Jorge Rivotti reúne duetos em vinil e recupera “Fado do Bebedor” com novo videoclipe, segundo foi revelado.
Jorge Rivotti prepara uma nova edição em vinil, construída a partir de canções dos seus dois álbuns anteriores. Segundo o comunicado de imprensa, “…𝗔𝘀 𝗧𝗶𝗮𝘀 𝗻𝗼 𝘀𝗲𝘂 𝗠𝗲𝗹𝗵𝗼𝗿… 𝗢 𝗕𝗲𝘀𝘁𝗼𝗳𝗲 𝗲𝗺 𝗟𝗼𝗻𝗴𝘂𝗲 𝗣𝗹𝗲𝗶.” está já em pré-venda e será lançado exclusivamente neste formato.
A colectânea junta dez temas e conta com participações em dueto de Samuel Úria, Zeca Medeiros, Manuel João Vieira, Donatello Brida e António Rivotti, entre outros músicos instrumentistas.
Uma colectânea pensada apenas para vinil
De acordo com o comunicado, o novo disco reúne canções escolhidas a partir de “…𝗲 𝗼𝘂𝘁𝗿𝗮𝘀 𝗰𝗮𝗻çõ𝗲𝘀 𝗾𝘂𝗲 𝗻ã𝗼 𝗾𝘂𝗶𝘀𝗲𝗿𝗮𝗺 𝗳𝗶𝗰𝗮𝗿 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗧𝗶𝗮𝘀”, volumes 1 e 2, editados em 2023 e 2025 pela AVM.
O alinhamento inclui “𝗦𝗮𝗻𝘁𝗮 𝗔𝗽𝗼𝗹ó𝗻𝗶𝗮”, “𝗩𝗮𝘀’𝗶𝗹𝗵𝗮”, “𝗩𝗶𝗱𝗮 𝗱𝗲 𝗚𝗮𝘃𝗲𝘁𝗮”, “𝗙𝗮𝗱𝗼 𝗱𝗼 𝗕𝗲𝗯𝗲𝗱𝗼𝗿”, “À 𝗣𝗿𝗼𝗰𝘂𝗿𝗮 𝗱𝗲 𝘂𝗺 𝗣𝗲𝗿𝗳𝘂𝗺𝗲”, “𝗧𝗼𝗹𝗼𝗸”, “𝗙𝗮𝗱𝗼 𝗘𝗺𝗮𝗿𝗮𝗻𝗵𝗮𝗱𝗼”, “𝗥𝗼𝘀𝗶𝗻𝗵𝗮 𝗩𝗲𝗺-𝘁𝗲 𝗖𝗼𝗺𝗶𝗴𝗼”, “𝗗𝗼𝗰𝗲 𝗛𝗶𝘀𝘁ó𝗿𝗶𝗮” e “𝗗𝗮𝗺𝗲 𝗨𝗻𝗮 𝗥𝗼𝘀𝗮”.
Além disso, o comunicado deixa um aviso bem-humorado sobre a pré-venda: o vinil pode não chegar às lojas.
“Fado do Bebedor” ganha novo arranjo
Entre as canções escolhidas, o destaque vai para “𝗙𝗮𝗱𝗼 𝗱𝗼 𝗕𝗲𝗯𝗲𝗱𝗼𝗿”. O tema foi originalmente editado em “𝗗𝗶𝗮𝘀 𝗱𝗮 𝗣𝘂𝗯𝗹𝗶𝗰𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲”, em 2001, e regressa agora com um novo arranjo.
Segundo o comunicado, esta canção ocupa um lugar central na nova edição. É também o tema escolhido para apresentar a colectânea em formato videoclipe.
O vídeo oficial de “𝗙𝗮𝗱𝗼 𝗕𝗲𝗯𝗲𝗱𝗼𝗿” acompanha, assim, o lançamento do novo álbum e reforça o tom particular desta revisitação.
Bastidores, escolhas difíceis e canções resistentes
O comunicado assume, com ironia, que escolher temas para uma colectânea nunca é simples. Há canções mais “𝗾𝘂𝗲𝗿𝗶𝗱𝗮𝘀”, outras que representam melhor o autor e algumas que ficam pelo caminho.
Depois, entram as decisões práticas. O texto refere os custos de um álbum duplo e o editor a protestar porque “𝗼𝘀 𝘁𝗲𝗺𝗽𝗼𝘀 𝗲𝘀𝘁ã𝗼 𝗱𝗶𝗳í𝗰𝗲𝗶𝘀” e “𝗮 𝗺ú𝘀𝗶𝗰𝗮 𝗻ã𝗼 𝘀𝗲 𝘃𝗲𝗻𝗱𝗲”.
Ainda assim, foram estas dez canções que chegaram ao vinil. No tom bem-humorado do comunicado, sobreviveram às intempéries, lutaram pelo seu espaço e reivindicaram direitos “𝗮𝘂𝗱𝗶𝗼𝗹𝗮𝗯𝗼𝗿𝗮𝗶𝘀”.
As restantes, acrescenta o texto, ficarão na prateleira mais terna do coração do autor.
Um vinil colorido para “iluminar” os audiófilos
A edição aposta num vinil colorido, descrito no comunicado como pensado para iluminar os audiófilos nas suas emoções mais refinadas.
Há também uma brincadeira com o próprio formato. As canções não são de plástico, mas estão em plástico. E, segundo o texto, daquele que brilha.
Dessa forma, a colectânea é apresentada como um objecto físico com intenção estética, pensado para valorizar a música gravada e editada.
Uma canção sobre a relação humana com a bebida
Segundo o comunicado, “𝗙𝗮𝗱𝗼 𝗱𝗼 𝗕𝗲𝗯𝗲𝗱𝗼𝗿” fala da relação humana com a bebida e da forma como cada pessoa gere o estado inebriado.
O texto estabelece ainda uma ligação com o filme “𝗗𝗿𝘂𝗸”, realizado por Thomas Vinterberg, e com a teoria apresentada nessa obra, segundo a qual nascemos com um défice de 0,5 g de álcool no sangue.
A partir daí, o comunicado enquadra a ideia de que o consumo alcoólico pode alterar e “𝗺𝗲𝗹𝗵𝗼𝗿𝗮𝗿” a relação social, embora sublinhe a importância da moderação.
Melodia festiva para uma ideia sem dramatismo
Apesar do tema, “𝗙𝗮𝗱𝗼 𝗱𝗼 𝗕𝗲𝗯𝗲𝗱𝗼𝗿” não é apresentado como uma canção pesada ou dramática.
Pelo contrário, o comunicado descreve-o como um tema com melodia não dramática, até festiva, em sintonia com a mensagem poética transmitida.
Assim, Jorge Rivotti recupera uma canção de 2001 e dá-lhe nova vida, num disco em vinil que cruza memória, humor, duetos e uma visão muito própria da música popular portuguesa.


