Jorge Palma distinguido com Prémio Carreira e deixa alerta sobre o futuro da cultura em Portugal

Jorge Palma distinguido com Prémio Carreira e deixa alerta sobre o futuro da cultura em Portugal, na noite de ontem.

Foto: Rita Carmo

Reconhecimento marca trajetória com décadas na música portuguesa

Jorge Palma recebeu o Prémio Carreira nos Play – Prémios da Música Portuguesa, numa cerimónia realizada no Coliseu dos Recreios. A distinção, atribuída pela direção da Audiogest, reconhece percursos artísticos com impacto duradouro na cultura nacional.

A homenagem reuniu vários nomes da música portuguesa e sublinhou o peso de uma carreira construída ao longo de décadas.

Um discurso de gratidão com várias décadas de história

No momento de agradecimento, o músico destacou o papel do público e de todos os que o acompanharam ao longo do percurso.

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“Um Prémio Carreira não se recebe todos os dias!
Em primeiro lugar, quero agradecer a vocês, público, que me acompanham há décadas e que foram crescendo, em número e em carinho, ao longo do tempo.
Depois, aos Play e à AudioGest, por esta distinção.
O Prémio Carreira assinala todo um percurso que não trilhei sozinho, por isso, dedico-o a todos os músicos, técnicos, editores, agentes, managers e colegas com quem me cruzei ao longo do caminho.
Obrigado ainda a todos os músicos, cantores, amigos e equipa que contribuíram para criar o momento de ontem, que muito me sensibilizou e deixou feliz.
Agradeço ainda a todos os que, ao longo da vida, me têm ajudado, ensinado, tratado e curado. Falo não só dos meus mestres e dos meus bons amigos, mas também, dos médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares que trabalham no SNS com os parcos meios que têm.”

As palavras refletem um percurso coletivo, feito de colaborações e encontros que marcaram várias fases da sua carreira.

Críticas ao estado da cultura e apelo a reformas

O discurso não se ficou pelos agradecimentos. Houve também espaço para uma reflexão crítica sobre o setor cultural em Portugal.

“Há muita coisa por fazer, há muita coisa por dizer. O Sérgio Godinho, há uns anos, ao receber o seu Prémio Carreira, falou das diferentes gerações que coexistem na música portuguesa e da sua pujança e diversidade. Era importante que houvesse visão para aproveitar este potencial, esta energia e este talento e fazer um país melhor.
A cultura em Portugal não pode continuar a ser sistematicamente menosprezada. É preciso que se façam reformas eficazes, para que as nossas forças não se gastem em vão.”

A mensagem aponta para a necessidade de uma estratégia que valorize o talento e a diversidade existentes na música nacional.

Um alerta ligado à memória de Abril

Já na parte final, Jorge Palma trouxe para o discurso uma dimensão histórica e política, evocando o 25 de Abril.

Não deixemos que o 25 de Abril se torne uma memória distante. Temos de reinventar sempre o espírito de Abril: liberdade, democracia, justiça. Viva o 25 de Abril! Viva a liberdade! Viva a democracia!
Estamos aí! Enquanto houver estrada p’ra andar!

O apelo reforça a importância de manter vivos os valores de liberdade e democracia.

Homenagem em palco juntou várias gerações

A cerimónia incluiu um momento de tributo com interpretações de temas marcantes do artista. Sérgio Godinho, Tim, Marisa Liz, Miguel Luz e Inês Marques Lucas participaram num medley que percorreu várias fases da sua obra.

Temas como “Canção de Lisboa”, “Dá-me Lume”, “Bairro do Amor”, “Portugal, Portugal” e “Frágil” voltaram a ouvir-se no Coliseu.

O momento terminou com “A Gente Vai Continuar”, interpretado em conjunto por músicos, convidados e público, incluindo os filhos do artista, Vicente e Francisco Palma.

A distinção confirma, assim, o lugar de Jorge Palma como uma das figuras centrais da música portuguesa contemporânea.

Leia também: Toy gera polémica nos Prémios PLAY com discurso político em direto: “A cultura é a melhor arma”

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