pelo Benfica e pelo Sporting.
Já o Ferreira do Zêzere está apenas na sua terceira presença na Liga, e no ano passado fez história ao alcançar o playoff de apuramento de campeão. Caiu nos quartos-de-final perante o Leões de Porto Salvo. A formação de Porto Salvo não é de uma região periférica, mas nem esse clube, nem o seu «conterrâneo» AC Porto Salvo conseguiram levar a localidade ao principal escalão do futebol português.
Mencionámos o Eléctrico, que também se está a tornar numa presença habitual em fases mais decisivas da Liga: não falha os playoffs desde 2021/2022 (época em que alcançou as meias-finais) e está sólido como representante alentejano. Como é sabido, há mais de 20 anos que o Alentejo não tem representação no futebol profissional.
Há também casos como o do Torreense: o emblema da zona Oeste está a investir fortemente no futebol e no futsal, pelo que está na principal divisão de futsal e a lutar para chegar ao mesmo patamar no futebol.
Uma modalidade mais acessível
Não é possível, atualmente, dar luta aos principais clubes de futsal sem uma estrutura minimamente profissional e sólida, com algum investimento. Ainda assim, o dinheiro necessário é muito menos do que no futebol, estando longe de se verificarem equipas que valem múltiplas dezenas de milhões de euros.
Assim, o patamar financeiro exigido é mais fácil de atingir, o que explica que clubes com menos recursos consigam chegar ao topo da pirâmide. No entanto, havendo menos exposição, não é necessariamente mais fácil encontrar os apoios necessários.
Os plantéis também são menores e as exigências em termos de recintos desportivos não são tão altas como aquelas que são requeridas para o futebol: geralmente, um estádio é só usado para o futebol, enquanto um pavilhão pode ser usado para o futsal e bastantes outras modalidades. Além disso, em alguns casos os equipamentos são municipais.
E não nos podemos esquecer do próprio formato: o título é decidido num playoff entre os oito primeiros classificados da fase regular. Eliminatórias dão mais margem a surpresas do que provas de regularidade, o que dá mais chances às equipas e clubes menos apetrechados de chegarem longe, brilharem, e exporem o nome da sua região e patrocinadores.
