Joana Latino aponta «profunda incoerência» a Liliana Aguiar e critica defesa de Marta Gil no caso ‘Uber da Droga’, no Passadeira Vermelha.
Joana Latino esteve no centro de dois debates no ‘Passadeira Vermelha’ desta terça-feira, 21 de julho.
Primeiro, a jornalista analisou o desabafo de Liliana Aguiar sobre um pai que ensinava comportamentos machistas aos filhos. Depois, comentou as declarações de Marta Gil sobre a associação do seu nome ao processo conhecido como ‘Uber da Droga’.
Nos dois casos, Joana Latino questionou a coerência das posições públicas assumidas pelas figuras em causa.
Liliana Aguiar relata episódio de machismo
Liliana Aguiar mostrou-se indignada depois de ter presenciado um homem a explicar aos filhos como deveriam tratar as mulheres.
O relato chegou ao programa conduzido por Liliana Campos, na SIC Caras. Sofia Jardim, Joana Latino e Carolina Ortigão analisaram a situação.
Embora concordasse com a condenação do comportamento descrito, Joana Latino recuperou posições anteriormente defendidas por Liliana Aguiar e pelo marido, Francisco Nunes.
A jornalista recordou ainda a denúncia de violência doméstica apresentada no passado e o posterior reatamento do casal.
“Tiveram toda a razão no que disseram, mas tenho que puxar aqui pela memória e o que a Liliana Aguiar viu é péssimo. Tenho dúvidas que ela o tenha visto exatamente assim, sobretudo em Portugal, mas vou dar de barato essa parte.”
Joana Latino recorda conteúdos partilhados pelo casal
De seguida, a comentadora estabeleceu um contraste entre a indignação demonstrada por Liliana Aguiar e o modelo familiar promovido pelo casal nas redes sociais.
Segundo Joana Latino, esses conteúdos colocavam o homem no papel de sustentar a família e reservavam à mulher uma posição de serviço.
“Começaram um canal, uma espécie de canal nas redes sociais em que falavam da vida de casal e em que o estilo de vida mostrado e defendido pelos dois era do homem como figura responsável pela previdência da família e a mulher como uma figura serviçal, de subsídio, que está lá para cuidar dos filhos e do marido. E portanto, quem defende publicamente estes valores e depois vem aqui dizer que ouvir uma coisa destas, ela utiliza a palavra atraso mental para definir a atitude do homem que está a falar com os filhos, é só uma profunda incoerência.”
Para a jornalista, as posições agora manifestadas por Liliana Aguiar não correspondem àquilo que anteriormente mostrou e defendeu ao lado de Francisco Nunes.
«Diz o que eu digo, não faças o que eu faço»
Joana Latino reforçou que alguns dos discursos do casal se aproximavam da situação que tanto revoltou a empresária.
Por isso, admitiu não compreender a diferença entre os princípios defendidos anteriormente e a crítica agora feita.
“É só qualquer coisa de diz o que eu digo, não faças o que eu faço. E não é bem isso, porque ela até diz coisas que roçam muito aquilo que ela testemunhou e que a chocou tanto. Portanto, ou a Liliana não está com capacidade para observar a sua própria vida e perceber bem os valores que está a defender, ou está tudo louco, porque efetivamente isto não é um discurso coerente face ao que nós já ouvimos dizer da Liliana Aguiar e do marido.”
A jornalista terminou a intervenção com um alerta relacionado com a educação dos filhos rapazes de Liliana Aguiar.
“Faz mesmo muita confusão que ela esteja aqui a pôr uma carga tão negativa numa situação que é em tudo semelhante, senão praticamente igual, ao que ela e o marido defendem em conjunto. (…) Espero que a Liliana Aguiar vos ouça muito bem, espero que ela esteja a pensar nos filhos rapazes que tem e no tipo de educação que ela está a dar para o futuro e a pensar na forma como esses rapazes vão tratar as suas mulheres.”
Marta Gil reage a associação ao processo ‘Uber da Droga’
Outro dos temas analisados no programa foi a presença do nome de Marta Gil em escutas telefónicas da PSP.
O material integra o processo conhecido como ‘Uber da Droga’, relacionado com o desmantelamento de uma alegada rede de tráfico liderada por Nuno Santos.
Os nomes de José Carlos Pereira e Jorge Fonseca também terão surgido no contexto da investigação.
Marta Gil garantiu, contudo, que não foi constituída arguida nem acusada de qualquer crime. Segundo a atriz, limitou-se a prestar depoimento como testemunha.
“Não fui nem arguida, nem criminosa, nem acusada de rigorosamente nada. Eu não sou nem fui nenhuma criminosa. Acho que ninguém gosta, mas há que saber lidar com as coisas que nos acontecem na vida.”
Sofia Jardim alerta para danos na imagem da atriz
Sofia Jardim reconheceu que Marta Gil não enfrenta qualquer acusação no processo, segundo as informações apresentadas.
Ainda assim, acredita que a exposição mediática do nome poderá afetar a imagem profissional da atriz.
“O julgamento que é feito socialmente e especialmente nas revistas (…) é logo como se a Marta fosse acusada. (…) Nunca é simpático um nome estar envolvido numa história destas. Para a imagem dela, sendo ela uma atriz, não abona nada a favor dela, independentemente de ser julgada ou não. A imagem dela vai ficar um bocadinho manchada com isto.”
Carolina Ortigão também compreendeu a necessidade de Marta Gil esclarecer publicamente a sua posição.
“É sempre melindroso nestes processos que envolvem assuntos de droga. (…) Compreendo que ela queira vir a público esclarecer o mais possível (…) e demarcar-se de qualquer espécie de acusação.”
Joana Latino contesta discurso de Marta Gil
Joana Latino apresentou uma leitura diferente. A jornalista considerou que Marta Gil procurou afastar-se completamente do contexto das conversas intercetadas.
Na sua interpretação, a atriz deveria ter explicado de forma mais clara por que motivo surgiu nas escutas, sem confundir essa presença com uma acusação criminal.
“A Marta tem que ter alguma responsabilidade social e devia fazer os esclarecimentos também mais neste sentido. (…) A Marta o que nos está a querer dizer é que ela era uma consumidora, comprou, porque ela está nas escutas telefónicas e de mensagens.”
A afirmação corresponde à interpretação de Joana Latino durante o programa. Marta Gil não foi apresentada como arguida nem acusada no processo.
Jornalista acusa atriz de tentar «sacudir a água do capote»
Ao comparar a reação da atriz com as posições assumidas por José Carlos Pereira e Jorge Fonseca, Joana Latino considerou que Marta Gil tentou construir uma imagem de total desconhecimento.
“Não percebo porque é que a Marta está aqui também a querer fazer passar uma coisa que nem o José Carlos Pereira fez, nem o Jorge Fonseca fez, que é tentar passar como ‘eu sou uma santa’ (…) Na minha opinião, ela quis sacudir a água do capote.”
Sofia Jardim contrapôs que a artista estaria apenas a esclarecer a sua situação judicial. Ou seja, pretendia deixar claro que não era arguida nem estava acusada.
Joana Latino manteve, no entanto, a posição e comparou a reação portuguesa com a forma como casos semelhantes são abordados noutros países.
“Nos Estados Unidos já se está uma data de passos à frente e quando há pessoas que são apanhadas neste tipo de coisas, numa escuta telefónica de um traficante, as pessoas dizem: ‘peço imensa desculpa se eu consumi isto ou aquilo, mas é só para mim próprio e não faço parte de nenhuma rede’. Em Portugal as pessoas ainda querem fazer passar que são a Nossa Senhora da Aparecida (…).”
Marta Gil continua a rejeitar qualquer envolvimento em atos ilícitos e sublinha que não foi arguida, criminosa ou acusada no processo.
