Guns N’ Roses incendiaram Coimbra com rock puro e alma imortal

Coimbra viveu uma noite histórica. No dia 6 de junho de 2025, o Estádio Cidade de Coimbra encheu-se com mais de 48 mil fãs para receber uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Em digressão com o provocador título “Because What You Want & What You Get Are Two Completely Different Things”, os Guns N’ Roses mostraram que, às vezes, o que se recebe pode ser ainda melhor do que aquilo que se sonha.

Texto: Luís Santos / Foto: Guns N’Roses (instagram)

Antes do caos organizado e do completo espetáculo que viria, os Rival Sons abriram a noite com classe, a partir das 19h. Quando o concerto de abertura terminou, por volta das 20h, o estádio estava já ao rubro, com bancadas e relvado completamente lotados, e o calor de fim de tarde a prometer uma noite de  celebração à altura do legado da banda.

Às 20h40, os Guns N’ Roses subiram ao palco. Axl Rose, com o seu carisma e visual inconfundível, provou que ainda sabe dominar uma multidão. A abrir, como não podia deixar de ser, “Welcome to the Jungle” — uma explosão de energia que fez levantar até os mais cépticos.

– Uma viagem por décadas de rock

Seguiram-se faixas que atravessam a longa carreira da banda, como Chinese Democracy, Mr. Brownstone ou You Could Be Mine, que mostraram uma banda enérgica  e intensa, apesar das décadas de estrada.

Um dos momentos mais inesperados foi “Slither”, dos Velvet Revolver — uma homenagem ao passado recente de Slash, um dos guitarristas mais apreciados de sempre e que com a sua guitarra é capaz de “dar um concerto dentro do concerto”.

As covers também tiveram lugar de destaque, com interpretações poderosas de Live and Let Die (Wings), Knockin’ on Heaven’s Door (Bob Dylan) — que pôs o público em êxtase total — e New Rose (The Damned), a provar que a banda não se esquece das suas raízes punk e hard rock.

– Emoções à flor da pele

Se houve um momento mágico foi quando Axl Rose se sentou ao piano para “November Rain”. Um estádio inteiro a cantar em uníssono, com os olhos postos no palco e a emoção à flor da pele. O mesmo se repetiu em Patience e Don’t Cry, tocadas num registo mais intimista, trazendo as guitarras acústicas para palco, que contrastou com a tempestade sonora do resto do espetáculo.

Em Sweet Child o’ Mine, o estádio transformou-se num mar de saltos e braços no ar. Foi pura euforia. Logo depois, Civil War, lembrando que o rock também pode carregar mensagens profundas.

E, como se ainda fosse preciso mais, os norte americanos guardaram para o fim um trio de luxo: Nightrain, Used to Love Her e Paradise City. Nesta última, com o público aos gritos, palmas em compasso e a plateia a saltar como se o chão não existisse, Coimbra foi palco de um encerramento épico.

– Velhos são os trapos!

A frase fez todo o sentido. A banda pode já ter ultrapassado várias gerações, mas continua com a mesma garra e capacidade de mostrar o verdadeiro espirito rock que os caracterizou desde o seu início.

Alinhamento:

Welcome to the Jungle

Chinese Democracy

Bad Obsession

Out ta Get Me

Mr. Brownstone

Slither (Velvet Revolver cover)

Live and Let Die (Wings cover)

Estranged

Absurd

Double Talkin’ Jive

Knockin’ on Heaven’s Door (Bob Dylan cover)

Hard Skool

You Could Be Mine

Rocket Queen

Better

Coma

New Rose (The Damned cover)

It’s So Easy

Solo Slash

Sweet Child o’ Mine

Civil War

November Rain

Wichita Lineman (Jimmy Webb cover)

Patience

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