Mário Pacheco leva a sua música ao CCB num concerto com orquestra e convidados internacionais

Mário Pacheco leva a sua música ao CCB num concerto com orquestra e convidados internacionais, em Dezembro.

O guitarrista e compositor sobe ao palco do Centro Cultural de Belém a 17 de dezembro, acompanhado por Jaques Morelenbaum, João Barradas, Ricardo Toscano e Fernando Dalcin.

A obra de Mário Pacheco vai ganhar uma nova dimensão no palco do Centro Cultural de Belém. Marcado para 17 de dezembro, o concerto A Música de Mário Pacheco revisita várias décadas de criação, desta vez com arranjos orquestrais e a participação de músicos ligados ao fado, ao jazz, à música brasileira e ao choro.

Mário Pacheco estará na guitarra portuguesa, acompanhado por uma orquestra dirigida pelo maestro João Defesa. A direção musical ficará a cargo de Diogo Clemente, num espetáculo que contará ainda com a participação especial do violoncelista brasileiro Jaques Morelenbaum e com os convidados João Barradas, Ricardo Toscano e Fernando Dalcin.

No comunicado enviado ao Infocul.pt, o concerto é apresentado como um momento único para revisitar a obra do músico português.

“Há compositores que escrevem canções e há compositores que acabam por escrever a memória de um país. Mário Pacheco pertence ao segundo grupo”, refere a organização.

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Uma vida ligada à guitarra portuguesa

Filho do guitarrista António Pacheco, Mário Pacheco cresceu próximo do fado e encontrou na guitarra portuguesa o seu principal meio de expressão. O músico estudou a obra de nomes como Armandinho, Carlos Paredes e Fontes Rocha, desenvolvendo posteriormente uma identidade própria.

Ao longo do seu percurso, acompanhou algumas das figuras mais importantes da música portuguesa, entre as quais Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Max, Fernando Maurício, Beatriz da Conceição, Maria da Fé, Vicente da Câmara, Paulo de Carvalho, Mísia, Camané, Cuca Roseta, Mariza e Carlos do Carmo.

A composição tornou-se outra vertente determinante da sua carreira. As melodias de Mário Pacheco foram interpretadas por artistas de diferentes gerações, como Carlos do Carmo, Mariza, Camané, Carminho, Sara Correia, Cuca Roseta, Mísia, Ana Sofia Varela, Rodrigo Costa Félix, Joana Amendoeira, Jorge Fernando, Paulo Bragança e Paulo de Carvalho.

Convidados cruzam diferentes universos musicais

A presença de Jaques Morelenbaum reforça a ligação deste concerto à música brasileira. Violoncelista, arranjador, maestro e produtor, integrou a Nova Banda de Antonio Carlos Jobim e trabalhou com artistas como Caetano Veloso, Gal Costa, Marisa Monte e Ryuichi Sakamoto. Morelenbaum participou também no álbum Livre, editado por Mário Pacheco em 2020.

João Barradas, considerado uma das principais referências internacionais do acordeão, volta igualmente a cruzar-se com o compositor depois de ter colaborado em Livre. Com um percurso dividido entre a música erudita e o jazz, o músico tem levado o acordeão a diferentes contextos artísticos.

O saxofonista Ricardo Toscano, uma das figuras da nova geração do jazz português, também participou naquele álbum e estará no palco do CCB. O conjunto de convidados completa-se com Fernando Dalcin, bandolinista brasileiro radicado em Portugal e especialista na tradição do choro.

Um percurso distinguido dentro e fora do fado

Mário Pacheco recebeu o Prémio Amália Rodrigues de Melhor Compositor, o prémio Top of the World Album, atribuído pela revista Songlines, e a Medalha Municipal de Mérito, Grau Ouro, da Câmara Municipal de Lisboa. Foi ainda distinguido como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

O músico participou no filme Fados, de Carlos Saura, e editou os álbuns Um Outro Olhar, em 1992, A Música e a Guitarra e Livre, lançado em 2020.

O seu percurso ficou também ligado ao Clube de Fado, espaço criado em Alfama, junto à Sé de Lisboa, e que se afirmou durante 25 anos como uma das casas de referência do género.

O concerto de 17 de dezembro devolve agora estas composições ao seu autor, com novos arranjos e uma formação criada especialmente para o palco do Centro Cultural de Belém.

“A minha vida é o Fado, o meu mundo é a Música e o meu desejo é ser Livre”, escreveu Mário Pacheco, numa frase recuperada pela organização para apresentar o espetáculo.

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