Joana Marques reage à polémica com Mafalda Matos e rejeita ter gozado com o autismo, explicando o seu ponto de vista.
Joana Marques quebrou o silêncio sobre a polémica gerada pelos comentários feitos a propósito de Mafalda Matos. A humorista recusou que o alvo da sátira tenha sido o autismo e garantiu estar de consciência tranquila quanto à forma como selecionou e apresentou as declarações analisadas.
A reação surgiu depois das críticas dirigidas a um episódio do «Extremamente Desagradável», com várias pessoas a acusarem Joana Marques de ter descontextualizado as palavras da atriz e de ter transformado o autismo em motivo de humor.
Humorista explica silêncio habitual perante polémicas
Joana Marques começou por esclarecer que raramente responde às críticas relacionadas com o seu trabalho. Segundo explicou, as controvérsias surgem com frequência e uma resposta permanente acabaria por ocupar todo o tempo destinado aos seus projetos.
“Não tenho por hábito responder porque senão era um trabalho sem fim. Felizmente, não sempre nesta escala tão grande, mas acontece todas as semanas haver assim uma mini-polémica com alguém que se sente muito ofendido com alguma coisa. Portanto, se começasse a responder abria um precedente e depois não conseguia sair disso, não fazia mais nada, tinha que cancelar o podcast, porque não fazia mais nada senão responder às pessoas e sobretudo, no fundo, tentar chamá-las à razão.”
A humorista sublinhou que não pretende obrigar o público a concordar com a sua interpretação. Ainda assim, considera incorreta a leitura de que existiu uma tentativa de ridicularizar pessoas autistas.
“Não têm que concordar comigo, não é isso, mas tentar fazê-las ver que, gostando ou não do que foi dito, nunca houve ali um gozo com o autismo. Acho que é uma interpretação demasiado literal e é um problema com o qual me confronto várias vezes.”
«O alvo da sátira era a exposição de uma questão»
Para Joana Marques, parte da polémica nasceu da circulação de excertos isolados e de uma interpretação feita sem ouvir o conteúdo completo.
A autora do «Extremamente Desagradável» reconheceu que o consumo rápido de informação também pode conduzir a leituras incompletas, admitindo que a própria já se deixou ficar apenas pelos títulos.
“Neste caso acho que é muito fácil reduzir isto a ‘gozou com o autismo’ e a esta ideia de que é proibido. Quando, na verdade, explicando agora, acho que quem ouça o podcast inteiro, que também percebo que hoje em dia dá trabalho despender de 15 minutos – eu própria sou vítima disso muitas vezes, não tenho paciência para ler tudo e fico-me por títulos, também me arrependo. Acho que, ouvindo, facilmente se percebe que, no fundo, ali o alvo da sátira era, como é muitas vezes naquilo que eu faço, a exposição de uma questão.”
Joana Marques explicou depois qual foi o ponto concreto que despertou o seu interesse humorístico. A análise centrou-se na forma como Mafalda Matos se apresenta publicamente e inclui o autismo na descrição do seu perfil nas redes sociais.
“O que eu estava a analisar era como aquela pessoa em concreto se define, até põe como a sua biografia de Instagram autista como se essa fosse a sua única característica. E o que eu achei engraçado, respeito quem não ache porque isso vai sempre acontecer, a mim deu-me vontade de rir a ideia de ‘vou jogar às cartas com os meus amigos neurodivergentes’.”
Joana Marques nega ter descontextualizado declarações
A humorista rejeitou também a acusação de ter alterado o sentido das palavras utilizadas no conteúdo original. Joana Marques explicou que os excertos são necessariamente selecionados, uma vez que não seria possível reproduzir integralmente todas as entrevistas ou intervenções analisadas.
Ainda assim, garantiu que essa seleção não significa, na sua perspetiva, uma descontextualização.
“No «Extremamente Desagradável» ou noutros projetos do género, o que eu mostro são coisas que as pessoas efetivamente disseram. Eu não transformo nada, não invento nada, depois comento aquelas afirmações e, por mais que as pessoas digam que são tiradas do contexto, eu estou de consciência tranquila quanto a isso. Não há nenhum contexto que fosse alterar aquilo, elas são simplesmente resumidas, como é óbvio, porque se eu analisar uma entrevista que durou uma hora, eu não vou passar uma hora, não vou passá-la na íntegra, vou selecionar os excertos. Mas eu não considero descontextualizar.”
