Marina Mota: “fui incutida no espírito ‘o espetáculo não para’ e do respeito pelo espectador”, referiu em conversa com a filha.
Marina Mota foi entrevistada pela filha, Erika Mota, numa conversa transmitida esta segunda-feira no programa de Júlia Pinheiro, na SIC.
Nesse sentido, recordou uma altura em que realizou espetáculos mesmo estando doente
Assim, explicou que “não foi por dinheiro” que decidiu trabalhar, mesmo estando com tuberculose: “Ninguém me pagou mais por isso”.
“Acho que era mesmo porque fui incutida no espírito ‘o espetáculo não para’ e do respeito pelo espectador. Ou seja, eu tinha a noção que os espetáculos que eu fiz doente, se não fizesse, estava a mandar 600 espectadores para casa e os meus colegas não sei se iam receber ou não, mas era desconfortável”, acrescentou.
“Não estava bem de saúde, obviamente. Tive uma tuberculose pulmonar. Não podia estar bem e fiz três espetáculos no sábado, porque era feriado, e mais três no domingo. Só na folga se resolveu que eu devia, de facto parar um bocadinho. Foi possível fazer. Obviamente que não estava a 100%, mas foi possível”, referiu.
Ainda assim, disse que voltaria a fazê-lo, “se conseguisse estar bem”.
“Eu acho que, às vezes, é importante que as pessoas que estão sentadas e que pagam bilhete para nos ver… para já, rendo-lhes tanto a minha homenagem que dou-lhe a minha saúde e a minha doença e eu acho que as pessoas acabam por perceber que é impossível, ao longo de 51 anos a fazer isto, a entregar-me à profissão, que nem sempre fiz bem, nem sempre estive no meu melhor. Agora, fi-lo sempre no mesmo respeito e eu acho que, às vezes, também é bom que as pessoas se apercebam das nossas fragilidades”, acrescentou a actriz.
“Eu acho que as pessoas reconhecem-me. É para o público que eu trabalho e a forma como as pessoas me acarinham… e o curioso é que é transversal à faixa etária das pessoas. Esse é o reconhecimento que eu procuro. Não quero mais nenhum, esse chega-me”, rematou Marina Mota.
