Júlio Isidro de luto: “Estivemos sempre de acordo e assim trabalhámos mais de 30 anos”, referiu nas redes sociais.
Morreu, no início desta semana, António Barra, “braço direito” de Júlio Isidro em diversos programas de televisão.
“Andava a sonhar com ele há horas de insónias. Como é que estaria o António Barra que eu sabia em sofrimento, o coração, os rins, a diabetes, a coluna, o peso e aquele ponto de viragem que são os 80. É nos 80, se não antes, que os males se vão insidiosamente manifestando. Que estranha premonição… Tocou o telefone e era a São Barra a balbuciar que o António Barra tinha sido internado mais uma vez, desta vez em situação limite“, assinalou Júlio Isidro.
“Em dois dias, perdi um companheiro de trabalho que, muito mais do que isso, se tornou num dos meus maiores amigos. Nunca nos tratámos por tu, mas por diminutivos: o Barrinha e o Julinho. Nunca tivemos uma troca de palavras agrestes. Estivemos sempre de acordo e assim trabalhámos mais de 30 anos“, lembrou.
Destacou que “o Barrinha não era apenas” o seu assistente de produção e realização, “mas o eco ativo de todas as ideias” que o apresentador levava das suas “noites mal dormidas“.
“– Barrinha, tive um ideia… Que tal fazermos um programa na praia com presentes enterrados na areia? – Julinho, vamos a isso. – Barrinha, e se fizermos a Febre em Troia? – Vou já tentar saber quem nos vai fornecer o espaço“, recordou.
“Dezenas, centenas de vezes, com um a dar o pontapé de saída e o outro a segurar a bola. Aconteceu na rádio e passou para a televisão, onde o Barrinha foi assistente, ator e até cuidador da minha saúde“, acrescentou ainda Júlio Isidro.
Abaixo, deixamos o emocionante e bonito texto, na íntegra:
“Na taberna de Alcobaça ao Largo do Carmo, almoçávamos, depois da Febre de Sábado de manhã, uma grande cabeça de garoupa. Como eu não sabia esquartejar aquela peça de raro sabor, o Barrinha cortava o melhor, a gola do peixe, para o Julinho comer sem espinhas.
Esteve sempre ao meu lado com um sorriso e frases marotas, começou a namorar com a São pelo telefone, até que eu a convidei para telefonista de todos os meus programas.
Na foto, momentos antes da célebre Febre do Estádio de Alvalade, ali estamos os três quando éramos eternos.
Casaram, tiveram um filho seu orgulho e a diminuição de mobilidade do meu braço direito não impediu os nossos sistemáticos contactos com fotos e afirmações de eterna amizade.
Estranhei, no meu aniversário, não ter recebido mensagem do Barrinha. Estava no hospital em mais uma tentativa de dar a volta à vida e virar as costas à morte. Nunca me disse do seu sofrimento, escondeu-o sempre numa voz de sorriso quando falávamos.
Morreu hoje [terça-feira] às 7 da manhã.
Amigos como o Barrinha, quando partem, deixam-me um vazio sufocante. Não sei o que é a morte… Só sei que, com a partida do Tony, perdi vida. Isto porque as pessoas da minha vida são imperdíveis.
Vou amanhã dar-lhe o abraço forte que se dá a um homem que foi o meu forte braço direito.
Nestas alturas, quando me sinto cansado, a morte assusta-me menos.
O António Barra Martins foi um apaixonado pelo espetáculo, o teatro, a rádio e a televisão. Um homem honesto que me dizia sempre que a nossa ligação era para a eternidade. Será aí nesse sítio etéreo que nos iremos encontrar…
A casa está fria, as recordações escaldam e eu não sou capaz de lhe dizer adeus, meu querido Barrinha. Mas lá irei».
O velório está agendado para esta quarta-feira, dia 15, a partir das 17:00 horas, na Igreja dos Moinhos da Funcheira – Casal de S. Brás. O derradeiro adeus é na quinta-feira, às 11:00 horas, para o cemitério da Amadora“.

