José Tolentino de Mendonça deixa mensagem de esperança e fé nas redes: “Não há situação alguma em que a nossa alegria esteja comprometida”, disse.
Reflexão do cardeal percorre as Bem-aventuranças e convida à confiança mesmo nos momentos difíceis
Num tempo marcado por incertezas e cansaço emocional, uma mensagem espiritual ganhou destaque nas redes sociais. O autor é o José Tolentino de Mendonça, que partilhou uma longa reflexão centrada na fragilidade humana e na promessa de esperança.
Além disso, o texto percorre diferentes momentos de dor, dúvida e desânimo. Em cada cenário, surge o mesmo convite: recordar as palavras de Jesus e reencontrar sentido.
A pequenez como ponto de partida
Logo de início, o cardeal aborda a sensação de insuficiência. A vida, escreve, pode deixar-nos de mãos vazias. Ainda assim, há uma promessa para quem nada possui.
Nesse sentido, afirma:
“Quando sentires a tua pequenez como obstáculo e constatares, depois de tudo, que a vida te vai deixando as mãos sempre mais vazias, recorda-te que o Senhor disse: Felizes os pobres, porque eles que nada têm pertence o Reino dos Céus.”
Lágrimas, consolo e mansidão
Em seguida, a reflexão toca a dor silenciosa. O choro e o desalento não são vistos como derrota, mas como caminho para o consolo.
Como escreve:
“Quando o peso das tuas lágrimas doer como pergunta sem resposta, ou desacreditares que, depois da noite, o dia novo amanhecerá também para ti, recorda-te que o Senhor disse: Felizes os que choram, porque serão consolados.”
Depois, deixa um alerta contra a dureza do coração:
“Quando pagar o mal com o mal te surgir como um caminho possível, ou estiveres mais propenso à intransigência e à severidade do que ao diálogo, recorda-te que o Senhor disse: Felizes os mansos, porque herdarão a terra.”
Abrir o coração ao outro
Por outro lado, o cardeal convida à generosidade e ao perdão. A misericórdia surge como atitude essencial na relação com os outros.
Assim, refere:
“Quando fores chamado a dar, sejam os teus bens, seja o teu perdão, e caíres no engano de fechar o coração em vez de o abrir, recorda-te que o Senhor disse: Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.”
Além disso, alerta contra o cinismo e o excesso de cálculo:
“Quando, para não parecer ingênuo, te deixares contaminar pelo cálculo, pelo controlo ou pelo cinismo, recorda-te que o Senhor disse: Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.”
Justiça, paz e perseverança
Entretanto, a mensagem amplia-se ao compromisso social. A justiça e a paz são apresentadas como missões concretas do quotidiano.
Como sublinha:
“Quando te sentires satisfeito por pertenceres àquele número de privilegiados que possui o essencial e ainda lhe sobra, recorda-te que o Senhor disse: Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.”
E acrescenta:
“Quando te deixares dominar pela lógica do conflito e, por tudo e por nada, armares com rapidez o teu coração, recorda-te que o Senhor disse: Felizes os construtores da paz, porque serão chamados filhos de Deus.”
Por fim, destaca a fidelidade aos valores, mesmo perante dificuldades:
“Quando o preço a pagar pela verdade do amor te parecer duro e alto, recorda-te que o Senhor disse: Felizes os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.”
Uma conclusão de esperança
A reflexão termina com uma afirmação de confiança absoluta. Independentemente das circunstâncias, a alegria não está perdida.
O texto encerra com estas palavras:
“Não há situação alguma em que a nossa alegria esteja comprometida. Deus teve e terá sempre um último gesto possível, para além de qualquer pequenez ou agonia, mesmo que mortal. Nós estamos salvos, e essa é a fonte da nossa alegria.— Card. José Tolentino de Mendonça©”
Deste modo, a publicação transforma-se num apelo à serenidade. Entre fé, humanidade e esperança, o cardeal recorda que a luz pode surgir mesmo nos dias mais difíceis.
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