Marina Mota revisita mais de 50 anos de carreira e recorda encontro inesperado com João Baião na infância

Marina Mota revisita mais de 50 anos de carreira e recorda encontro inesperado com João Baião na infância, na Casa Feliz.

Ao longo de mais de meio século de carreira, Marina Mota construiu um percurso sólido, feito de talento, trabalho e uma humildade rara. Foi esse caminho que esteve em destaque na sua recente conversa com Diana Chaves e João Baião, na SIC.

A entrevista trouxe memórias, coincidências e histórias que ajudam a compreender a dimensão de uma carreira que atravessa gerações.

Um encontro esquecido… até à idade adulta

Durante a conversa, surgiu uma coincidência curiosa. Marina Mota e João Baião cruzaram-se ainda crianças no Festival da Canção Infantil, organizado pela Casa da Imprensa, muito antes de se tornarem figuras centrais da televisão portuguesa.

A atriz recordou o episódio com humor, descrevendo a repetição exaustiva das eliminatórias: “O João também participou nesse festival (…) Éramos 50 miúdos a cantar a mesma música. Que seca”.

Apesar de ter sido escolhida para representar o Distrito de Lisboa, Marina fez questão de repor a verdade histórica sobre o desfecho final: “Mas quem ganhou, eu digo sempre isto, porque eu sou muito honesta, quem ganhou depois o festival (…) foram os meninos de Faro”.

Só anos mais tarde, já adultos, perceberam que tinham partilhado aquele palco em miúdos.

A ‘Miúda de Alcântara’ e os limites do Estado Novo

Entretanto, a verdadeira rampa de lançamento aconteceu aos 10 anos. Marina Mota venceu o concurso de mercado da Primavera e ganhou projeção como a “Miúda de Alcântara”, seguindo a tradição de nomes populares ligados aos bairros lisboetas.

O prémio deu-lhe direito a gravar o primeiro disco, em 1973. No entanto, nem tudo foi possível na época. A atriz recordou as limitações impostas pelo regime: “O prémio era a carteira profissional, obviamente que eu não podia ter, porque foi antes do 25 de Abril (…) porque era menor”.

Uma infância em palco… até nos Estados Unidos

Pouco tempo depois, ainda com apenas 11 anos, Marina Mota viveu uma experiência pouco comum para a idade. A atriz realizou a sua primeira digressão internacional.

Na altura, cantou num auditório em São Francisco, na Califórnia, numa memória que permanece marcante no seu percurso artístico.

“Eu continuo a não ser artista”

Hoje, aos 63 anos e com 53 de carreira oficial, Marina Mota mantém uma visão surpreendentemente desarmante sobre si própria. Em conversa com Diana Chaves, foi clara: “Eu continuo a não ser artista”.

A transição para a representação surgiu quase por acaso. Inicialmente, chegou ao Parque Mayer apenas como fadista. A mudança aconteceu naturalmente: “Fui para o Parque Maier exatamente como atração nacional para cantar fado (…) Depois, nessa revista é que acharam que eu tinha alguma piadinha (…) e mandaram-me dizer umas coisas, e assim comecei a representar”.

Assim, entre coincidências, acasos e escolhas feitas cedo, Marina Mota reafirma-se como um dos nomes mais consistentes do panorama artístico português, provando que as grandes carreiras nem sempre começam com um plano — às vezes começam apenas com talento e entrega.

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