Manuel João Vieira transforma The Leite Show num manifesto satírico sobre política e habitação

Manuel João Vieira transforma The Leite Show num manifesto satírico sobre política e habitação, na noite de ontem.

Antes de mais, o mais recente episódio do formato digital The Leite Show voltou a apostar no humor provocador.
O programa, apresentado por Flávio Furtado, recebeu Manuel João Vieira, figura recorrente nas corridas à Presidência da República.

Humor político desde a primeira pergunta

Desde o início, a entrevista ficou marcada pela sátira e pelo nonsense.
Flávio Furtado não perdeu tempo a questionar as motivações do convidado.

“Candidatou-se à presidência por convicção ou porque descobriu que o catering de Belém é pago pelos contribuintes?”, perguntou.

Campanhas presidenciais cheias de episódios insólitos

Em resposta, Manuel João Vieira recuou até 2001 para recordar as suas tentativas de chegar a Belém.
Entre memórias improváveis, destacou um momento caricato das recolhas de assinaturas.

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“Levámos até um burro para levar as assinaturas. E se o burro ainda é vivo? Não sei, mas se for vivo, vai morrer em breve”, afirmou, desviando depois o tema para a biologia, área onde garante ter tido “excelentes notas”.

Improviso como arma diplomática

Mais adiante, o artista explicou que tipo de Presidente poderia ser.
Segundo disse, a sua influência passaria por contactos informais.

“Acho que posso fazer alguns telefonemas aqui e ali, que podem acabar com alguns problemas, nomeadamente problemas para o nosso bonito país”, assegurou.

Críticas ao litoral e à crise da habitação

Ao abordar a habitação, Manuel João Vieira voltou a recorrer a imagens fortes.
O candidato criticou a concentração populacional no litoral.

“As pessoas vieram todas, é natural, porque vão a rebolar, vieram todas para o litoral a rebolar, ora isso faz com que as casas do litoral tenham preços completamente incompatíveis”, explicou.

Além disso, deixou críticas à perda de identidade da capital.
“Em Lisboa, já não há lisboetas, e esqueceram-se até de deixar as prostitutas, estes chóferes de táxis típicos da capital”, lamentou.

Uma cidade utópica no centro do país

Por fim, Manuel João Vieira apresentou a proposta central do seu programa eleitoral.
A ideia passa pela construção de uma nova cidade no interior de Portugal.

“Vamos fazer uma cidade para 10 milhões de portugueses, com o epicentro no centro do país, que fica muito perto de Vila de Rei”, anunciou.

Nesse cenário futurista, o trabalho humano deixaria de existir.
“Nessa cidade as pessoas não terão que trabalhar, porque a inteligência artificial, a robótica e a mecânica resolverão todos os problemas (…) O que as pessoas terão que fazer é, para resolver um problema, terem que tocar no botão”, concluiu.

Assim, o episódio voltou a juntar crítica social, provocação política e o humor absurdo que caracteriza Manuel João Vieira.

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